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Youtuber que peitou Globo desafia leis com Ferrari e põe até filha em risco

Luan Galasso grava vídeo com Ferrari conversível e filha pequena no banco do carona, sem cadeirinha e com cinto mal colocado: "Espero que acelere como o papai" - Reprodução
Luan Galasso grava vídeo com Ferrari conversível e filha pequena no banco do carona, sem cadeirinha e com cinto mal colocado: 'Espero que acelere como o papai'
Imagem: Reprodução
do UOL

Alessandro Reis

Do UOL, em São Paulo (SP)

22/07/2021 04h00Atualizada em 22/07/2021 17h56

Luan Galasso, responsável pelo canal PetrolHead no YouTube, continua arriscando a própria vida e a de terceiros ao volante de carros potentes.

O youtuber, que já havia aparecido em reportagens do UOL Carros e do Fantástico (TV Globo) sobre influenciadores que postam vídeos acelerando carros acima do limite em vias públicas, segue produzindo conteúdo com disputa de rachas e aceleradas acima de 200 km/h, entre eles uma gravação em que pisa fundo em uma Ferrari levando a filha pequena no banco da frente.

Além de não estar na cadeirinha, como determina a legislação de trânsito, a criança é vista com a tira do cinto de segurança atrás das costas - supostamente para não cobrir o pescoço. No fim da gravação, Luan diz à menina:

"Espero que você cresça e acelere como o papai".

Galasso em vídeo com Ferrari F430 Spider; ele diz que carro vale mais de R$ 1 milhão e será vendido - Reprodução - Reprodução
Galasso em vídeo com Ferrari F430 Spider; ele diz que carro vale mais de R$ 1 milhão e será vendido
Imagem: Reprodução

Morador de Campo Grande (MS), em 2020 o youtuber disse à Globo que algumas das velocidades exaltadas nos títulos dos respectivos vídeos são reais, porém, em "90% das vezes" há uma edição por software ou hardware "para ter um conteúdo diferente".

Passado mais de um ano, ele mantém o discurso na abertura de cada vídeo no qual acelera acima da velocidade permitida. Contudo, logo após a reportagem do "Fantástico" ir ao ar, UOL Carros mostrou gravações a um perito, segundo o qual é possível concluir que a velocidade exibida é verdadeira.

A reportagem entrou em contato com Galasso para falar sobre as postagens, mas o youtuber não respondeu até o momento da publicação.

Carro apreendido e suposto contrabando

Galasso e Eduardo Razuk, outro youtuber automotivo da capital sul-matogrossense, são alvo desde o ano passado de inquérito da Polícia Civil pelo suposto contrabando de um Toyota Corolla com placas do Paraguai.

Razuk chegou a ser preso em abril de 2020, por suspeita de receptação desse veículo, e foi solto no mesmo dia após pagar fiança de R$ 20 mil. Em agosto do mesmo ano, a polícia apreendeu um carro de Galasso e dois de Razuk para averiguar possível adulteração não autorizada nas características originais dos automóveis. Até hoje eles permanecem retidos no pátio de uma delegacia de Campo Grande.

Fato é que, desde a aparição na Globo, a audiência e o número de inscritos do canal PetrolHead têm crescido bastante. No fim de maio de 2020, eram cerca de 170 mil. Ontem, o número passava de 615 mil. Vale destacar que o YouTube remunera os criadores de conteúdo pelas visualizações.

Nesse período, Galasso diz ter adquirido novos veículos - dentre eles, uma Toyota Hilux zero-quilômetro. Desde janeiro, ele também tem produzido conteúdo ao volante de uma Ferrari F430 Spider 2008, com quase 500 cv e preço médio de R$ 825,6 mil, de acordo com a Tabela Fipe.

Supostamente adquirido em janeiro, o conversível italiano de dois lugares seria do avô do youtuber. Foi nesse esportivo que Luan apareceu acelerando com a filha pequena no banco do carona. Dirigindo essa Ferrari, ele também gravou vídeo em alta velocidade disputando corrida com outros veículos em meio ao trânsito.

