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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

O que Anitta, Thiago Ventura e Thiago Nigro têm em comum?

João Branco

João Branco tem mais 20 anos de experiência em grandes marcas e trabalha desde 2014 no McDonald's, onde é o Diretor de Marketing e lidera o talentoso time que está batendo todos os recordes de vendas da história do Big Mac. João estudou em algumas das melhores universidades do mundo mas aprendeu no "Méqui" o que nenhuma aula teórica foi capaz de ensinar: que o resultado sempre vem quando o consumidor ama muito tudo isso.

do UOL

Colunista do UOL

25/11/2021 04h00

"Sua música tem dancinha no refrão?". Eu não sou desse mercado, mas chutaria que essa é uma das principais perguntas que surgem na hora de começar a produção de um novo hit musical hoje em dia. Ter uma coreografia que viraliza nos vídeos curtos parece ter virado uma obrigação para "bombar".

Esse é um minúsculo exemplo para ilustrar uma grande verdade: o mundo mudou e a forma de fazer marketing também. Alguns anos atrás, uma cantora só fazia sucesso se a sua canção tocasse nas maiores rádios. Um humorista só "hitava" se aparecesse em uma grande emissora da TV aberta. E um consultor financeiro só ia faturar milhões vendendo livros se acontecesse um milagre. Deixando os fenômenos paranormais de lado, vamos tentar entender o que está acontecendo por aqui.

O fato é que todo "produto" que se propõe a ser consumido por milhões de pessoas precisa romper uma barreira de familiaridade para ser popular. E essa regra continua valendo. Mas as formas de conseguir alcançar isso mudaram muito. Se você entender bem como funcionam as conversas do mundo digital, pode conseguir ficar famoso sem precisar ser convidado para um quadro em um show de calouros do domingo.

Vamos a alguns exemplos: você já viu um TikTok com a dancinha do "Late, coração cachorro"? Já assistiu a um trecho da fila de piadas dos 4 Amigos no Facebook?

Eu nunca tinha visto nenhum desses artistas por aí, mas conheci o trabalho deles assim, de repente, como se uma onda tivesse me alcançado. Uma onda digital, que vai contagiando todo mundo que gosta do que vê. E que é facilitada por quem sabe fazer chegar até os seus olhos e ouvidos esses conteúdos. Gente que coloca a sua música de fundo em vídeos que você gosta para você se familiarizar com aquela melodia. Gente que deixa o podcast ser picotado em vários pequenos cortes livremente, para que eles se multipliquem em milhões de visualizações.

Antigamente isso seria considerado um erro. Um humorista jamais postaria um pedaço do show na internet. Um conselheiro não ia dar conselhos de graça no Youtube. Um médico não toparia responder perguntas de pacientes de forma aberta. Afinal, seria trabalhar de graça. Seria desperdiçar algo que poderia ser remunerado. Mas é aí que está uma grande sacada.

Quanto mais piadas do Tiago Ventura eu assisto na internet, mais conteúdos dele eu quero consumir. Quanto mais bons conselhos do Thiago Nigro aparecem na minha tela, mais eu quero ouvir o que ele fala. Quanto mais stories da Anitta aparecem no meu Instagram, mais eu me sinto amigo dela. E todos nós podemos fazer o mesmo.

Se você também quer ser popular (no sentido positivo da palavra), distribuir pedaços do seu trabalho livremente por aí não é trabalhar de graça. É quebrar a barreira da familiaridade sem precisar ser amigo de um famoso. É construir uma reputação sem precisar fazer vídeos caros e super produzidos. É plantar sementes que você vai poder colher depois.

O segredo está justamente em planejar bem a sua colheita.

Tem gente que acha que eu não ganho nada escrevendo artigos toda semana. Mas, na verdade, esse é o trabalho gratuito mais bem remunerado que eu conheço. E você, já ganhou sua moeda de zero reais hoje?

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Imagem: Felipe Tomazelli

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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