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Rafah vive um 'inferno' após bombardeio israelense

12.fev.24 - Palestinos inspecionam o local de um ataque israelense a uma mesquita, em meio ao conflito em curso entre Israel e o grupo islâmico palestino Hamas, em Rafah, no sul da Faixa de Gaza - IBRAHEEM ABU MUSTAFA/REUTERS
12.fev.24 - Palestinos inspecionam o local de um ataque israelense a uma mesquita, em meio ao conflito em curso entre Israel e o grupo islâmico palestino Hamas, em Rafah, no sul da Faixa de Gaza Imagem: IBRAHEEM ABU MUSTAFA/REUTERS

12/02/2024 11h15

Majed tinha apenas 40 dias de vida quando morreu em Rafah, no sul de Gaza, durante a operação israelense que destruiu vários edifícios e permitiu o resgate de dois reféns.

"Ouvimos o bombardeio sem aviso prévio", disse Said al Hams, de 26 anos, no acampamento de refugiados de Rafah. O seu sobrinho "nasceu há exatamente 40 dias e morreu" no ataque, que deixou a mãe ferida.

O bebê é um dos quase 100 mortos na operação noturna israelense em Rafah, segundo o Ministério da Saúde do Hamas, que governa a Faixa de Gaza.

Dezenas de bombardeios israelenses atingiram esta cidade, onde cerca de 1,4 milhão de pessoas tentam se refugiar da guerra entre Israel e o Hamas, que começou há mais de 4 meses.

Enquanto os israelenses comemoravam a libertação dos dois reféns, de origem argentina, em Rafah as pessoas relatavam uma noite terrível.

"A situação foi um inferno", disse Abu Suhaib, que dormia a apenas dezenas de metros de um dos locais atingidos pelas forças israelenses.

"Ouvimos o som de explosões, como um inferno caindo sobre os civis", disse à AFP o jovem de 28 anos, que também ouviu disparos de aviões de guerra, tiros e um helicóptero pousando.

Uma enorme pilha de escombros ocupa o local onde vários edifícios foram destruídos pelos ataques, juntamente com os restos de uma casa que, segundo testemunhas, os seus habitantes abandonaram há dois meses quando foram avisados pelo Exército israelense que seria bombardeada.

O ataque aéreo também deixou cinco grandes crateras, com pelo menos 10 metros de largura e cinco metros de profundidade.

"Não posso dizer como sobrevivemos esta noite", disse Abu Abdullah al-Qadi, que foi acordado pelo som dos disparos.

"Eles mataram o meu primo, mataram muitas pessoas com bombardeios", afirmou, enquanto dezenas de pessoas se reuniam perto dos edifícios destruídos.

"Eles atacaram este edifício e parece que libertaram prisioneiros, e depois o bombardearam", juntamente com "todas as casas vizinhas", acrescentou.

- "Uma noite terrível" -

O acampamento de refugiados está localizado no coração de Rafah, onde centenas de milhares de pessoas estão amontoadas após seguirem ordens israelenses de fugir de outras partes de Gaza.

Apesar do crescente alarme internacional sobre uma possível invasão terrestre da cidade, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, prometeu nesta segunda-feira (12) que a "pressão militar contínua" é a única maneira de libertar todos os reféns.

Durante o ataque de 7 de outubro no sul de Israel, os combatentes palestinos sequestraram cerca de 250 pessoas, segundo uma contagem da AFP baseada em números oficiais israelenses.

Israel afirma que cerca de 130 permanecem em Gaza, embora acredite que 29 deles estejam mortos. O ataque do Hamas deixou cerca de 1.160 mortos, a maioria civis.

Em resposta, Israel lançou uma ofensiva que matou pelo menos 28.340 pessoas na Faixa de Gaza, a maioria mulheres e menores de idade, de acordo com o último balanço do Ministério da Saúde do Hamas.

Nesta segunda-feira, dezenas de famílias já deslocadas pela guerra começaram a recolher os seus poucos pertences, temendo um ataque das forças terrestres.

"Foi uma noite terrível", disse Alaa Mohammed, do norte de Gaza, ao desmontar uma barraca no oeste de Rafah.

"O que aconteceu ontem à noite pressagia que algo grande acontecerá em Rafah. Parece que o Exército israelense entrará em Rafah", disse o homem de 42 anos, que planeja viajar para Deir al Balah, no centro de Gaza, com sua família.

Depois de uma noite sem dormir, Mohammed começou a recolher os seus cobertores e colchões, "como faziam muitas famílias ao redor", enquanto a sua família procurava um meio de transporte.

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© Agence France-Presse

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