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Afeganistão culpa EUA pela grave deterioração da segurança do país

02/08/2021 18h46

Cabul, 2 ago (EFE).- O presidente do Afeganistão, Ashraf Ghani, culpou nesta segunda-feira os Estados Unidos por sua decisão "abrupta" de retirar suas tropas do país e por um processo de paz "precipitado", causando a grave deterioração da situação de segurança no país onde o Talibã está em um ritmo sem precedentes.

"O motivo da nossa situação atual foi que essa decisão (retirada dos Estados Unidos) foi tomada de forma abrupta. Eu disse ao presidente dos Estados Unidos que, embora eu respeitasse sua decisão, sabia que teria consequências e que isso iria recair sobre o povo afegão", disse Ghani em uma sessão especial do Parlamento.

A decisão dos EUA de retirar suas tropas e forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) foi tomada "abruptamente", e o processo de paz, coordenado pelo enviado especial de Washington para a reconciliação afegã, Zalmay Khalilzad, foi baseado em "teorias imaturas", afirmou.

"Hoje enfrentamos um grande teste nacional", acrescentou o presidente afegão, cujo governo enfrenta a pior crise de segurança do país em duas décadas de guerra, com um avanço sem precedentes do Talibã.

O Afeganistão está enfrentando atualmente uma "agressão terrorista sem precedentes" e as forças nacionais estão lutando contra uma "aliança de terroristas, traficantes e organizações criminosas", disse Ghani, que recentemente afirmou que dezenas de milhares de terroristas estrangeiros se infiltraram no país, aproveitando a retirada dos EUA, para se juntar ao Talibã.

Lidar com os perigos "criados como resultado da retirada das tropas internacionais são agora nossa responsabilidade", disse Ghani, referindo-se ao avanço territorial dos talibãs, que colocaram sob seu controle cerca de 125 centros distritais, seis passagens de fronteira e estão sitiando várias capitais de província.

Com o início da fase final da retirada, no início de maio, os últimos três meses colocaram o país numa situação inesperada, devido "ao despreparo mútuo e a certa fragilidade das camadas médias do governo que saíram em consequência situação de incerteza e ambiguidade", reconheceu o presidente.

Além das consequências da retirada, o presidente afegão criticou abertamente o processo de paz promovido pelos EUA, que fazia parte do pacto histórico assinado por Washington e o Talibã em fevereiro do ano passado.

O acordo que os EUA assinaram com os insurgentes em Doha, e pelo qual concordaram em retirar suas tropas, "não alcançou a paz e, em vez disso, apenas se tornou um esforço para legitimar o grupo talibã e ignorar os planos de paz do governo afegão", disse ele.

"Em vez de um processo nacional e realista, este foi substituído por um processo apressado e importado, um processo que se baseava em teorias cruas e imaturas e tinha como base a pressão sobre a república e a destruição da democracia", criticou.

O Afeganistão vive um momento de extrema violência, agravada durante a fase final da retirada das tropas da coalizão.

De acordo com a Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão, entre maio e junho, pelo menos 783 civis morreram e 1.609 ficaram feridos, o que pode tornar este um dos períodos mais sangrentos do país.

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