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Em busca de oxigênio, primeiro-ministro britânico anuncia reforma do governo

15/09/2021 16h51

Londres, 15 Set 2021 (AFP) - Após semanas de boatos, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, decidiu modificar o governo nesta quarta-feira (15) para formar uma "equipe unida" e enfrentar os desafios depois de um ano e meio de pandemia e, em plena queda de popularidade, substituiu o ministro de Relações Exteriores.

Depois de 18 meses de uma crise de saúde muito dolorosa para o Reino Unido, e após a saída muito criticada do Afeganistão, no momento em que o Brexit dificulta a chegada de produtos aos supermercados do país, o chefe de Governo conservador precisa de um balão de oxigênio.

Entre os substituídos está o chefe da diplomacia Dominic Raab, cujo cargo será ocupado agora pela ministra do Comércio Internacional, Liz Truss, de 46 anos, encarregada no Brexit de negociar os nove acordos de livre comércio prometidos por Johnson.

Raab, um liberal de 47 anos, foi muito criticado pela sua inação na crise afegã, ao permanecer de férias em Creta enquanto Cabul caía nas mãos do Talibã em meados de agosto. Depois, pareceu culpar o exército por alguns dos erros cometidos durante as evacuações.

No entanto, não vai deixar o Executivo, já que foi nomeado ministro da Justiça e vice-primeiro-ministro.

Truss será substituída por Anne-Marie Trevelyan, até agora encarregada do Desenvolvimento Internacional, à frente do Ministério do Comércio Internacional.

- Interior, Finanças e Defesa inalterados -O ministro da Educação, Gavin Williamson, foi o primeiro a confirmar no Twitter a sua saída, amplamente esperada após sua gestão dos fechamentos das escolas durante a pandemia e o posterior fiascos nos exames para universidades. Pouco depois, o ministro da Justiça, Robert Buckland, também anunciou que deixou o governo.

Embora pareça estar na corda bamba por seu fracasso na redução das chegadas de imigrantes em situação irregular através do Canal da Mancha, a ministra do Interior, Priti Pratel, conservou seu cargo.

Os ministros das Finanças, Rishi Sunak, e da Defesa, Ben Wallace, também foram mantidos nos cargos.

Michael Gove, amigo do primeiro-ministro, responsável atualmente por coordenar a ação governamental, foi nomeado ministro da Habitação e Governos Locais, encarregado de concretizar a grande promessa eleitoral de reduzir as enormes disparidades entre Londres e o resto do país.

Essa remodelação busca "criar uma equipe forte e unida para reconstruir melhor após a pandemia", afirmou uma fonte de Downing Street.

"Ontem o primeiro-ministro apresentou seu plano para administrar a pandemia de covid durante o outono e inverno. Mas o governo também deve redobrar seus esforços para atender as prioridades dos cidadãos", enfatizou. "Ele vai nomear os ministros esta tarde, com o objetivo de unir e nivelar todo o país", acrescentou.

- Queda nas pesquisas -O anúncio acontece em um momento delicado para Johnson, de 57 anos, que venceu com ampla margem as eleições gerais de dezembro de 2019, quando prometeu concretizar o Brexit, votado em um referendo em 2016, mas adiado várias vezes desde então.

Uma pesquisa recente do instituto YouGov mostra uma queda de popularidade dos conservadores (33%), superados pela primeira vez pelo Partido Trabalhista (35%) desde o início do ano.

O Executivo está pagando sobretudo por sua decisão de aumentar as contribuições à Previdência Social para resgatar o sistema público de saúde, afetado pela pandemia de covid-19, e reformar o setor de assistência social.

Isto deixou os impostos no maior nível desde a Segunda Guerra Mundial, rompendo a promessa eleitoral de Johnson de não elevar os tributos.

Na área da saúde, o governo britânico enfrenta uma situação complicada, após suspender em julho a maioria das restrições contra a covid-19, apesar da variante delta do coronavírus, que elevou o número de novos contágios a mais de 30.000 por dia.

A volta às aulas e a chegada do outono, com sua leva de vírus sazonais, como a gripe, aumentam os temores de uma situação difícil nos hospitais de um dos países europeus mais castigados pela pandemia, com mais de 134.000 mortes.

O plano do governo para enfrentar o inverno é baseado principalmente em uma campanha de vacinação de reforço contra covid-19.

E tentar a todo custo evitar novos confinamentos.

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