Topo
Notícias

Qual é a história do parque Playcenter, que foi comprado pela Cacau Show

Playcenter - Divulgação
Playcenter Imagem: Divulgação
do UOL

Gabriela Bulhões

Colaboração para o UOL, em São Paulo

25/02/2024 04h00

A Cacau Show comprou todas as marcas e ativos do Grupo Playcenter. O objetivo é unir a venda de chocolates com o entretenimento, já que, por quase 40 anos, o parque de diversões foi o sonho de consumo de muitas pessoas. O grupo ainda tem operações menores, em shoppings. Mas qual é a história do parque Playcenter, fechado há 12 anos?

Diversão e chocolate

A compra foi informada na terça-feira (20) e o valor do negócio não foi divulgado. Alexandre Costa, fundador e CEO da Cacau Show, deu a notícia através de um vídeo nas redes sociais. A empresa completa 35 anos, tem mais de 4.200 lojas espalhadas pelo Brasil e agora a ideia é direcionar mais para o "show", envolvendo o chocolate em novos ramos.

Decisão da venda do Grupo Playcenter para a Cacau Show foi exclusiva. Se deu por conta da identificação de propósitos e valores compartilhados entre as duas empresas.

Fundador do Grupo Playcenter, Marcelo Gutglas enxerga como uma oportunidade de dar continuidade ao legado. A venda para a empresa de chocolates seria ideal para seguir com o pioneirismo no segmento de parques de diversões do Brasil, disse em nota.

Transação será submetida à aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Para Costa, se trata de um passo significativo na jornada da marca, e estão sendo avaliadas formas de unir as duas operações. A aquisição do grupo pode trazer de volta o tradicional parque de diversões.

Ao longo do tempo, percebi em Alê Costa uma conexão especial em relação à visão de negócios e ao compromisso em proporcionar experiências memoráveis.
Marcelo Gutglas, fundador do Grupo Playcenter, em nota

Febre entre os brasileiros

Playcenter, nos anos 1980 - Playcenter/Divulgação - Playcenter/Divulgação
Playcenter, nos anos 1980
Imagem: Playcenter/Divulgação

Playcenter foi um parque de diversões que fez sucesso no Brasil por quase quatro décadas. Inaugurado em 27 de julho de 1973, foi o primeiro grande parque de São Paulo. Localizado às margens da Marginal Tietê, chegou a receber cerca de 1,6 milhão de pessoas todos os anos e chamou a atenção por brinquedos inéditos no país como a montanha-russa Super Jet, o Carrossel, o Twister, a Maria Fumaça e a Casa do Monstro.

Além das atrações, o local contava com uma lanchonete na cobertura. Nesse espaço, também havia lojas de souvenires, bijuterias, pesca eletrônica, pistola d'água, fliperama e cabine de som.

Com o slogan "Playcenter, o lugar onde todos se divertem", o parque abraçou as comemorações. Shows internacionais, apresentações de samba no Carnaval, evento da Semana do Trabalhador e o lançamento do filme King Kong foram alguns momentos organizados pela empresa. Bananas de Pijamas, Sítio do Pica-Pau Amarelo e a dupla Et & Rodolfo eram nomes populares em eventos. O Playcenter focava em produzir entretenimento infantil, mas também pensava em como atrair os adultos com promoções e shows. A nostalgia é tanta, que em seu site oficial, há uma galeria de postagens de várias pessoas aproveitando o parque.

Problemas administrativo e crise financeira

Vista do Playcenter, em 2010 - Playcenter/Divulgação - Playcenter/Divulgação
Vista do Playcenter, em 2010
Imagem: Playcenter/Divulgação

Acidentes contribuíram para mudar o rumo da história. Um deles foi em 2011, quando três pessoas se machucaram, duas feridas no Double Shock e uma na montanha-russa Looping Star. Nenhuma recebeu indenização, apenas o atendimento hospitalar bancado pela empresa.

A empresa acumulou uma dívida alta. A GP Investments, que detinha 50% das participações do Playcenter, parou de investir mesmo após assumir o controle da empresa por um tempo.

Com as falhas, reestruturar o parque era um desafio nada barato. A necessidade de novas atrações, mudança na logística do espaço e exigências para renovação anual do alvará foram empecilhos para manter o negócio de pé.

Fim de uma era

Em 2012, o parque fechou as portas e hoje há prédios comerciais no lugar. A despedida foi em um domingo com emoção dos funcionários, que decoraram a portaria com balões, e alguns visitantes deixaram o local sob lágrimas. No último dia de funcionamento, o Playcenter teve filas em quase todos os brinquedos. Quem chegava recebia um bottom com os dizeres "curti até o último dia". Somando sexta, sábado e domingo, mais de 30 mil visitantes foram ao parque.

Depois, as atrações do parque ganharam um novo lar. Algumas estão no Animália Park, um localizado em Cotia (SP), o Splash e o barco Viking, por exemplo. Outros foram para o Parque da Criança, em São Bernardo do Campo.

O show tem que continuar

Playcenter Family, em janeiro de 2020 - Playcenter/Divulgação - Playcenter/Divulgação
Playcenter Family, em janeiro de 2020
Imagem: Playcenter/Divulgação

A empresa seguiu suas operações de uma maneira diferente. Manteve os Playlands e o Playcenter Family, um mini parques de diversões para a família, em shoppings centers.

O Playcenter Family fica localizado no shopping Aricanduva, em São Paulo, e funciona como um parque, mas menor. Conta com teatro, brinquedos, espaço para festas de aniversário e eventos para toda a família.

Os Playlands existem desde a década de 1980, antes do grande parque fechar. São espaços dentro de shoppings com atrações seguras como simuladores e carrosséis. Há unidades na Bahia (shopping da Bahia) e em São Paulo (shopping Eldorado, shopping Interlagos, shopping Center Norte, shopping União, shopping Grand Plaza e shopping Tatuapé).

Notícias