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'Abri loja, veio a enchente e decidi doar todo o estoque para as vítimas'

Mateus e Vanessa decidiram usar estoque de roupa como doação - Arquivo pessoal
Mateus e Vanessa decidiram usar estoque de roupa como doação Imagem: Arquivo pessoal
do UOL

do UOL, em São Paulo

29/05/2024 04h00

O empreendedor de Garibaldi (RS) Mateus Valente, 24, conseguiu realizar seu sonho de abrir uma loja de roupas, a WV Store, uma semana antes de as enchentes destruírem boa parte do Rio Grande do Sul. Salvo dos alagamentos, ele resolveu tomar uma outra atitude: doar todas as roupas que tinha em estoque para quem estava precisando.

Ao UOL, ele conta sua história.

'Era a hora de retribuir'

A loja começou fazendo sucesso. "Fiz um empréstimo no banco, comprei algumas peças e, graças a Deus, foi um sucesso desde o começo. O dinheiro que ganhei com a venda dessas primeiras peças reinvesti na loja, comprando roupas de frio."

As enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul não chegaram à loja de Mateus, mas deixaram várias pessoas da região sem casas e roupas. "Conversei com a minha esposa [Vanessa Cardoso, 22] e disse que era a hora de retribuir. Decidimos doar tudo o que tínhamos em estoque."

@mateuswv Vamos doar todo nosso estoque de roupas #fazerobemsemolharaquem #riograndedosul @Vanessa Cardoso @Wv Store ? Deixa (Versão Acústica) - Maria Marçal

O casal registrou a decisão no TikTok e foi até a cidade de Muçum, onde mora a mãe de Vanessa, para fazer as entregas. "Já tínhamos ido ajudar nas enchentes do ano passado. É muito triste. Fizemos comida e demos nosso suor. Dessa vez, tínhamos recursos para ajudar", diz Valente.

O casal sabia que muitas doações estavam chegando em péssimo estado, o que foi um incentivo extra para levar as roupas novas. O total do investimento doado foi R$ 3.890, e duas pessoas ajudaram Valente na iniciativa. Ele arrecadou cerca de R$ 800 para conseguir pagar a parcela do empréstimo.

Entrega em mãos

Valente e sua mulher não quiseram levar as roupas a abrigos. Decidiram ajudar as pessoas pessoalmente, fazendo entregas em mãos, para garantir que a roupa realmente chegaria àqueles que precisavam.

Perguntei para a minha sogra, que mora na cidade, quais pessoas estavam passando dificuldades. Fomos às casas pessoalmente. Embalamos uma camiseta com um moletom para cada pessoa.
Mateus Valente

Valente diz que não era muito, mas que poderia ajudar quem não tinha nada —ainda mais com as temperaturas tão baixas. Ele chegou a se emocionar em uma das entregas. "As pessoas ficaram felizes e tinha um senhorzinho que chorei entregando e depois chorei novamente editando o vídeo. Era uma peça simples, mas que fazia muita diferença. Queria conseguir ajudá-lo mais."

O dinheiro nem passou pela minha cabeça. Só pensei em ajudar as pessoas. Somos muito abençoados e a gente vai conseguir se reerguer. Lá na frente vou conseguir esse dinheiro de novo.
Mateus Valente

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