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Cartas, doação e racismo: Charles ganhou antipatia após série de denúncias

do UOL

Nicole D'Almeida

Colaboração para o UOL

08/09/2022 14h47Atualizada em 08/09/2022 16h09

Com a morte da rainha Elizabeth 2ª, quem assume o trono britânico é Charles, 73, filho mais velho da rainha e de Philip, duque de Edimburgo. De cartas enviadas a ministros do governo do Reino Unido fazendo petições até recebimento de milhões de dólares em dinheiro do primeiro-ministro do Qatar, o sucessor ao trono já virou manchete diversas vezes por se envolver em polêmicas.

Memorandos do Aranha Negra

Entre 2004 e 2005, Charles enviou aos ministros de sete departamentos governamentais do Reino Unido cartas nas quais fazia petições sobre assuntos que iam desde a guerra do Iraque a terapias alternativas.

O esconderijo desses memorandos secretos foi divulgado após uma batalha de 10 anos pelo Guardian. Foram encontradas 27 cartas, sendo 10 de Charles.

O nome "Memorandos do Aranha Negra" foi dado devido à caligrafia distintamente ilegível do Príncipe de Gales, lembra o The Independent.

Aperto de mão com Robert Mugabe

Charles apertou a mão do então presidente do Zimbábue Robert Mugabe no funeral do Papa João Paulo 2º, em 2005. O incidente não foi bem visto, uma vez que a União Europeia impôs sanções contra o regime de Mugabe devido a alegações de violações dos direitos humanos.

Paradise Papers

Em 2007, Charles fez campanha para alterar os acordos sobre mudanças climáticas sem revelar que sua propriedade privada, o Ducado da Cornualha, investiu milhões de libras em uma empresa offshore para mudar acordos climáticos, mostram os documentos vazados do Paradise Papers, lembra a BBC.

Fuligem

Em 2009, foi revelado que Charles chamou seu amigo Kolin Dhillon, um empresário britânico asiático, de "Sooty" (fuligem, em tradução livre). No entanto, Dhillon defendeu Charles contra as acusações de racismo, dizendo que o apelido era um "termo de carinho".

Doação de caridade da família de Osama Bin Laden

Em 2013, Charles aceitou uma doação de £1 milhão de dois meios-irmãos de Osama Bin Laden, dois anos após a morte do líder da Al-Qaeda, para Fundo de Caridade do Príncipe de Gales (PWCF).

Segundo a BBC, Bin Laden foi deserdado por sua família em 1994 e não há indícios de que seus meios-irmãos tivessem ligações com suas atividades.

Mala de dinheiro de político do Qatar

Segundo relatório do Sunday Times, Charles teria recebido 3 milhões de libras durante reuniões com o Sheikh Hamad bin Jassim bin Jaber al-Thani, ex-primeiro-ministro do Qatar, em 2015.

O dinheiro foi passado imediatamente para o Fundo de Caridade do Príncipe de Gales (PWCF), uma das instituições de caridade do Príncipe de Gales, disse a Clarence House.

Cash for Honors

Michael Fawcett, o então executivo-chefe da instituição de caridade de Charles, ajudou a nomear o empresário saudita Mahfouz Marei Mubarak bin Mahfouz para um título honorário de Comandante da Mais Excelente Ordem do Império Britânico (CBE). Mostra uma investigação do Sunday Times publicada em 2021.

No entanto, um porta-voz de Charles afirmou à CNN que "o príncipe de Gales não tinha conhecimento da suposta oferta de honras ou cidadania britânica com base na doação para suas instituições de caridade".

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