Galasso promove rachas em uma estrada perto de Campo Grande que diz ser fechada e chama de "México". No entanto, como UOL Carros já mostrou, o local tem circulação de outros veículos e entradas de garagem, caracterizando via pública.

Segundo a PRF (Polícia Rodoviária Federal), inclusive, só é permitido acelerar sem restrições em um autódromo.

O CTB (Código de Trânsito Brasileiro) determina que todas as vias terrestres, inclusive em condomínios fechados e áreas rurais, estão sujeitas à legislação, incluindo o limite de velocidade - se não houver sinalização com placa, ele é de até 80 km/h, dependendo da característica da via.

PetrolHead 'dirige' VW Passat do banco de trás

Galasso pula para banco traseiro para testar condução semiautônoma desbloqueada em VW Passat - Reprodução - Reprodução
Galasso pula para banco traseiro para testar condução semiautônoma desbloqueada em VW Passat
Imagem: Reprodução

Ficando só nos vídeos recentes, não faltam exemplos de desrespeito à lei. Além do passeio em que colocou em risco a própria filha, publicado em 8 de julho, no último dia 21 Luan chega a 195 km/h com sua Hilux no "México". A velocidade aparece no velocímetro da picape, enquanto um equipamento GPS marca "apenas" 186 km/h.

"Lembrando que é tudo editado. Acha que vou fazer curva a 170 km/h em uma Hilux? A gente tem filho para criar. Não capota, é só não aparecer um alce no caminho", diz na gravação.

Luan PetrolHead chega perto dos 200 km/h com sua picape e brinca com risco de capotamento - Reprodução - Reprodução
Luan PetrolHead chega perto dos 200 km/h com sua picape e brinca com risco de capotamento
Imagem: Reprodução

Novamente no "México", em gravação levada ao ar no dia anterior, o youtuber emparelha seus Honda Civic e Chevrolet Astra preparado e destaca que a disputa atingiu 215 km/h.

No dia 18 deste mês, ao acelerar o Volkswagen Passat de um amigo em uma rodovia, Galasso testa o modo de condução semiautônoma do sedã, desbloqueado via software, de um jeito arriscado: com o carro a cerca de 90 km/h e o parceiro no assento do carona, o youtuber tira o cinto de segurança, levanta-se e fica alguns segundos sentado no banco de trás.

"Eu sempre falo, a gente faz m..., mas com segurança. Não tem perigo, o que vai acontecer a 90 km/h?"

O que diz o YouTube

Também no 'México', Galasso quase chega no fim do velocímetro com seu Chevrolet Astra preparado - Reprodução - Reprodução
Também no 'México', Galasso quase chega no fim do velocímetro com seu Chevrolet Astra preparado
Imagem: Reprodução

Questionado, o Google, dono do YouTube, afirma que o processo de identificação de conteúdo que infrinja os termos de uso é feito por meio de robôs, além de intervenção humana, que inclui denúncias de usuários.

"O YouTube é uma plataforma de vídeo aberta e qualquer pessoa pode compartilhar conteúdo, que está sujeito a revisão de acordo com as nossas diretrizes. Qualquer usuário que acredite ter encontrado uma violação de nossas políticas pode fazer uma denúncia e nossa equipe fará a análise do vídeo. Quando não há violação à política de uso do produto, a decisão final sobre a necessidade de remoção do conteúdo cabe ao Poder Judiciário, de acordo com o que estabelece o Marco Civil da Internet", diz nota enviada à reportagem.

Quando um usuário tem vídeo deletado devido ao conteúdo contrário às diretrizes da comunidade, complementa a rede social, ele fica uma semana sem poder postar.

Se dentro de 90 dias houver reincidência, são mais duas semanas de bloqueio - chamado de "strike". Caso haja uma terceira infração dentro desse prazo, a conta e todo o seu conteúdo são removidos permanentemente.

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