Topo
Notícias

Irã e Suécia trocam prisioneiros, mas oito europeus ainda estão detidos em Teerã

15/06/2024 12h13

A República Islâmica do Irã ainda mantém detidos oito cidadãos europeus após a troca de prisioneiros realizada neste sábado (15). Um diplomata sueco da União Europeia detido por Teerã e um alto funcionário iraniano preso na Suécia foram libertados.

Os prisioneiros libertados regressam aos seus países nesta tarde, via Mascate, capital de Omã, que serviu de intermediário nas negociações entre Estocolmo e Teerã.

A Suécia anunciou a libertação de Johan Floderus, um diplomata da UE detido no Irã desde abril de 2022, acusado de espionagem e que enfrenta uma possível pena de morte, e de Saeed Azizi, detido em novembro de 2023.

Eles estão voltando "e finalmente se reunirão com seus entes queridos", disse o primeiro-ministro sueco, Ulf Kristersson.

Ele não revelou as condições da troca, mas descreveu as decisões tomadas por seu país como "difíceis", enquanto Teerã fez de Floderus e Azizi "peões em um jogo de negociação cínico, com o objetivo de libertar o cidadão iraniano Hamid Noury ??preso na Suécia".

Já o Irã anunciou que este último, um antigo alto funcionário da administração penitenciária, regressaria ao seu país no final da tarde.

"Hamid Noury, detido ilegalmente na Suécia desde 2019, está livre e regressará dentro de algumas horas", afirmou o chefe do Conselho Superior iraniano para os Direitos Humanos, Kazem Gharibabadi.

O iraniano, de 63 anos, foi preso em 2019 em Estocolmo e depois condenado à prisão perpétua pelo sua atuação nas execuções em massa de opositores ordenadas por Teerã em 1988.

Relações tensas

As relações entre o Irã e a Suécia ficaram tensas no início de junho, quando os serviços de inteligência suecos alegaram que o Irã recrutou membros de gangues suecas para realizar "atos de violência", especialmente contra os interesses israelenses no país, o que Teerã nega.

A troca de prisioneiros ocorre duas semanas antes das eleições presidenciais no Irã, organizadas após a morte do presidente Ebraim Raisi num acidente de helicóptero em 19 de maio.

Apesar da troca realizada hoje, oito europeus seguem presos no Irã, que afirma que estas pessoas estão detidas por ordem judicial. Os seus apoiadores proclamam a sua inocência e as ONGs os consideram como "reféns" usados ??por Teerã para obter a libertação dos iranianos detidos no exterior.

França

Uma professora de francês, Cécile Kohler, e o seu companheiro, Jacques Paris, foram presos em maio de 2022 por "espionagem" enquanto passeavam no Irã. Em setembro de 2023, a Justiça iraniana anunciou que a investigação contra eles tinha sido concluída, abrindo caminho para um possível julgamento.

Outro francês, chamado Olivier, cujo sobrenome não foi divulgado, está detido no Irã desde outubro de 2022, mas as circunstâncias da sua prisão permanecem desconhecidas.

Suécia

Ahmadreza Djalali, um acadêmico iraniano-sueco, foi preso durante uma visita ao Irã em abril de 2016 e condenado à morte em 2017 por "espionagem" para Israel. Ele ainda corre o risco de ser executado.

Um sueco, de cerca de vinte anos, também está detido no Irã desde "o início de janeiro", segundo o ministério das Relações Exteriores sueco, embora os meios de comunicação do país afirmem que se trata de um homem procurado devido a um mandado internacional.

 Alemanha

Cidadã com dupla nacionalidade alemã e iraniana, Nahid Taghavi foi detida em outubro de 2020 e condenada em agosto de 2021 a dez anos e oito meses de prisão por "pertencimento a um grupo ilegal" e "propaganda contra o regime", segundo a sua filha.

Jamshid Sharmahd, um dissidente iraniano-alemão, foi preso em agosto de 2020. No final de abril de 2023, o Supremo Tribunal iraniano manteve a sua sentença de morte pelo seu alegado envolvimento num ataque a uma mesquita perpetrado em 2008, que deixou 14 mortos.

Reino Unido

Mehran Raoof, um ativista iraniano-britânico dos direitos humanos, foi preso em outubro de 2020 e condenado a dez anos e oito meses de prisão em agosto de 2021, segundo a Anistia Internacional.

Áustria

Um austríaco cuja identidade não foi revelada também está detido por razões ainda desconhecidas.

(Com AFP)

Notícias