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Enquanto Rafah se prepara para ataque terrestre israelense, Biden diz "cessar-fogo" com mais frequência

21/02/2024 08h19

Por Steve Holland, Michelle Nichols, Humeyra Pamuk e David Brunnstrom

WASHINGTON, 21 Fev (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, passou meses defendendo uma "pausa" nos combates entre Israel e o Hamas em Gaza. Mas com Israel se preparando para uma ofensiva terrestre em Rafah, sua retórica está mudando para enfatizar a necessidade de um "cessar-fogo temporário".

Parece uma pequena diferença retórica, mas é uma diferença que aproxima Biden de muitas pessoas ao redor do mundo e dos críticos de seu próprio Partido Democrata, que querem um cessar-fogo permanente para uma guerra na qual quase 30.000 palestinos foram mortos.

Os EUA vetaram três projetos de resolução do Conselho de Segurança da ONU sobre a guerra entre Israel e Hamas. Os dois vetos mais recentes bloquearam o texto que exigia um cessar-fogo humanitário imediato. Mas Washington propôs agora seu próprio projeto de resolução que consagra a palavra "cessar-fogo".

O esboço pede um cessar-fogo temporário na guerra entre Israel e Hamas ligado à libertação de reféns mantidos pelo Hamas, e se opõe a uma grande ofensiva terrestre de seu aliado Israel em Rafah, de acordo com o texto visto pela Reuters.

A embaixadora dos EUA nas Nações Unidas, Linda Thomas-Greenfield, negou qualquer mudança intencional na linguagem

"Isso reflete o que temos feito o tempo todo", disse ela a repórteres na terça-feira.

Até o esboço da proposta, Washington havia evitado a palavra cessar-fogo em relação a qualquer ação da ONU sobre a guerra entre Israel e Hamas. O novo texto dos EUA ecoa a linguagem que Biden usou publicamente este mês sobre a situação.

"Estou pressionando muito agora para abordar esse cessar-fogo de reféns porque, como vocês sabem, tenho trabalhado incansavelmente nesse acordo", disse Biden a repórteres na Casa Branca em 8 de fevereiro, ao chamar a resposta de Israel em Gaza de "exagerada", sua crítica mais incisiva até o momento.

Oito dias depois, ele afirmou que havia mantido amplas conversas com primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, sobre o tema de um cessar-fogo.

"Defendi - e tenho muita convicção disso - que é preciso haver um cessar-fogo temporário para retirar os prisioneiros e os reféns. E isso está em andamento. Ainda tenho esperança de que isso possa ser feito", disse Biden em 16 de fevereiro.

Isso se compara à sua menção de uma "pausa" quando um acordo anterior sobre reféns foi negociado em novembro.

"Eu gostaria de ver a pausa continuar enquanto os prisioneiros continuassem saindo", declarou ele em 26 de novembro.

Autoridades dos EUA disseram que a mudança de linguagem de Biden não tem nada a ver com seus críticos.

Em vez disso, segundo elas, reflete os intensos esforços para negociar um acordo entre Israel e o Hamas para interromper os combates por seis a oito semanas em troca da libertação dos reféns mantidos em Gaza e acelerar a entrega de ajuda humanitária aos civis.

O pensamento da Casa Branca é que, se os combates puderem ser interrompidos por esse período, poderá surgir um cessar-fogo ainda mais longo. Porém, uma ofensiva israelense planejada em Rafah, a cidade ao sul de Gaza onde mais de um milhão de palestinos buscaram refúgio, complicaria os esforços para interromper os combates.

As autoridades dos EUA insistem que Biden não está pedindo um cessar-fogo permanente, um reflexo de sua intuição de que Israel tem o direito de se defender depois que militantes do Hamas mataram 1.200 pessoas no sul de Israel em 7 de outubro.

Aaron David Miller, membro sênior do Carnegie Endowment for International Peace e especialista em Oriente Médio, disse que a mudança de retórica de Biden não reflete uma grande mudança, mas reflete a preocupação do governo com uma possível ofensiva em Rafah.

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