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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Curtidas não pagam boletos no marketing digital

João Branco

João Branco tem mais 20 anos de experiência em grandes marcas e trabalha desde 2014 no McDonald's, onde é o Diretor de Marketing e lidera o talentoso time que está batendo todos os recordes de vendas da história do Big Mac. João estudou em algumas das melhores universidades do mundo mas aprendeu no "Méqui" o que nenhuma aula teórica foi capaz de ensinar: que o resultado sempre vem quando o consumidor ama muito tudo isso.

do UOL

Colunista do UOL

27/10/2021 10h01

Você acha que o dólar está "caro"? Pois fique sabendo que no mês passado você precisava de 4 milhões de bolívares (a moeda da Venezuela) para conseguir uma única nota de um dólar americano em troca. É impressionante como os dinheiros mudam o seu valor com o tempo. Quem investe em bitcoin sabe bem do que estou falando. Algumas pessoas preferem investir em ouro, outras apostam no euro e há as que se lastreiam em obras de arte.

Nos últimos anos, nos acostumamos a juntar milhas, colecionar pontos de programas de fidelidade e até ouvimos falar das estalecas - o "dinheiro" dos participantes do Big Brother. Mas há uma moeda que certamente fica à frente de todas as que mencionei acima em interesse dos brasileiros no momento: as curtidas nas redes sociais.

A "caça aos likes" é surreal. Quando eu era criança, todo mundo queria ser jogador de futebol ou top model. Hoje em dia o sonho é um só: virar influenciador digital. A molecada quer ter canais bombados no YouTube, dancinhas viralizadas no TikTok e perfis verificados no Instagram. Sonham em fazer "publis" (posts pagos), ganhar um montão de "recebidos" (o apelido dos presentes) e fazer "collabs" (produtos desenvolvidos em conjunto com uma outra marca famosa). Mas acham que tudo isso depende de uma única coisa: conseguir mais curtidas em seus conteúdos.

A dura realidade é que essa tarefa é muito mais difícil do que parece. Assim como os aspirantes a Neymar e Gisele Bündchen, os que sonham em ser Whindersson Nunes precisam saber que é preciso muita disciplina e habilidade para chegar lá. E que apenas uma pequeníssima minoria consegue.

Editar vídeos dá um trabalhão. Planejar e produzir também. Acompanhar as mudanças dos algoritmos e conhecer as nuances de cada rede social podem ser uma tarefa mais penosa do que qualquer outro trabalho diário. E ainda rola uma descoberta importante: "joinhas" não pagam as contas. É isso mesmo: ninguém aceita mil likes como forma de pagamento de um boleto.

Sim, um canal que tem muitos seguidores e conteúdos que são muito elogiados chama a atenção. Mas isso não quer dizer necessariamente que ele consiga movimentar negócios. Você pode facilmente fazer um vídeo muito assistido na internet, mas nunca conseguir vender nada com ele.

No mundo do Marketing digital existe algo mais importante do que as mãozinhas com dedões levantados: a capacidade de conversão. Quanto os seus seguidores realmente vão colocar em prática o que você está sugerindo? Qual a sua capacidade de mudar um hábito? Quanto o seu post faz alguém se convencer a comprar o que você está oferecendo? Qual a força que a sua opinião tem para mudar o ponto de vista dos outros?

Isso vem pela relevância e pela autenticidade, e não apenas por curtidas. Saber que as pessoas engajaram com uma foto sua é importante para entender o que elas gostam. Mas esse não é o ouro. Nem o dólar. Nem o bitcoin. Usando a linguagem dessa turma, isso é, no máximo, um "biscoito".

Cuidado para não virar um "mendigo virtual" que implora por likes e faz qualquer coisa por isso. Nessa garimpada online, o valor está na consistência, na constância, na relevância e na capacidade de mobilizar a sua audiência. É para essas coisas que os investimentos reais fazem um sinal de "gostei".

nota - Felipe Tomazelli - Felipe Tomazelli
Imagem: Felipe Tomazelli

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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