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Iztapalapa, o 'coração' da disputa eleitoral pela Cidade do México

21/05/2024 10h29

Uma infinidade de casas coloridas se estende até onde a vista alcança. Populosa, insegura e pobre, Iztapalapa será crucial para que a esquerda mantenha o poder na Cidade do México.

As pesquisas preveem uma disputa acirrada com a oposição conservadora em 2 de junho, quando o novo presidente mexicano também será eleito. 

Santiago Taboada, de uma coalizão integrada pelos partidos PRI, PAN e PRD; e Clara Brugada, candidata do Morena, o partido do mandatário Andrés Manuel López Obrador, são os favoritas na disputa. 

Com 1,5 milhão de eleitores, Iztapalapa, um dos 16 bairros da capital, é um microcosmo do México que pode ser decisivo. Desde 1997, quando o chefe de governo da capital começou a ser eleito pelo voto popular, a esquerda sempre venceu. 

Para ampliar a hegemonia, Brugada apela aos projetos sociais que desenvolveu durante três mandatos (entre 2009 e 2024) no comando do distrito mais populoso da Cidade do México. 

"Iztapalapa tem o coração do Morena", diz à AFP Antonieta García, de 56 anos, enquanto prepara tacos na central de abastecimento, considerada uma das maiores da América Latina. 

"Essa mãe solteira afirma ter visto como o distrito se transformou nos últimos anos com "museus", transporte público e "muita ajuda" como os subsídios que lhe permitiram criar quatro filhos. 

Claudia Sheinbaum, do Morena, é a favorita para se tornar a primeira presidente do México. Mas se perder a capital, que ela mesma governou entre 2018 e 2021, seria uma vitória com gosto amargo para a esquerda, que chegou à presidência pela primeira vez com López Obrador em 2018. 

Germán Ramírez (71) reclama dos péssimos serviços públicos, infraestrutura e segurança que o levarão a votar pela "mudança". 

"Os governos passados prometiam e prometiam e nunca faziam nada", explica o eletricista ao lado de sua bicicleta em um comício de Taboada em Iztapalapa. 

Em entrevista à AFP, Brugada disse que confia em sua gestão em Iztapalapa para selar a vitória: "Essa cidade é progressista, essa cidade tem o coração colocado à esquerda e (...) o sentimento é de que siga sendo uma cidade de direitos, de liberdades, não de retrocessos, afirmou. 

Com uma taxa de pobreza de 44% e altos índices de homicídios e roubos, uma parte de Iztapalapa considera que os problemas básicos não foram resolvidos pela esquerda.

"A velha política não nos interessa, pois trazem ideias muito arrraigadas", assegura o comerciante Uriel Ramírez (31), para quem Taboada representa melhor "os jovens". 

A Cidade do México "se tornou um dos palcos mais importantes da disputa, não apenas pelo que traz em matéria eleitoral", mas também porque na capital "também se disputa uma enorme parte do bolo" econômico, explica o analista Gustavo Urbina, do Colegio de México. 

Nas ruas sem pavimentação, a professora Ana Venegas (30) vende sorvete em seu tempo livre para sobreviver. 

Com frequência, ela teme não chegar "segura", pois já foi "vítima de crime" no segundo município com maior número de crimes em abril (2.626). 

Mas ela reconhece que "houve uma mudança, não muita, mas sim (...) a preocupação já não é tão grande".

st-lv/axm/nn/dd 

© Agence France-Presse

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