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Sobe para 39 o número de mortes em ação da PM na Baixada Santista

Moradores foram ontem ao enterro de um dos mortos em ação da PM em São Vicente (SP) - Herculano Barreto Filho/UOL
Moradores foram ontem ao enterro de um dos mortos em ação da PM em São Vicente (SP) Imagem: Herculano Barreto Filho/UOL
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Do UOL, em Santos (SP)

01/03/2024 09h03Atualizada em 01/03/2024 10h30

Com a confirmação ontem da morte do quinto baleado na última terça (27) em São Vicente, sobe para 39 o número de mortes na ação da PM na Baixada Santista, a mais letal das forças de segurança desde o massacre do Carandiru.

O que aconteceu

Baleado estava internado. Atingido por um tiro no rosto na ação policial no Jardim Rio Branco, o jovem de 24 anos estava internado no Pronto Socorro Vicentino. A identidade dele ainda não foi confirmada.

Cinco mortos na mesma ação. Com isso, chega a cinco o número de mortes na mesma ação. Dois deles eram adolescentes: Kauê Henrique Diniz Batista e Marcus Vinicius de Lima, ambos com 17 anos. Também morreram na ação Luiz Henrique Alves de Lima, 18, e Peterson Xavier Nogueira, 32.

O que diz a SSP. A Secretaria da Segurança Pública confirmou a morte e disse que a ação ocorreu após confronto entre os suspeitos e a polícia. Disse ainda que a PM apreendeu armas e drogas no local, versão contestada por testemunhas, que alegam que as vítimas estavam desarmadas. "Todos os casos de mortes em confronto são rigorosamente investigados pela Polícia Civil e Militar, com acompanhamento do Ministério Público e do Poder Judiciário", diz a nota.

"Cheiro de morte e "chacina", dizem moradores. O UOL esteve na cena do crime. Moradores dizem que há "cheiro de morte" no local onde ocorreu a ação policial. "O que a PM fez aqui foi uma chacina"", disse um deles. "A PM veio para matar", falou outro.

Ação policial com 4 mortes em São Vicente (SP) deixou rastro de sangue em área de mata - Herculano Barreto Filho/UOL - Herculano Barreto Filho/UOL
Ação policial com 4 mortes em São Vicente (SP) deixou rastro de sangue em área de mata
Imagem: Herculano Barreto Filho/UOL

Vestígios em cena do crime. A reportagem percorreu o trecho de 150 m em uma área de mangue de vegetação fechada no Jardim Rio Branco. Ali, havia rastros de sangue, ao menos 15 cápsulas de fuzil, pegadas possivelmente deixadas pelos policiais militares que participaram da ação e luvas.

Ponto do tráfico. Os mortos na ação da PM são apontados como suspeitos de vender drogas logo na entrada dessa área. A região fica a um quarteirão da rua Dezenove, uma das principais do bairro, asfaltada e composta por casas simples. Embora reconheçam a existência do tráfico ali, moradores dizem que nunca viram pessoas armadas ou tiroteios.

Denúncias de violações de direitos humanos. Organizações da sociedade elaboraram um documento com denúncias de casos de tortura, assassinatos, socorro dificultado e mudança na cena do crime nas ações na Baixada Santista, em documento encaminhado ao Ministério Público apontando "falhas graves da polícia" durante a ação.

"Quem confrontar, vai se dar mal", diz governador de São Paulo. Tarcísio de Freitas (Republicanos) defendeu ontem a operação policial na Baixada Santista, mesmo diante das críticas. "A gente não quer o confronto. Mas a polícia está preparada para o confronto. E quem confrontar, vai se dar mal", disse.

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