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1 mês

Ataque de Israel contra multidão em Gaza é criticado por vários países no mundo

Reuters

01/03/2024 10h31

França e Alemanha se juntaram aos apelos hoje por um inquérito independente sobre a morte de dezenas de palestinos que aguardavam ajuda em Gaza, um incidente que, segundo a mídia israelense, pode enfraquecer a posição internacional de Israel depois que as tropas dispararam contra a multidão.

Autoridades de saúde de Gaza disseram que as forças israelenses mataram mais de 100 palestinos que tentavam chegar a um comboio de ajuda humanitária perto da Cidade de Gaza na quinta-feira.

Israel atribuiu a maior parte das mortes às pessoas que se aglomeraram em torno dos caminhões de ajuda, dizendo que as vítimas foram pisoteadas ou atropeladas. Uma autoridade israelense também afirmou que as tropas haviam "em uma resposta limitada" disparado posteriormente contra pessoas que consideravam uma ameaça.

O incidente ressaltou a profundidade da crise humanitária e o colapso das entregas ordenadas de ajuda em áreas do norte de Gaza ocupadas pelas forças israelenses como parte de sua resposta ao ataque mortal a Israel pelo grupo militante palestino Hamas em 7 de outubro.

O presidente francês, Emmanuel Macron, expressou "profunda indignação" e a "mais forte condenação desses ataques a tiros". Seu ministro das Relações Exteriores, Stéphane Séjourné, disse que Paris apoiaria uma investigação independente solicitada pelo secretário-geral da ONU, António Guterres.

A ministra das Relações Exteriores da Alemanha, Annalena Baerbock, afirmou que "o Exército israelense precisa explicar completamente como o pânico em massa e o tiroteio podem ter acontecido".

O aliado mais próximo de Israel, Estados Unidos, também pediu uma investigação completa, dizendo que o incidente mostra a necessidade de "expandir a ajuda humanitária em Gaza".

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil afirmou nesta sexta-feira que a morte de pessoas que buscavam ajuda humanitária em Gaza foi um "massacre" e que a comunidade internacional precisa "dar um basta" já que, segundo a pasta, o governo do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, mostrou que "não tem qualquer limite ético ou legal".

Em Israel, um artigo de opinião no site de notícias online N12 disse que o incidente ressaltou a falta de qualquer administração civil ou estado de direito em Gaza, e que isso "pode colocar Israel em uma posição difícil em termos de legitimidade para continuar a luta".

Um colunista do maior jornal diário Yedioth Ahronoth declarou que, independentemente do que aconteceu na entrega da ajuda, a imagem que o mundo reteria seria a de centenas de pessoas "famintas e desesperadas", incluindo mulheres e crianças, atacando a comida e sendo alvejadas por soldados israelenses.

"Alguns acham que esse incidente criará um ponto de virada na guerra... exercerá uma pressão internacional que Israel não conseguirá suportar, inclusive por parte da Casa Branca", disse.

A guerra começou em 7 de outubro, quando combatentes do Hamas invadiram Israel a partir de Gaza, matando 1.200 pessoas e fazendo 253 reféns, de acordo com os registros israelenses.

Desde então, a campanha militar israelense já matou mais de 30.000 palestinos em Gaza, segundo as autoridades de saúde do enclave governado pelo Hamas.

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