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1 mês

Indígenas do Equador lideram atos contra governo apesar do estado de exceção

26/10/2021 16h22

Zumbahua, Equador, 26 Out 2021 (AFP) - O influente movimento indígena do Equador fechou algumas estradas e prepara manifestações nesta terça-feira (26) contra a política econômica do governo e em um desafio aberto ao estado de exceção em vigor no país devido à violência do narcotráfico.

Por volta da metade do dia, o porta-voz presidencial Carlos Jijón relatou a prisão de 18 pessoas pelo bloqueio de estradas em protestos que considerou de "baixa intensidade".

Em Zumbahua, no centro andino, os manifestantes fecharam o acesso a essa cidade com pedras e pneus em chamas, segundo correspondentes da AFP. Mulheres foram para as ruas com pedaços de pau e os homens com grandes pedras para dificultar a passagem.

Apesar da advertência do governo para que impedisse os bloqueios, confrontos entre as forças de segurança e os manifestantes não foram relatados oficialmente.

"Essa convocação foi feita para rejeitar tudo o que o governo nacional está impondo", disse à AFP Julio César Pilalumbo, líder de Zumbahua, na província de Cotopaxi (centro) e de maioria indígena.

"Vamos resistir e não vamos nos render a nenhuma repressão", acrescentou.

O presidente da Confederação das Nacionalidades Indígenas (Conaie), Leonidas Iza, convocou outros setores, como trabalhadores e estudantes, ao protesto que inclui uma passeata em Quito na tarde de terça-feira, sobre a qual Jijón disse que "a força pública vai garantir que a lei e a ordem sejam respeitadas".

Na capital equatoriana, a polícia isolou a sede presidencial devido à convocação de protestos em rejeição às medidas econômicas do governo conservador, que se instalou em maio.

"A paralisação representa prejuízos para os pequenos negócios, que são o sustento de milhares de famílias e lares equatorianos. Diga #NãoÀParalisação, pela reativação e prosperidade do país inteiro", tuitou o presidente Guillermo Lasso.

A revolta social voltou em um Equador abalado pelo aumento dos homicídios e massacres carcerários, que neste ano deixam mais de 2.000 mortos nesse país de 17,7 milhões de habitantes, afetado também pela depressão econômica trazida pela pandemia.

A Conaje, que em 2019 também liderou manifestações violentas contra a eliminação de subsídios aos combustíveis deixando 11 mortos, rejeita os aumentos mensais aplicados desde 2020.

O presidente decretou um novo preço do galão de giesel para 1,90 dólar, em comparação com 1 dólar que custava há mais de um ano. O preço da gasolina comum ficou em 2,55 dólares.

Ao mesmo tempo, também anunciou um congelamento indefinido dessas tarifas, o que não acalmou o descontentamento popular.

O Equador, que exporta petróleo mas importa combustíveis, encara uma crise refletida na dívida externa de quase 46 bilhões de dólares (45% do PIB) e um déficit fiscal de 5% do PIB, além de 47% de pobreza e miséria e 28% de subemprego e desemprego.

Os indígenas, que participaram da queda de três presidentes entre 1997 e 2005, exigem que o governo congele os preços em 1,50 dólar para o diesel e dois dólares para a gasolina comum.

Em meio aos distúrbios, o governo apresentará ao Congresso - controlado pela oposição - reformas tributárias e trabalhistas que buscam reativar a economia, mas as quais os sindicatos temem que precarizem o mercado de trabalho.

pld-sp/rsr/dga/fp/tt/aa/ap

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