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Best-seller Maytê Carvalho lança livro sobre o poder da persuasão nos Estados Unidos

06/08/2022 09h36

O maior mercado editorial do mundo também é conhecido por ser um dos mais fechados aos escritores estrangeiros. Uma estimativa otimista aponta que apenas 3% dos livros publicados nos Estados Unidos são traduções, isso já adicionando os mangás e obras de idiomas que são a maior fatia desse percentual. Por isso acaba sendo uma uma odisseia para quem quer publicar um best-seller de outro país em solo americano.

O maior mercado editorial do mundo também é conhecido por ser um dos mais fechados aos escritores estrangeiros. Uma estimativa otimista aponta que apenas 3% dos livros publicados nos Estados Unidos são traduções, isso já adicionando os mangás e obras de idiomas que são a maior fatia desse percentual. Por isso acaba sendo uma uma odisseia para quem quer publicar um best-seller de outro país em solo americano.

Cleide Klock, correspondente da RFI em Los Angeles

Muitas portas fechadas, diversos "nãos" e e-mails sem respostas só fizeram a escritora brasileira Maytê Carvalho persistir ainda mais em publicar sua obra no país onde mora desde 2019. A edição em inglês de "Persuasão - como usar a retórica e a comunicação persuasiva na sua vida pessoal e profissional" ("Persuasion: How to Pitch your Ideas and Own the Room") vai ser lançada, oficialmente, em 19 de agosto em Los Angeles, em uma das maiores e mais antigas cadeias de livraria dos Estados Unidos.

Maytê escreveu a obra em português quando já morava nos Estados Unidos em 2020, e a lançou durante a pandemia de Covid-19. Já vendeu mais de 25 mil exemplares no Brasil. Mas, para entrar no mercado americano, a escritora não fez apenas uma tradução do livro: teve que adaptá-lo à realidade local.

"Eu fiz uma pesquisa com leitores dentro do meu recorte demográfico e psicográfico. Tenho um público-alvo muito claro, minhas leitoras são mulheres com 25 anos ou mais que buscam não somente um conteúdo para ajudá-las na vida profissional, mas principalmente na vida pessoal. Depois desses grupos-teste, a gente entendeu que as nuances culturais e o ethos da cultura americana é muito diferente da brasileira, então eu praticamente reescrevi o primeiro livro. Mas eles têm os mesmos tópicos e sumário, porém com abordagens diferentes", explica a escritora.

A edição americana adaptou, por exemplo, o tópico sobre retórica aristotélica, que está muito mais difundido no país. No Brasil, normalmente, o conteúdo não faz parte do currículo escolar, porém nos Estados Unidos os conceitos de argumentação são estudados no Ensino Médio e foram popularizados com os campeonatos de debates promovidos pelas próprias escolas.

Com conteúdo, mas informal

A autora classifica o livro com um guia utilitário, uma ferramenta com exercícios para colocar em prática a capacidade de influenciar e persuadir os outros, já com uma teoria mais mastigada, com linguagem coloquial, e que atualiza o milenar conceito de persuadir para a nossa realidade do agora.

"É uma abordagem da persuasão, mais empática e humana. A gente vem de um histórico na literatura de negócio, na qual essa abordagem é masculina, predatória e 'ganha-perde'. O que eu proponho é que ela seja 'ganha-ganha', horizontal e empática. Eu acredito que esses são os maiores ensinamentos que a minha abordagem do tema oferece", conta Maytê.

Dificuldades x oportunidades

Desde que lançou o livro no Brasil a intenção era republicar a obra nos Estados Unidos, mas a escritora sentiu resistência do mercado local. Diferentemente do Brasil, aqui é necessário ter um agente literário para então conseguir entrar em uma editora, e o mercado dá pouquíssima abertura para escritores estrangeiros.

"Era porta fechada atrás de porta fechada. Eu mandei mais 50 e-mails para agentes literários e foram mais de 50 'nãos'. Alguns nem me responderam, só ignoraram. Também fui atrás de muitos representantes de autores latinos, que também passaram a oportunidade", relembra.

Quando Maytê estava quase se entregando à autopublicação, encontrou outra brasileira, Ana Silvani, que tem a editora Webook, com foco em dar visibilidade e amplificar as vozes latinas. Em poucos meses, a publicação virou realidade e vai ter lançamento em 19 de agosto, justamente no Dia Nacional das Latinas, na livraria Barnes & Noble, em Los Angeles. A versão em e-book já está disponível online.

Ouse Argumentar

Ao mesmo tempo em que a escritora lança nos Estados Unidos esta versão em inglês do primeiro livro, no Brasil, acaba de chegar às livrarias a segunda obra da autora: "Ouse Argumentar - comunicação assertiva para sua voz ser ouvida" (editora Planeta), com o prefácio de Leandro Karnal. De acordo com Maytê, o livro revisita os conceitos da retórica, criados na Grécia há mais de 2.300 anos em uma sociedade puramente de vozes masculinas, onde a mulher não era vista como agente político.

"A proposta do livro não é de maneira alguma desqualificar a obra de Aristóteles, porque ela é uma obra atemporal e clássica e a gente não pode julgar o autor pelo seu tempo. Mas, ao revisitar do ponto de vista feminino, e eu escrevo deste lugar e para mulheres, esse é o grande diferencial da minha segunda obra. Nos primeiros capítulos falo muito sobre silenciamento, com se apropriar da sua voz, como a nossa socialização interfere na docilização da nossa fala e muitas vezes somos chamadas de agressivas, quando somos apenas assertivas. A grande mensagem que eu trago é: a sua voz importa e ela será ouvida", explica.

Além de escritora, Maytê é pesquisadora no Instituto de Tecnologia e Inovação de Berkeley Global Society e Diretora de Crescimento e Estratégia da CUBO NYC. Atua também como professora de Persuasão e Retórica na ESPM e na Casa do Saber. Foi vencedora do reality O Aprendiz, em 2008, e em 2016 conquistou investimento no programa Shark Tank.

Nos planos da autora, está também publicar esse segundo livro nos Estados Unidos e em Portugal.