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Itaú ou Banco do Brasil: em que banco investir para ter renda passiva

Investimentos; ações; empresas; bolsas de valores; Ibovespa; lucro; rendimentos; riqueza; dinheiro - Unsplash
Investimentos; ações; empresas; bolsas de valores; Ibovespa; lucro; rendimentos; riqueza; dinheiro Imagem: Unsplash
do UOL

Colunista do UOL

19/06/2024 04h00

Duas instituições se consolidaram como favoritas do mercado para dividendos: Itaú (ITUB4) e Banco do Brasil (BBAS3).

De um lado, o Itaú se diferencia quando o assunto é eficiência operacional e lucratividade. Embora nos últimos anos tenha pagado dividendos baixos, por conta de inadimplência e investimentos, recentemente o banco elevou seu payout (parcela do lucro destinado a proventos) para 60%, o que animou os investidores.

Por outro lado, o Banco do Brasil já tinha uma tradição de remunerar bem os seus acionistas, mas o risco político pesava sobre a previsibilidade desses proventos. Foi quando, para mostrar mais segurança nas remunerações, o BB lançou um calendário de oito pagamentos por ano trazendo maior clareza aos investidores de como seriam as remunerações. O mercado recebeu com bons olhos esta iniciativa. Além disso, o banco anunciou que trabalharia com um payout de 45%.

Qual é a melhor opção para quem busca renda passiva? Confira a queda de braço.

ITUB4: eficiente e recorrente

O Itaú remunera os seus acionistas todo mês, com R$ 0,018 centavos por ação ordinária (ITUB3) e preferencial (ITUB4). Mas também costuma pagar um valor maior no decorrer do ano, sob a forma de dividendos complementares ou extraordinários, mas sem frequência definida.

Este ano ainda pode haver um pagamento extraordinário, mais para o final do ano. "Isso elevaria o dividend yield da empresa", diz Victor Bueno, sócio e analista da Nord Research.

"Quando a gente olha para a soma dos dividendos mensais e complementares, esperamos que o Itaú distribua entre 50% e 60% do seu lucro na forma de proventos", diz Larissa Quaresma, analista da Empiricus Research. É isso que torna o dividend yield (retorno em dividendos) do Itaú um dos mais atrativos e recorrentes da Bolsa de valores.

O Itaú distribuiu entre 28% e 98% do seu lucro (payout) nos últimos cinco anos, segundo dados da Comdinheiro. Já em 2024, os sinais de recuperação são mais perceptíveis. Até o primeiro trimestre, o Itaú já apresentou um payout de 64,10%, com pagamentos de R$ 1,42 por ação.

O DY pode ser inferior a outros bancos, porque as ações são caras. É o que diz Renato Reis, analista da Blue3 Research. Mas a vantagem do Itaú é que o investidor não ganha apenas com dividendos, mas também com a valorização da ação. Para ele, é um dos exemplos de execução e operação entre os bancos grandes.

Já quando o assunto são riscos, os analistas citam a inadimplência, que poderia aumentar caso os juros continuarem elevados. Mas o Itaú tem diversos segmentos na sua carteira de crédito, como pessoas físicas, micro, pequenas e médias empresas e grandes empresas, além de operação em outros países da América Latina. Segundo Bueno, dentro da carteira de crédito para pessoas físicas, o que impulsiona mais o crescimento é o crédito pessoal. No entanto, Bueno destaca que o Itaú é o que mais tem conseguido controlar o impacto da inadimplência no lucro e na distribuição de dividendos.

Um segundo risco seria uma mudança de estratégia do banco. Foi o que aconteceu em 2021 e 2022, quando optou por fazer mais investimentos em transformação digital e reduzir os proventos.

Bueno, da Nord, espera um yield de 9,5% para as ações ITUB3 e 7,5% para as ações ITUB4 em 2024. Quaresma projeta um dividend yield de 8% para ITUB4, já considerando os proventos extraordinários. Já para 2025, o dividend yield esperado é de 7,8%. Reis é mais conservador e espera um dividend yield de 5% para este ano.

BBAS3: proventos gordos e previsíveis

O Banco do Brasil é a maior instituição financeira do país em gestão de recursos, com mais de 20% do mercado. O banco estatal também é forte no crédito ao agronegócio, com uma participação de mercado de 53,7% no segmento, diz a Guide Investimentos. No crédito consignado, a presença no mercado é de 21%.

Diferentemente do Itaú, o Banco do Brasil é uma empresa de capital misto, ou seja, a União (governo) detém 50% de participação.

Payout de 45% até pelo menos 2025 foi bem recebido. "Existe uma expectativa de aumento do lucro e com o aumento do payout você espera um dividendo bem mais robusto", destaca Rodrigo Medeiros, fundador e analista da Desmistificando Research, que projeta DY de 9% para BBAS3 em 2024.

O histórico do BB é de de remuneração constante, crescimento do lucro e pagamento previsível. De acordo com dados da Comdinheiro, o payout do Banco do Brasil variou entre 31% e 39,87% nos últimos cinco anos.

Os resultados fortes e consolidados são uma das vantagens do investimento, e ações estão com desconto.

"Dentro do segmento bancário brasileiro, o Banco do Brasil deverá ser uma das melhores opções para investidores que buscam renda passiva para 2024 e 2025", afirma Milton Rabelo, analista da VG Research. A recomendação de Rabelo é de compra, com preço-teto de R$ 30,60 e dividend yield estimado de 10% para os próximos 12 meses.

"O Banco do Brasil deve continuar entregando o mesmo nível de qualidade, tamanho de lucratividade e mantendo a estabilidade no retorno sobre o patrimônio líquido (ROE). Pela sua atual política de dividendos vai continuar se destacando", avalia Marco Saravalle, analista CNPI-P e sócio-fundador da MSX Invest.

Já entre os riscos, Rabelo cita uma possível interferência política do governo. Isso pode fazer com que o Banco do Brasil aumente a exposição a empréstimos menos rentáveis e mais arriscados, detratando seus retornos, mas não há indícios de que isso deva acontecer. "A atual gestão do banco chefiada pela CEO Tarciana Medeiros, executiva de carreira da instituição, tem passado muita confiança ao mercado", pontua.

Outro risco é de agravamento da inadimplência no crédito agrícola e efeitos das tragédias do Rio Grande do Sul na companhia. Mas isso não deve ser um grande problema para o Banco do Brasil no médio e longo prazo, diz Max Bohm, estrategista de ações da Nomos, já que a carteira é pulverizada. Bohm também espera um dividend yield de 10% para os próximos 12 meses, com recomendação de compra.

Qual é o queridinho do mercado?

Levantamento de consenso de mercado do TradeMap feito exclusivamente para a coluna mostra que de 10 instituições que acompanham o Banco do Brasil, nove recomendam compra e apenas uma manter a ação. O dividend yield médio estimado para a ação em 2024 é de 9,80%, enquanto o preço-alvo médio chega a R$ 35,84.

Já em relação ao Itaú, de 11 instituições que acompanham o papel, dez recomendavam compra e uma manter. O dividend yield médio estimado para a ação ITUB4 é de 7,41% para 2024. Já o preço-alvo médio para este ano é de R$ 38,82.

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