PUBLICIDADE
Topo
Notícias

Notícias

"Atacamos a França, visamos a população, mas não foi nada pessoal", diz principal acusado dos ataques de 13 de novembro em Paris

15/09/2021 12h22

A frieza de Salah Abdeslam, principal acusado no processo dos atentados coordenados de 13 de novembro de 2015 em Paris, surpreendeu o público presente na sala de audiência no Palácio de Justiça da capital francesa nesta quarta-feira (15). Único membro vivo do comando que deixou 130 mortos há quase seis anos, o jihadista afirmou que o massacre foi uma resposta aos bombardeios da França contra o grupo Estado Islâmico na Síria.

A frieza de Salah Abdeslam, principal acusado no processo dos atentados coordenados de 13 de novembro de 2015 em Paris, surpreendeu o público presente na sala de audiência no Palácio de Justiça da capital francesa nesta quarta-feira (15). Único membro vivo do comando que deixou 130 mortos há quase seis anos, o jihadista afirmou que o massacre foi uma resposta aos bombardeios da França contra o grupo Estado Islâmico na Síria.

Neste sexto dia de audiência do processo dos atentados de 13 de novembro de 2015, o presidente do tribunal especial, Jean-Louis Périès, permitiu que cada um dos 14 réus fizesse uma "declaração espontânea e sucinta" dos crimes dos quais são acusados. Abdeslam foi o último a se pronunciar.

"Bom dia a todos. Por onde começar?", declarou, com uma voz calma, contrastando com seu comportamento nos primeiros dias de audiência. Com a máscara abaixada, usando uma camisa preta, o franco-marroquino falou durante cerca de cinco minutos.

"Digo para vocês: combatemos a França, atacamos a França, visamos a população, os civis, mas, na verdade não foi nada pessoal. Visamos a França e nada mais", afirmou. "O objetivo não é de colocar o dedo na ferida, mas de ser sincero", reiterou.

Segundo ele, a intenção do comando era reagir aos bombardeios da França contra o grupo Estado Islâmico. "François Hollande [presidente francês na época] disse que atacamos a França por causa de seus valores, mas isso é mentira. Os aviões franceses que bombardearam o Estado Islâmico, homens, mulheres, crianças. François Hollande sabia os riscos que corria atacando o Estado Islâmico na Síria", continuou.

Abdeslam também reclamou da maneira como os autores dos atentados são tratados durante as audiências. Segundo ele, "os terroristas, jihadistas, radicalizados" são, na verdade, "muçulmanos". "Trata-se do islã autêntico", defendeu. 

Diante da emoção das partes civis presentes na sala, muitas chorando, o franco-marroquino garantiu que "seu objetivo não é magoar". "O mínimo é falar a verdade. Dizem frequentemente que eu sou provocador, mas isso não é verdade. Quero ser sincero", concluiu Abdeslam, que completa 32 anos nesta quarta-feira. 

Revolta das vítimas

No final, algumas das pessoas que assistiram à audiência conversaram com a imprensa. Sophie Parra, de 37 anos, sobrevivente do ataque no Bataclan, não esconde sua raiva contra Abdeslam, recusando-se a pronunciar seu nome. "Ao invés de pedir desculpas, ele justificou o que fez. Acho que ele quis dar um show, ele sabe que suas afirmações terão repercussão", disse.

"Testemunharei, estou esperando para poder responder ao que ele disse. Quero dizer o que foi o 13 de novembro para mim, ver pessoas morrerem na minha frente. Contarei tudo isso para ele, vou encará-lo diretamente e espero que ele não desvie o olhar de mim", reiterou. 

Outros acusados também se pronunciaram. Alguns expressaram sua compaixão em relação às vítimas e recusaram de serem tratados como "terroristas". Outros reconheceram ter parte da responsabilidade nas acusações. Alguns também se recusaram a se pronunciar por enquanto. 

O julgamento do ataque mais violento em Paris desde a Segunda Guerra Mundial começou na última quarta-feira (8) e deve prosseguir até maio de 2022. Vinte pessoas são julgadas, seis delas, que morreram nos ataques, à revelia.

O grupo Estado Islâmico reivindicou o massacre executado em 2015 visando o Stade de France, bares e restaurantes de Paris, além da casa de shows Bataclan. Na época, uma coalizão internacional apoiava a luta contra o grupo EI na Síria e no Iraque e milhares de sírios tentavam chegar à Europa para fugir dos anos de guerra em seu país. Alguns terroristas do comando se fizeram passar por migrantes para chegar à França. 

Apesar de terem nacionalidade francesa e origem marroquina, Salah Abdeslam e o irmão, Brahim Abdeslam, que morreu ao acionar seu cinto explosivo perto de um bar de Paris em 13 de novembro de 2015, nasceram e cresceram em Bruxelas, na Bélgica. 

(Com informações da AFP)

Notícias