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Delegado faz acordo para pagar R$ 2 mil em caso de escrivã morta em MG

A escrivã Rafaela Drumond filmou quando foi xingada pelo investigador dentro da delegacia - Reprodução/Redes sociais
A escrivã Rafaela Drumond filmou quando foi xingada pelo investigador dentro da delegacia Imagem: Reprodução/Redes sociais
do UOL

Do UOL, em São Paulo

28/11/2023 16h17Atualizada em 28/11/2023 16h22

Um acordo definiu que o delegado Itamar Cláudio Netto pagará uma multa de R$ 2 mil. O policial é investigado no caso da escrivã Rafaela Drumond, encontrada morta em casa no dia 9 de junho.

O que aconteceu

O valor foi definido em uma audiência preliminar do processo, conforme acordo com o MPMG (Ministério Público de Minas Gerais). A conciliação foi realizada nessa segunda-feira (27), no Juizado Especial da Comarca de Carandaí (MG). Os R$ 2 mil serão destinados para uma instituição filantrópica que cuida de pessoas idosas.

O delegado era responsável pela delegacia em que a escrivã trabalhava e o MPMG entendeu que houve omissão na conduta dele. O órgão entendeu que "ficou caracterizado o crime de condescendência criminosa por parte do delegado, pela omissão na adoção de providências disciplinares contra os envolvidos na discussão ocorrida no interior da unidade policial".

Comprovado o pagamento, o inquérito será arquivado em relação do delegado. Em relação ao investigador que trabalhava com a escrivã, o caso já foi arquivado. Os dois policiais foram apontados pela família de Rafaela como os principais responsáveis pelos episódios de assédio denunciados pela escrivã semanas antes de sua morte.

O pai de Rafaela, Aldair Drumond, lamentou a decisão. "Foi um dia muito triste para mim, muito, muito triste. Vendo aquela audiência, vendo o delegado, aquele pessoal lá, aquele semblante de alegria, parece que eles estavam comemorando que iam liberar o delegado", disse.

"A minha filha sofreu muito. Os áudios comprovam o assédio moral que ela sofreu. [...] o assédio moral do delegado foi sério, ele acabou com a autoestima da minha filha", afirmou, e continuou: "Eles saíram comemorando. Vai pagar R$ 2 mil, e minha filha está morta."

O UOL tenta localizar a defesa do delegado. O espaço está aberto para manifestações.

O caso

Dias antes de sua morte, Rafaela protocolou uma série de denúncias de assédio moral, sexual, pressão psicológica e sobrecarga no ambiente de trabalho ao Sindep-MG (Sindicato dos Escrivães da Polícia Civil de Minas Gerais).

A escrivã enviou áudios à amiga na época informando que relatou os episódios de assédio a Itamar. "Ele não queria que eu tomasse providência, porque ia sobrar pra ele também", lamentou à amiga. Dos colegas na delegacia, todos homens, Rafaela disse ter ouvido um conselho: que deixasse tudo "entrar por um ouvido e sair pelo outro". A morte de Rafaela foi registrada como suicídio.

A PCMG informou, na época, que instaurou procedimento disciplinar e inquérito policial, e destacou que disponibiliza suporte aos servidores no Centro de Psicologia do Hospital da Polícia Civil, por meio de sessões presenciais e teleconsulta.

Centro de Valorização da Vida

Caso você esteja pensando em cometer suicídio, procure ajuda especializada como o CVV (Centro de Valorização da Vida) e os CAPS (Centros de Atenção Psicossocial) da sua cidade. O CVV funciona 24 horas por dia (inclusive aos feriados) pelo telefone 188, e também atende por e-mail, chat e pessoalmente.

São mais de 120 postos de atendimento em todo o Brasil.

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