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Chefe da Otan defende 'mais armas para a Ucrânia' e que China 'pague' por apoio à Rússia

17/06/2024 16h07

O secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, pediu, nesta segunda-feira (17), em Washington, mais armas para a Ucrânia e que a China assuma as consequências de seu apoio à Rússia, além de saudar o maior aumento de gastos militares da aliança "em décadas".

Stoltenberg disse que "23 (países) aliados vão gastar este ano 2% ou mais de seu PIB em defesa", limite mínimo fixado pela aliança militar ocidental, que tem 32 membros.

Ele deu estas declarações no Salão Oval da Casa Branca, antes de se reunir com o presidente americano, Joe Biden. Afirmou, ainda, que os países-membros da Otan "aumentam seu gasto militar em 18% este ano. É o maior aumento em décadas", motivado em grande parte pela invasão russa da Ucrânia, em fevereiro de 2022.

É "um recorde", comemorou Biden.

Seu antecessor republicano e adversário nas eleições presidenciais de novembro, Donald Trump, semeou o pânico na Europa em fevereiro, ao ameaçar parar de garantir a proteção dos países da Otan contra a Rússia caso não paguem o suficiente para sua defesa.

Stoltenberg, que deixará o cargo à frente da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em outubro, chegou à capital americana para acertar os detalhes da próxima cúpula da aliança, que será realizada em Washington entre 9 e 11 de julho por ocasião dos 75 anos de sua criação.

Em seu discurso, ele criticou a China e incentivou a Otan a fornecer mais armas à Ucrânia.

"Pode parecer um paradoxo, mas o caminho para a paz é dar mais armas à Ucrânia", disse o chefe da Otan no Wilson Center, centro de estudos em Washington.

- "Consequências" para a China -

Stoltenberg afirmou também que o presidente chinês, Xi Jinping, "tenta passar a impressão de que neste conflito está sentado no banco de trás, para assim evitar sanções e manter o comércio funcionando".

"Mas a realidade é que a China está alimentando o maior conflito armado na Europa desde a Segunda Guerra Mundial e, ao mesmo tempo, quer manter boas relações com o Ocidente", declarou.

"Pequim não pode ter ambos. Em algum momento - e a menos que a China mude seu rumo - os aliados devem fazê-la pagar um preço. Deveria haver consequências", disse o chefe da Aliança Atlântica.

A Otan, liderada pelos Estados Unidos, critica a ajuda à campanha militar russa dada pela China e suas empresas, que fornecem componentes e equipamentos para a reconstrução e a manutenção do setor de defesa de Moscou.

Pequim sustenta que não oferece apoio armamentista à Rússia.

Os Estados Unidos já impuseram sanções a empresas chinesas e o porta-voz do Departamento de Estado, Matthew Miller, disse, nesta segunda, que haverá "novas medidas" se a China não voltar atrás.

Stoltenberg também criticou a visita do presidente russo, Vladimir Putin, a Pyongyang nestas terça e quarta-feira.

"Isto demonstra o quão dependentes o presidente Putin e Moscou são agora de países autoritários em todo o mundo", disse ele à imprensa em Washington, citando Coreia do Norte, Irã e China.

Citando um número mencionado pela inteligência sul-coreana, afirmou, ainda, que Pyongyang já entregou um milhão de projéteis à Rússia.

"Este fluxo de armas continua. Nós os vemos carregando vagões e depois cruzando a fronteira entre a Coreia do Norte e a Rússia", completou.

A Rússia é membro com direito a veto do Conselho de Segurança da ONU, que impôs sanções à Coreia do Norte por seus programas nuclear e de mísseis.

O secretário-geral da Aliança também insistiu no fato de que a Otan se encarregará do apoio militar ocidental à Ucrânia, gerenciado até agora por Washington, para ancorá-lo mais a longo prazo faltando menos de cinco meses para as eleições presidenciais americanas.

Segundo diplomatas da Otan, seu objetivo é garantir que uma possível vitória de Trump, que diz querer pôr fim à guerra, não vá deter o fluxo de ajuda militar à Ucrânia.

Stoltenberg também comemorou o acordo alcançado durante a cúpula do G7, realizada na Itália, para conceder à Ucrânia um empréstimo de US$ 50 bilhões (cerca de R$ 270 bilhões), financiado com ativos russos congelados.

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© Agence France-Presse

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