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Justiça argentina congela bens de líder de esquerda após denúncia do governo

Javier Milei, presidente da Argentina - Agustin Marcarian - 2.abr.2024/Reuters
Javier Milei, presidente da Argentina Imagem: Agustin Marcarian - 2.abr.2024/Reuters

29/05/2024 19h52

A justiça argentina ordenou nesta quarta-feira (29) o congelamento dos bens de um líder social de esquerda investigado por suposta fraude e desvio de assistência social, em uma ofensiva do governo contra o que descreve como "negócio da pobreza".

Um juiz federal solicitou o bloqueio dos bens de Eduardo Belliboni, 64 anos, figura emblemática da esquerda argentina e líder do Polo Obrero, movimento social trotskista que há meses comanda as manifestações contra o governo ultraliberal de Javier Milei, mas também protestava contra o anterior governo peronista (centro-esquerda).

Belliboni foi intimado pela justiça na segunda-feira e comparecerá em junho perante o magistrado federal Sebastián Casanello, juntamente com vinte líderes de cozinhas comunitárias e movimentos sociais que muitas vezes são gestores de programas de ajuda pública, em um país onde metade da população vive na pobreza.

A intimação ocorreu após a realização de uma série de buscas em meados de maio, em linha com a intenção do governo de "auditar" a assistência social e seus supostos abusos. Em particular, o governo alega que 47% das cozinhas comunitárias registradas para receber ajuda eram "fantasmas" ou não identificáveis.

No caso do Polo Obrero, documentos apresentados em juízo pelos serviços governamentais afirmam que apenas 30% dos 360 milhões de pesos (R$ 2 milhões) administrados pela organização entre 2020 e 2023, no âmbito do programa de ajuda social "Potenciar Trabajo", foram devidamente justificados.

Em comunicado divulgado nesta quarta-feira, o Polo Obrero afirmou que os recursos "foram integralmente entregues ao Ministério do Desenvolvimento Social, no âmbito dos programas para os quais foram atribuídos".

"Eles são cruéis contra organizações independentes e combativas", afirma o documento, que denuncia uma "política persecutória" por parte do governo de Milei.

"Não temos nada a esconder", disse Belliboni, considerando que o caso é "uma cortina de fumaça para esconder que a economia está em colapso" e que milhares de empregos são perdidos todos os dias.

O severo programa de austeridade implementado pelo governo de Milei desde dezembro tem desacelerado a inflação crônica (acumula 65% desde o início de 2024), mas a recessão vem aumentando e houve uma contração de 5,3% da economia no primeiro trimestre deste ano.

Belliboni afirmou que vai aproveitar seu depoimento ao juiz para denunciar a imobilização pelas autoridades de 5 mil toneladas de ajuda alimentar que estão estocadas em armazéns há meses.

O mesmo juiz Casanello ordenou na segunda-feira a distribuição imediata destes alimentos, mas o governo, que interpôs recurso, afirma que se trata de "reservas dedicadas a emergências e catástrofes".

Nesta quarta-feira, uma manifestação foi realizada em frente a um dos depósitos, em Villa Martelli, no subúrbio de Buenos Aires.

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