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EUA sanciona 12 dirigentes de empresa russa Kaspersky

21/06/2024 12h56Atualizada em 25/06/2024 14h25

Os Estados Unidos anunciaram nesta sexta-feira (21) sanções contra 12 dirigentes da empresa russa de cibersegurança Kaspersky Lab, um dia depois de proibir a venda de seu popular software antivírus por razões de segurança nacional. Em nota, a empresa diz que a medida é "infundada e injustificada" (veja nota na íntegra no fim do texto).

As sanções afetam diversos dirigentes, incluindo o diretor de operações, informou o Departamento do Tesouro em comunicado.

"A ação empreendida hoje contra a direção de Kaspersky Lab ressalta nosso compromisso de garantir a integridade de nosso ciberespaço e de proteger a nossos cidadãos contra as ameaças cibernéticas maliciosas", declarou Brian Nelson, subsecretário do Tesouro para terrorismo e inteligência financeira.

"Os Estados Unidos tomarão medidas quando necessário para responsabilizar quem tente facilitar ou permitir estas atividades", acrescentou.

O porta-voz do Departamento de Estado, Matthew Miller, afirmou, por sua vez, que a empresa está sob "jurisdição, controle ou direção de governo russo, que poderia explorar o acesso privilegiado para obter dados sensíveis".

Isto representa "um risco inaceitável para a segurança nacional dos Estados Unidos ou para a segurança e proteção dos americanos", adicionou.

Um dia antes, o Departamento de Comércio anunciou que proíbe a empresa de cibersegurança com sede em Moscou de fornecer programas antivírus nos Estados Unidos.

A empresa russa tem autorização para realizar determinadas atividades até 29 de setembro, para que os clientes encontrem outras alternativas.

O Kremlin denunciou, nesta sexta, a "concorrência desleal" de Washington.

O software já foi banido das agências federais americanas em 2007.

A multinacional tem escritórios em 31 países e clientes em mais de 200 nações e territórios, segundo o Departamento de Comércio, que afirma que o grupo fornece antivírus e outros produtos e serviços de cibersegurança a mais de 400 milhões de usuários e 270.000 empresas em todo o mundo.

Nota da Kaspersky

A Kaspersky está ciente da decisão do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) do Departamento do Tesouro americano que incluiu membros da liderança da empresa na lista de sanções. A medida atual não afetará a resiliência da organização, uma vez que nem a Kaspersky, nem as suas subsidiárias e nem o seu CEO foram designados pela OFAC.

Consideramos a medida injustificada e infundada, sendo uma continuação das recentes decisões do governo dos EUA baseadas no atual clima geopolítico e em preocupações teóricas, em vez de uma avaliação sobre a integridade dos produtos e serviços da empresa. A Kaspersky e a sua equipe de gestão não possuem nenhum tipo de ligação com qualquer governo e consideramos as alegações citadas pela OFAC como uma especulação, que carece de provas concretas de uma ameaça representada à segurança nacional dos EUA. Nenhum dos membros listados tem relação com as autoridades militares e de inteligência da Rússia ou com os objetivos de inteligência cibernética do governo russo.

Por mais de 26 anos, a Kaspersky tem cumprido sua missão de construir um futuro mais seguro, protegendo mais de um bilhão de dispositivos. A Kaspersky fornece produtos e serviços líderes de mercado para clientes ao redor do mundo para protegê-los de todos os tipos de ameaças cibernéticas, demonstrando repetidamente sua independência de qualquer governo. Além disso, a Kaspersky implementou medidas significativas de transparência sem precedentes em comparação com seus pares da indústria de cibersegurança, com o objetivo de demonstrar seu forte comprometimento com a integridade e confiabilidade.

A Kaspersky continua comprometida em proteger o mundo de ciberameaças. Estamos ansiosos pelo que o futuro reserva e continuaremos a nos defender contra ações que buscam prejudicar injustamente nossa reputação e interesses comerciais.

© Agence France-Presse

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