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EUA: projeto de regularização de imigrantes pode beneficiar campanha de Biden, afirma especialista

18/06/2024 16h16

O presidente americano, Joe Biden, anunciou nesta terça-feira (18) medidas para a regularização de estrangeiros nos Estados Unidos que podem beneficiar centenas de milhares de imigrantes no país. Para especialista entrevistado pela RFI, o projeto deve ter uma repercussão positiva para a campanha do líder democrata.

As mudanças anunciadas beneficiarão estrangeiros que vivem no país há pelo menos dez anos, cerca de 500 mil pessoas, segundo os cálculos da Casa Branca. Além disso, imigrantes casados com americanos, além de seus filhos, poderão obter autorização de residência sem precisar sair dos Estados Unidos. 

As autoridades americanas afirmam que analisarão todos os pedidos, caso a caso. Os aprovados terão três anos para solicitar a residência permanente, período durante o qual poderão continuar vivendo nos Estados Unidos e se qualificar para uma autorização de trabalho de até três anos. Uma vez obtida a residência permanente, também conhecida como "green card", o beneficiário pode solicitar a cidadania.

Para o especialista em política americana Jérôme Viala-Gaudefroy, professor da Sciences Po de Saint-Germain-en-Laye, nos arredores de Paris, a medida pode atrair o voto do eleitorado de origem estrangeira ou sensível à questão da imigração. "Isso pode favorecer o campo de Biden junto a uma parte dos cidadãos que têm imigrantes em sua própria família ou que conhecem pessoas nesse tipo de situação", avalia.

Viala-Gaudefroy estima que o projeto pode até mesmo virar a tendência de voto no Arizona e Nevada, estados-chave da corrida eleitoral americana. As pesquisas de intenção de voto mostram que, atualmente, nos dois estados, Trump está à frente de Biden. 

Aniversário de programa de regularização de estrangeiros

A imigração é um dos temas que mais mobilizam o eleitorado americano nesta campanha. O ex-presidente, Donald Trump, promete acabar com o "Daca", célebre programa de regularização de estrangeiros - os "dreamers" - durante o governo de Barack Obama, que completou 12 anos em 2024.

A equipe de campanha do presidente Biden divulgou recentemente um vídeo comemorando o aniversário do "Daca" em que beneficiários deste célebre programa atacam, em inglês e em espanhol, o posicionamento anti-imigração de Trump.

Compra de votos

O professor da Sciences Po de Saint-Germain-en-Laye destaca uma proposta inédita e extremamente polêmica do líder republicano: a expulsão de todos os estrangeiros em situação ilegal nos Estados Unidos. "O problema é que boa parte dessas pessoas estão nos Estados Unidos há muitos anos. Vários chegaram quando crianças ao país, junto com os pais, de forma clandestina", salienta. 

Ao mesmo tempo em que Trump mantém a promessa, a oposição ao governo, percebendo a repercussão positiva do novo projeto de Biden, acusa o presidente de "compra votos". É o caso do deputado Josh Brecheen, de Oklahoma, que escreveu na rede social X: "Com uma canetada, o presidente Biden está agora protegendo 550 mil estrangeiros ilegais da deportação. Tudo em um esforço para apaziguar suas famílias na esperança de garantir seus votos nas próximas eleições".

Viala-Gaudefroy lembra que o eleitorado mais conservador acredita na necessidade do endurecimento das políticas de imigração. Não é à toa que o próprio presidente americano assinou neste mês um decreto que restringe a entrada de migrantes pela fronteira com o México.

No entanto, o especialista, aponta que as medidas anunciadas nesta terça-feira agradam também um setor da sociedade americana que não é nem republicano e nem democrata. "Entre esses, há uma visão que é muito mais dura às entradas ilegais, mas favorável à possibilidade de regularização dos 'dreamers', para permitir que eles se tornem cidadãos e, sobretudo, para obter um status que os permita trabalhar", avalia. 

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