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Migrantes protestam e bloqueiam vias no sul do México

15/09/2021 22h31

Tapachula (México), 15 set (EFE).- Cerca de 500 migrantes de diferentes nacionalidades - como Haiti, Cuba, Honduras e El Salvador - marcharam nesta quarta-feira pela cidade mexicana de Tapachula, na fronteira com a Guatemala, e bloquearam diversas rodovias.

Chegando a uma estação de migração na região, a Siglo XXI, os manifestantes exigiram que lhes fosse permitido avançar para o norte, após várias caravanas terem sido desmontadas pelas autoridades nas últimas semanas.

Eles também exigiram a demissão do representante estadual do Instituto Nacional de Migração (INM) em Chiapas, Aristeo Taboada, a quem acusaram de realizar operações duras e deportações.

Em meio aos preparativos para as celebrações do Dia da Independência no México, os migrantes caminharam com um cartaz pedindo o fim da repressão. Gritando "Queremos passar, queremos passar!", os estrangeiros andaram por cerca de 20 ruas e bloquearam a rodovia principal da região.

"Se eles não nos deixam passar, os motoristas com seus carros também não passarão", declarou um dos migrantes haitianos, que, como milhares de outros, estão retidos na região há meses.

Um dos migrantes haitianos que participou da marcha denunciou que tem o documento concedido pela Comissão Mexicana de Ajuda aos Refugiados (Comar) e o visto humanitário, razão pela qual comprou uma passagem cinco vezes para viajar para o norte do país, mas as autoridades o impediram. Outro dos caribenhos pediu para as autoridades federais deixarem-no passar com documentos legais, pois não querem ficar na cidade fronteiriça.

GRITO PELA LIBERDADE É CANCELADO.

No mesmo protesto, o diretor da ONG Pueblo Sin Fronteras, Irineo Mujica, anunciou o cancelamento do evento chamado Grito pela Liberdade, que se destinava a imitar o tradicional Grito da Independência Mexicana, celebrado em 15 de setembro por volta da meia-noite.

"Estamos vendo que o governo estadual nos baniu da região. Está tudo bem, não vamos cair em provocações", limitou-se a dizer o ativista.

Mujica ressaltou que nesta quinta serão apresentadas às autoridades para exigir melhor tratamento, e velas serão acesas como sinal de protesto e reflexão.

Nos últimos meses, a região tem registrado um fluxo migratório histórico, com 147 mil migrantes indocumentados detectados no México de janeiro a agosto, triplicando o número em 2020, e um recorde de 212 mil migrantes indocumentados detidos somente em julho pelo Serviço de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP).

Quatro caravanas de migrantes - muitos deles haitianos - deixaram Tapachula há algumas semanas, mas todas foram desmanteladas em operações das forças de segurança.

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