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Finlândia elege ex-primeiro-ministro conservador Alexander Stubb à Presidência

Alexander Stubb foi eleito o novo presidente da Finlândia - Emmi Korhonen - 11.fev.2024/Reuters
Alexander Stubb foi eleito o novo presidente da Finlândia Imagem: Emmi Korhonen - 11.fev.2024/Reuters

11/02/2024 17h00

O ex-primeiro-ministro conservador Alexander Stubb venceu as eleições presidenciais da Finlândia neste domingo (11), com 51,6% dos votos, em uma eleição marcada por tensões com a Rússia desde a adesão do país à Otan.

"É bastante incrível que um país do tamanho da Finlândia possa realizar eleições tão justas e honestas neste contexto de política de segurança", comemorou Stubb, de 55 anos, diante de seus apoiadores, depois de ter ido cumprimentar seu adversário nas eleições, Pekka Haavisto.

O resultado final lhe deu 51,6% dos votos, contra 48,4% de Haavisto, membro dos Verdes, mas que concorreu como independente. Neste segundo turno, cerca de 70,7% dos aproximadamente 4,3 milhões de eleitores votaram.

O chefe de Estado, com menos poderes que o primeiro-ministro, é eleito por um período de seis anos e lidera a política externa do país em estreita colaboração com o governo. Ele também é o comandante supremo das Forças Armadas.

O novo presidente assumirá o cargo em 1º de março.

Seu papel ganhou importância desde a guerra na Ucrânia e a adesão da Finlândia à Otan, à qual este país prometeu responder com "contramedidas".

Foi justamente o pedido de adesão à Aliança Atlântica que motivou Stubb, ministro das Relações Exteriores aos 40 anos e primeiro-ministro entre 2014 e 2015, a retornar à política finlandesa após se aposentar dos assuntos públicos.

"Há guerra na Europa e em Gaza. É importante que o presidente da Finlândia mantenha a cabeça fria e tente manter a paz aqui e trabalhar pela paz em outros lugares", declarou Stubb na televisão pública Yle.

A Finlândia, que compartilha 1.340 km de fronteiras com a Rússia, permaneceu neutra durante a Guerra Fria e tem sido um defensor fiel do diálogo entre os países ocidentais e a Rússia.

Mas após a invasão russa da Ucrânia em fevereiro de 2022, este país do norte da Europa pôs fim a três décadas de não alinhamento militar.

Em agosto, a Finlândia acusou Moscou de orquestrar uma crise migratória em suas fronteiras. Como consequência, decidiu fechar sua fronteira com a Rússia em novembro, uma medida apoiada por ambos os candidatos.

Reforço das sanções

"A situação política internacional é muito complicada para nós neste momento, penso que realmente precisamos de um presidente que possa trabalhar com os diferentes partidos políticos e que possa negociar", explicou à AFP uma eleitora, Maarit Tarkiainen, médica de 46 anos.

Alexander Stubb, que sempre se mostrou favorável à adesão de seu país à Otan, é a favor de intensificar as sanções contra a Rússia.

"O forte apoio à Ucrânia continuará sem dúvida. E a Rússia aparecerá na agenda de uma forma ou de outra, além da guerra", disse à AFP Hanna Ojanen, diretora de pesquisa política da Universidade de Tampere.

A diferença entre os dois candidatos estava principalmente no tema do armazenamento e transporte de armas nucleares na Finlândia.

Stubb considera que o país não deve excluir "nenhuma parte" da política de dissuasão nuclear da aliança.

Em 2022, o presidente em exercício, Sauli Niinistö, eleito em 2012 e considerado o líder europeu ativo que mais conversava com Vladimir Putin, comunicou diretamente sua decisão de ingressar na Otan.

"Quero que [o próximo presidente] seja tão bom quanto seu antecessor", afirmou Joakim Björnström, de 36 anos e residente na capital, Helsinque.

Para Hanna Ojanen, a experiência internacional de Stubb, que também foi eurodeputado, é uma vantagem.

"De muitas maneiras, ele terá experiência e será competente, e acredito que poderá gerenciar tanto a cooperação multilateral quanto as relações bilaterais, o que é necessário, e provavelmente também entenderá a visão geral da política externa e de segurança", afirmou.

Por sua vez, Theodora Helimaki, pesquisadora em ciências políticas da Universidade de Helsinque, acredita que sua personalidade extrovertida e sua lista de contatos podem levá-lo a ser "um presidente de uma classe ligeiramente nova".

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