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Deputados pedem que Tarcísio e Nunes punam Vai-Vai com bloqueio de verbas

11.fev.2024 - Desfile da Vai Vai na primeira noite de Carnaval no sambódromo do Anhembi - Mariana Pekin/UOL
11.fev.2024 - Desfile da Vai Vai na primeira noite de Carnaval no sambódromo do Anhembi Imagem: Mariana Pekin/UOL

Brasília

13/02/2024 14h18Atualizada em 13/02/2024 19h14

O deputado federal Capitão Augusto (PL-SP) e a deputada estadual Dani Alonso, do mesmo partido, enviaram ofícios ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e ao prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes, pedindo punição à escola de samba Vai-Vai por conta do desfile do último sábado, 10. Os parlamentares querem que a agremiação seja impedida de receber recursos púbicos tanto da prefeitura como do Estado no próximo ano.

A escola levou ao sambódromo do Anhembi, em São Paulo, o enredo "Capítulo 4, Versículo 3 - Da Rua e do Povo, o Hip Hop: Um Manifesto Paulistano". Retratando uma série de eventos culturais historicamente importantes, como a Semana de Arte de 1922 e o nascimento do movimento hip hop, a Vai-Vai tinha como objetivo protestar contra o preconceito. Uma das alas era composta por pessoas fantasiadas de policiais do batalhão de choque da polícia paulista que usavam chifres e asas vermelho-alaranjadas, parecendo demônios. Essa ala fazia alusão especificamente ao disco "Sobrevivendo no Inferno", lançado pelo grupo de rap Racionais MC's em 1997 com músicas que denunciam a violência policial, em especial contra jovens pretos — como a canção "Capítulo 4, Versículo 3".

"Proponho que a escola de samba Vai-Vai seja proibida de receber qualquer forma de recurso público no próximo ano fiscal, como forma de sanção pela conduta irresponsável e ofensiva demonstrada. Tal medida não apenas servirá de punição apropriada, mas também como um claro sinal de que ofensas contra as instituições e profissionais de segurança não serão toleradas em nosso estado", diz ofício para Tarcísio de Freitas.

O mesmo pedido foi enviado a Nunes. No início da tarde, o prefeito de São Paulo informou ao Estadão que não recebeu o ofício, mas que irá analisar o pedido feito pelos parlamentares.

A associação da ala com a PM já havia provocado protestos entre policiais e políticos após o desfile da Vai-Vai. "A que ponto chegamos?", questionou o deputado Alberto Fraga (PL-DF), presidente da bancada da bala e 1º vice-presidente da Comissão de Segurança Pública da Câmara. O Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Sindpesp) reclamou do desfile, dizendo que a escola "tratou com escárnio a figura de agentes da lei".

Em nota divulgada na segunda-feira, 12, a Vai-Vai explicou seu enredo.

A ala retratada no desfile de sábado, da escola de samba Vai-Vai, à luz da liberdade e ludicidade que o Carnaval permite, fez uma justa homenagem ao álbum e ao próprio Racionais MC's, sem a intenção de promover qualquer tipo de ataque individualizado ou provocação, mas sim uma ala, como as outras 19 apresentadas pela escola, que homenageiam um movimento.

Vale ressaltar que, neste recorte histórico da década de 90, a segurança pública no estado de São Paulo era uma questão importante e latente, com índices altíssimos de mortalidade da população preta e periférica. Além disso, é de conhecimento público que os precursores do movimento hip hop no Brasil eram marginalizados e tratados como vagabundo, sofrendo repressão e, sendo presos, muitas vezes, apenas por dançarem e adotarem um estilo de vestimenta considerado inadequado pra época. Ou seja, o que a escola fez, na avenida, foi inserir o álbum e os acontecimentos históricos no contexto que eles ocorreram, no enredo do desfile.

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