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Petro herda uma série de desafios econômicos com impacto social

05/08/2022 22h48

Jaime Ortega Carrascal.

Bogotá, 5 ago (EFE).- Uma reforma tributária ambiciosa para financiar os gastos sociais e manter a economia em crescimento são alguns dos desafios que Gustavo Petro terá como novo presidente da Colômbia para responder às enormes expectativas geradas por sua eleição entre os mais pobres.

Petro tomará posse neste domingo com a promessa de fazer as transformações políticas, econômicas e sociais que o país exige, para as quais terá que lidar não apenas com os problemas habituais de orçamento limitado, mas também com uma delicada situação internacional devido ao risco de uma recessão global.

"Sem dúvida, o maior problema é a questão orçamentária, que é grave, que merece que o público saiba e que saibamos corrigi-la", disse na semana passada o futuro governante, cuja equipe de transição denunciou que o governo em fim de mandato, do presidente Iván Duque, não poupou nenhuma despesa na reta final.

Como ministro da Fazenda, Petro nomeou o prestigiado economista José Antonio Ocampo, um homem com experiência em assuntos de Estado - já ocupou essa pasta entre 1996 e 1997 - e em organizações internacionais como a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) para fazer os ajustes necessários na economia.

LUTA CONTRA A POBREZA, UMA PRIORIDADE.

De acordo com um relatório da Cepal de junho, os efeitos da guerra na Ucrânia, especialmente o aumento dos preços da energia e dos alimentos, aumentarão a pobreza na América Latina, e a Colômbia não será exceção, pois este indicador passará de 33,6% em 2021 para 38% em 2022, podendo chegar até a 39,2%, dependendo de como a inflação se comportará.

"A pobreza aumentou em 2019, antes da covid, e caiu muito pouco em 2021. Ainda temos níveis de pobreza mais elevados do que tínhamos no início do atual governo", disse Ocampo em uma entrevista coletiva recente.

Segundo o Departamento Administrativo Nacional de Estatística, 19,6 milhões de pessoas estavam em condição de pobreza monetária no país no ano passado, o que, segundo Ocampo, mostra que havia "quase 4 milhões de pobres a mais em 2021 do que antes da crise".

"A questão da pobreza e as questões da fome que foram identificadas em algumas partes têm que ser uma questão prioritária para o próximo governo", destacou o futuro ministro.

REFORMA TRIBUTÁRIA AMBICIOSA.

Ocampo terá entre suas tarefas a apresentação de uma ambiciosa reforma tributária com a qual Petro pretende aumentar os recursos do país, que até 2023 terá um orçamento de 391,4 trilhões de pesos (cerca de R$ 471,39 bilhões), segundo o projeto apresentado há uma semana.

Com esta reforma, que dará ênfase às pessoas físicas de maior renda e evasivas, o objetivo é arrecadar cerca de 50 trilhões de pesos por ano (cerca de R$ 60 bilhões).

Nesse sentido, o principal economista do BBVA Research, Alejandro Reyes, considera que "a reforma tem espaço político para passar" no Congresso, onde Petro conseguiu construir maiorias, mas acredita que "não será fácil" torná-la do tamanho que se deseja porque "isso frearia fortemente o setor privado e provocaria uma desaceleração mais acentuada da economia".

"Na história da Colômbia, a maior reforma não ultrapassou 1,5 do PIB real da arrecadação, e aqui estaríamos falando de quase cinco pontos do PIB", disse Reyes à Agência Efe, acrescentando que "é preciso ter um pouco de cuidado nesse sentido" e realizar "uma reforma que seja gradual e que obviamente melhore um pouco a situação fiscal do país".

INFLAÇÃO E DESEMPREGO.

Além de aumentar a arrecadação, o governo tem outros desafios de curto prazo no campo econômico, como a disparada da inflação, fenômeno global, que no caso da Colômbia, na medição interanual até junho foi de 9,67%, ou a alta taxa de desemprego como resultado da ruptura causada pela crise pandêmica.

"Em matéria social, o pior efeito da crise inicialmente foi o colapso do emprego: foram perdidos 6 milhões de postos de trabalho", lembrou Ocampo, que ressaltou que a recuperação foi "gradual, mas positiva e hoje se pode dizer que temos mais ou menos o mesmo nível de emprego de antes da crise".

Segundo dados oficiais, o desemprego em junho foi de 11,3%, quase metade dos 20% alcançados no pior momento da crise, mas um fator a ser resolvido é o alto número de pessoas que ainda não retornaram ao mercado de trabalho, segundo Reyes.

"O número de inativos na Colômbia ainda está 2 milhões acima do que tínhamos antes da pandemia, o que é um número monstruoso; isso será um grande desafio para o novo governo", acrescentou o analista do BBVA Research.

CRESCIMENTO E DÉFICIT.

Outro desafio nesse campo será manter o crescimento econômico, que em 2021 foi de 10,6%, a partir de uma base de comparação baixa, que foi a de 2020, o pior ano da pandemia, e que, tudo indica, sofrerá uma desaceleração no segundo semestre deste ano.

"Estamos prevendo uma economia que crescerá 6,8% este ano e 2% no próximo", disse recentemente a economista-chefe do BBVA Research para a Colômbia, Juana Téllez, ao apresentar as projeções econômicas.

Reyes acrescentou que outros desafios que Petro terá serão "mais estruturais", como "o elevado déficit da conta corrente (5,7% do PIB em 2021) aliado a um elevado déficit fiscal (7,1%, segundo dados preliminares de 2021), uma combinação de desequilíbrios que nos coloca em situação de vulnerabilidade diante dos movimentos globais e que limita nossa capacidade de crescimento". EFE

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