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Empresas que não iniciarem transição ecológica "vão sumir do mapa", diz especialista

04/11/2021 11h54

A Conferência do Clima de Glasgow é uma gigantesca negociação entre países, feita não apenas entre governos, mas com uma intensa participação da sociedade civil e do setor privado. Em meio aos retrocessos ambientais ocorridos no Brasil nos últimos anos, a mobilização dos diferentes atores se mostra ainda mais importante.

A Conferência do Clima de Glasgow é uma gigantesca negociação entre países, feita não apenas entre governos, mas com uma intensa participação da sociedade civil e do setor privado. Em meio aos retrocessos ambientais ocorridos no Brasil nos últimos anos, a mobilização dos diferentes atores se mostra ainda mais importante.

A urgência da crise climática, que encaminha o planeta para um aumento de 2,7°C da temperatura até o fim deste século, exige quatro grandes transformações: energética, alimentar, de matérias-primas e de comportamento dos consumidores. A Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, uma entidade que promove essas transições junto a mais de 300 empresas, organizações e institutos.

"Tem o grupo das empresas que lideram o movimento, tem aquelas que estão no caminho intermediário e que estão falando 'pelo amor de deus, o que eu preciso fazer para fazer parte desse mundo?', e temos as empresas picaretas, que ainda falam que isso é só uma moda, então vou fingir que estou fazendo porque uma hora isso vai passar. Essas empresas vão sumir do mapa", resume Marcelo Furtado, cofundador da entidade.

"Não é fácil fazer essas transformações, olhando também para o balanço de geração de emprego e manutenção de renda. Mas não é mais uma opção entre mais ou menos lucro: é uma opção de sobrevivência", complementa o especialista em sustentabilidade.

Pressão de investidores

Furtado ressalta o papel crescente dos chamados investidores ativistas nessa trajetória, que estimulam as companhias a acelerarem a descarbonização da sua atividade mais rapidamente. "Quando os investidores dizem que a condição para ficar na empresa é fazerem parte da transição, avança mais rápido."

No caso do Brasil, o grande calcanhar de Aquiles é a agricultura, em especial a associada ao desmatamento. A devastação das florestas é a maior fonte de emissões de gases de efeito estufa pelo país.

"Se você é uma empresa que está associada ao uso da terra, você não tem outra opção senão fazer a seguinte pergunta: o produto que eu faço, a cadeia em que estou inserida, contribui ou não para o desmatamento? Precisa parar. Ela é uma cadeia que tem produção agro que gera um impacto negativo ou positivo, não só evitando as emissões de gases como, eventualmente, absorvendo o CO2? A matriz energética que eu acesso é renovável? O lucro só vai existir para empresas que conseguirem dialogar com isso", ressalta.

Na entrevista à RFI, o especialista ainda aborda a delicada questão da rastreabilidade da produção agrícola brasileira e as oportunidades que as mudanças climáticas abrem para o Brasil. Clique no podcast para escutar a conversa.

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