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Após morte de jovem em SP, relatos de golpes em apps repercutem nas redes

Leonardo Rodrigues Nunes, 24 anos, morreu após marcar um encontro amoroso em um aplicativo de relacionamento em São Paulo - Reprodução/Redes sociais
Leonardo Rodrigues Nunes, 24 anos, morreu após marcar um encontro amoroso em um aplicativo de relacionamento em São Paulo Imagem: Reprodução/Redes sociais
do UOL

Do UOL, em São Paulo

17/06/2024 19h58Atualizada em 17/06/2024 22h40

Após a morte de Leonardo Rodrigues Nunes, que teria sido atraído por criminosos por meio de um app de relacionamento gay na semana passada, relatos de outros homens repercutiram nas redes sociais. Ao menos três denunciaram a atuação de suspeitos que estariam agindo na região do Sacomã, zona sul de São Paulo.

O que aconteceu

O publicitário Hilário Junior, de 40 anos, é um deles. Ao UOL, ele contou que já havia feito um alerta para a comunidade LGBTQIA+ em março, após suspeitar que a pessoa que se comunicava com ele por meio de um app era um criminoso.

"Eu fiquei dando corda, corda, corda, até chegar em um ponto em que eu descobri que tratava-se de um golpe, contou Hilário. Ele insistia para me mandar um Uber, me buscar. O mesmo modus operandi. Ele manda te buscar que é para ficar te monitorando e não aceita aparecer em vídeo", acrescentou.

O endereço enviado pelo suspeito a Hilário fica a 1,6 km de distância de onde Leonardo foi encontrado morto. "Eu fiz uma busca reversa no Google com a foto dele e encontrei [a origem]", completou. Um boletim de ocorrência foi registrado na delegacia da Mooca.

Para o publicitário, as plataformas deveriam oferecer mais segurança aos usuários. "Os aplicativos lucram milhões com a comunidade e eles não têm nenhum tipo de segurança ou dispositivo para barrar esse tipo de ação. Eu denunciei o perfil fake em março. E o perfil continua usando a mesma foto. Só troca de nome", protestou.

O UOL questionou a SSP (Secretaria da Segurança Pública) se havia indícios da atuação de uma quadrilha que estaria atraindo homossexuais para emboscadas por meio de aplicativos como o Grindr e o Hornet, mas não obteve resposta. A reportagem também enviou e-mail para a DHPP, mas sem retorno até o momento.

A reportagem enviou pedido para posicionamento para o Hornet e o Grindr, por e-mail, mas não houve resposta.

No caso de Leonardo Rodrigues Nunes, a investigação aponta para atuação de uma dupla. O rapaz teria marcado encontro com um homem através do Hornet. Ele saiu de casa, no Cambuci, por volta das 23h. Deveria ter voltado às 2h. Como não retornou, amigos registraram um boletim de ocorrência.

O Leonardo foi atraído por uma pessoa, de um perfil que já foi apagado, de um aplicativo de nome Hornet. O amigo veio aqui fazer um boletim de ocorrência no dia 13 pela manhã sobre o desaparecimento do Leonardo. E a equipe já começa uma investigação. Ele nem chegou ali [ao local de encontro]. Ele sai do carro de aplicativo e já há dois indivíduos de moto, que se aproximam e já começam a atirar nele. Tanto é que ele foi socorrido não só no Hospital do Ipiranga, como ele vai para o IML como desconhecido. Levaram tudo dele. Não tinha celular, documentos, não tinha nada.
Ivalda Aleixo, diretora do DHPP, ao Brasil Urgente

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