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Bolsonaro ameaça pilares da democracia, diz Human Rights Watch

15/09/2021 11h58

SÃO PAULO, 15 SET (ANSA) - A ONG de direitos humanos Human Rights Watch divulgou nesta quarta-feira (15) um comunicado em que acusa o presidente Jair Bolsonaro de "ameaçar os pilares da democracia brasileira".   


A nota foi publicada por ocasião do Dia Internacional da Democracia e lembra que o mandatário tentou "intimidar" o Supremo Tribunal Federal (STF) e já ameaçou "cancelar as eleições em 2022".   


"O presidente Bolsonaro, um apologista da ditadura militar no Brasil, está cada vez mais hostil ao sistema democrático de freios e contrapesos", diz José Miguel Vivanco, diretor de Américas da Human Rights Watch.   


"Ele está usando uma mistura de insultos e ameaças para intimidar a Suprema Corte, responsável por conduzir as investigações sobre sua conduta, e com suas alegações infundadas de fraude eleitoral parece estar preparando as bases para tentar cancelar as eleições do próximo ano ou contestar a decisão da população se ele não for reeleito", acrescenta.   


O comunicado da HRW cita as manifestações antidemocracia de 7 de setembro, quando Bolsonaro criticou o sistema eleitoral brasileiro - o mesmo que o elegeu - e atacou o STF, prometendo inclusive não acatar decisões do ministro Alexandre de Moraes, que conduz inquéritos envolvendo o presidente e seu entorno.   


"Em 9 de setembro, após inúmeras críticas nacionais e internacionais sobre seus posicionamentos, o presidente Bolsonaro disse em uma declaração escrita que nunca teve a intenção de 'agredir quaisquer Poderes'. Mas ele não recuou em relação à afirmação infundada de que o sistema eleitoral brasileiro não é confiável, como repetiu em 7 de setembro", afirma a HRW, citando a carta escrita com auxílio do ex-presidente Michel Temer.   


"As ameaças do presidente Bolsonaro de cancelar as eleições e agir fora da constituição em resposta às investigações contra ele são imprudentes e perigosas. A comunidade internacional deve mandar uma mensagem clara ao presidente Bolsonaro de que a independência do judiciário significa que os tribunais não estão sujeitos as suas ordens", diz Vivanco. (ANSA).   


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