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À venda, Braskem está na mira dos árabes e é salvação para ex-Odebrecht

Região da mina da Braskem que corre o risco de colapso em Maceió - Itawi Albuquerque/Secom
Região da mina da Braskem que corre o risco de colapso em Maceió Imagem: Itawi Albuquerque/Secom
do UOL

Do UOL, em São Paulo

11/12/2023 04h00

Controlada pela Novonor, a petroquímica Braskem está à venda há anos. O negócio é visto como crucial para a empreiteira, que está em recuperação judicial após as investigações da Operação Lava Jato. Mas a venda pode ficar mais difícil com o agravamento da crise ambiental em Maceió (AL).

Histórico da venda

A Braskem é uma sociedade entre Novonor (ex-Odebrecht, o grupo mudou de nome em dezembro de 2020) e Petrobras. A primeira detém 50,1% do capital votante da empresa, e a segunda possui 47% das ações com direito a voto. É uma gigante da produção de plásticos, com faturamento anual de R$ 96 bilhões.

Em 2019, a Odebrecht entrou em recuperação judicial com uma dívida de R$ 98,5 bilhões. O processo é até o hoje a maior recuperação judicial do país em tamanho de dívida. O grupo baiano entrou em uma forte crise após os escândalos investigados pela Operação Lava Jato.

Com isso, a Odebrecht colocou sua participação na petroquímica à venda. As ações da Braskem são o ativo mais valioso do grupo, e se tornaram cruciais para sua recuperação. Elas foram dadas como garantia aos bancos Santander, Banco do Brasil, BNDES, Bradesco e Itaú por empréstimos de cerca de R$ 14 bilhões à Odebrecht.

O grupo holandês LyondellBasell chegou a fazer uma oferta pela petroquímica, mas desistiu do negócio em junho de 2019. Na época, a empresa holandesa disse que a decisão ocorreu após uma "análise de risco cuidadosa".

Alguns meses antes, o Ministério Público Federal de Alagoas havia entrado com uma ação civil pública contra a Braskem. A ação inclui também suas controladoras e órgãos públicos responsáveis pela fiscalização da atividade nas minas de Maceió. O processo está em curso e tem valor R$ 27,6 bilhões.

Com a desistência dos holandeses, a estratégia de venda da petroquímica virou alvo de disputa entre Odebrecht e Petrobras. Na época, a petroleira tinha a intenção de se desfazer de ativos e queria vender a sua parte do negócio o quanto antes. A Novonor, porém, tinha a intenção de valorizar a empresa primeiro.

Proposta de grupo árabe

Recentemente, a petroleira de Abu Dhabi Adnoc apresentou uma proposta de R$ 10,5 bilhões pela fatia da Novonor no negócio. A empresa negocia também com a Petrobras, que, com a mudança de governo, agora considera ampliar sua participação na petroquímica. A Braskem também recebeu propostas da Unipar e da J&F, que não foram adiante. A empresa vale cerca de R$ 14,2 bilhões na bolsa, na cotação do dia 7 de dezembro.

A iminência de um colapso da mina em Maceió pode atrapalhar a venda. Há alguns dias, a Defesa Civil de Maceió emitiu um alerta para a possibilidade de colapso da mina de sal-gema número 18, no bairro de Mutange. Desde que a mina começou a afundar, em 2018, a Braskem já fez provisões de R$ 14,4 bilhões e, desse total, já desembolsou R$ 9,2 bilhões.

Nos últimos dias, a ação da empresa na bolsa caiu e ela foi retirada do ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial) da B3. Com o agravamento da crise em Maceió, a empresa recebeu ainda uma multa de R$ 72 milhões e corre o risco de se tornar alvo de uma CPI no Congresso.

Errata: este conteúdo foi atualizado
O bairro de Maceió em que se localiza a mina 18 da Braskem se chama Mutange, e não Mutante, como grafado inicialmente na matéria. O texto foi corrigido.

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