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Polêmico 'passaporte da covid' entra em vigor para trabalhadores na França

7 de agosto de 2021 - Protesto na França contra vacinação compulsória da covid-19 para alguns trabalhadores - Geoffroy Van Der Hasselt/AFP
7 de agosto de 2021 - Protesto na França contra vacinação compulsória da covid-19 para alguns trabalhadores Imagem: Geoffroy Van Der Hasselt/AFP

30/08/2021 12h24

A partir desta segunda-feira (30), todos os empregados que têm contato com o público deverão apresentar um passaporte sanitário para poder trabalhar. A medida encontra resistência principalmente no setor de bares e restaurantes, onde o controle dos clientes, que entrou em vigor anteriormente, já gera forte contestação.

A partir desta segunda-feira (30), todos os empregados que têm contato com o público deverão apresentar um passaporte sanitário para poder trabalhar. A medida encontra resistência principalmente no setor de bares e restaurantes, onde o controle dos clientes, que entrou em vigor anteriormente, já gera forte contestação.

Será impossível trabalhar sem o documento que traz um código QR atestando a vacinação completa, um teste negativo de covid-19 de menos de 72 horas ou a cura da doença há menos de seis meses. A exigência vale para todos os assalariados, voluntários ou terceirizados que trabalhem em locais públicos que já exigem a apresentação do passaporte sanitário dos clientes.

A lista é grande e inclui, além de bares e restaurantes, estabelecimentos de lazer e cultura, como cinemas e teatros, shoppings de mais de 20.000 m² e transportes públicos. Ao todo, 1,8 milhão de trabalhadores franceses terão que mostrar o certificado

Protestos de donos de restaurantes

Milhares de pessoas protestam há mais de sete semanas nas ruas das principais cidades francesas contra a imposição do passaporte vacinal da Covid-19 para a realização de diversas atividades no país. A ampliação da exigência do documento não é bem recebida, principalmente no setor de bares e restaurantes. Os estabelecimentos que sofreram sucessivos lockdowns impostos, já contestam a obrigatoriedade de controlar os documentos dos clientes, desde 9 de agosto. Segundo eles, a medida sufoca ainda mais o setor.

Este é o caso de um restaurante do 19° distrito de Paris, visitado pela reportagem da RFI. Nas últimas semanas, os clientes são raros por causa da meteorologia, que trouxe um tempo frio e chuvoso nesse final de verão na capital francesa, mas também da crise sanitária. Olivier, o dono do estabelecimento, não suporta mais a multiplicação de regras exigidas há um ano e meio. Descontente em ter que policiar os clientes, ele acolhe a nova imposição sobre seus empregados com ceticismo.

"Eu mesmo ainda não recebi as duas doses da vacina", assume Olivier. "É demorado. Leva três semanas no mínimo entre cada dose e estabelecer um prazo final é um pouco complicado. Não é a minha função controlar meus clientes e funcionários. Acho inacreditável ter que demitir ou suspender o salário de alguém que não se vacinou. Nunca vi isso antes", afirma.

No mesmo bairro, em um salão de beleza, a cabelereira Hinda diz que trabalha com pessoas a risco em um hospital. Para ela, também será obrigatório apresentar um passaporte sanitário a partir de agora e ela aceita voluntariamente medida. "Primeiro, tenho a responsabilidade de me proteger e depois de proteger as outras pessoas. É muito importante", garante Hinda.

Para Safi, cliente do salão, a vacina também é primordial. "Se ela não fosse vacinada, não teria vindo. Penso que existe uma tomada de consciência. Eles não vão se aventurar a trabalhar sem saber se são positivos ou não (à Covid). Isso me tranquiliza", afirma Safi.

Uma semana de tolerância

Os empregadores que recusarem controlar seus empregados riscam, em um primeiro momento, um fechamento administrativo de sete dias de seu negócio. Em caso de reincidência, pagarão multa de ? 9.000. Os trabalhadores que não puderem apresentar um passaporte sanitário podem pedir férias ou ser transferidos para um serviço que não atenda diretamente o público. Se essas duas alternativas forem impossíveis, o contrato de trabalho será suspenso.

No entanto, existem algumas exceções. Pessoas que trabalham em espaços não acessíveis ao público, fora dos horários de abertura, assim como operários e entregadores de emergência escapam da medida. A exceção também vale para os estabelecimentos que trabalham exclusivamente com entregas.

Para as pessoas que buscam emprego, daqui para frente é impossível assinar um novo contrato de trabalho sem apresentar o precioso documento.

O passe sanitário para os trabalhadores entra em vigor nesta segunda-feira, mas o governo prometeu conceder "uma semana de pedagogia e tolerância" antes de começar a aplicar as sanções.

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