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Hierarca católico renuncia nos EUA após suposto uso de aplicativo gay

Monsenhor Jeffrey Burrill renunciou após acusações de que ele teria usado o app Grindr - Divulgação/USCCB
Monsenhor Jeffrey Burrill renunciou após acusações de que ele teria usado o app Grindr Imagem: Divulgação/USCCB

21/07/2021 21h17

Um alto funcionário da Igreja Católica nos Estados Unidos renunciou ao cargo ontem depois que a imprensa revelou que ele supostamente usou um aplicativo de namoro para gays.

"A Conferência de Bispos Católicos dos Estados Unidos tomou conhecimento de informações da imprensa, pendentes de publicação, suspeitando de possível comportamento indecente de seu secretário-geral, monsenhor Jeffrey Burrill", escreveu a organização em nota.

"Para evitar que isso desvie a atenção das operações e do trabalho da Conferência, o bispo Burrill renunciou com efeito imediato", acrescentou o texto, observando que "todas as acusações de má conduta foram levadas a sério".

A Igreja Católica americana, que esteve no centro de vários escândalos de pedofilia nos últimos anos, destacou que as acusações "não se referem a conduta indecente em relação a menores".

No mesmo dia, o site de notícias católico The Pillar revelou que Burrill, um membro da Diocese de Wisconsin, usou regularmente o aplicativo de namoro gay Grindr entre 2018 e 2020 e que seu celular foi geolocalizado próximo a estabelecimentos frequentados por homossexuais.

Os usuários do Grindr, que se apresenta como "a maior rede de encontros do mundo para gays, bissexuais, trans e queer", criam um perfil com as preferências sobre seus parceiros e recebem notificações quando outro usuário está por perto.

Nomeado subsecretário-geral adjunto da Conferência dos Bispos Católicos dos EUA em 2016, e secretário-geral dois anos depois, Burrill foi responsável por coordenar a resposta da Igreja às acusações de abuso sexual contra o cardeal americano Theodore McCarrick, reveladas em junho de 2018.

O influente cardeal aposentado foi finalmente afastado do cargo em 2019.

O editor-chefe do Pillar, JD Flynn, defendeu a publicação do artigo hoje, embora Burrill aparentemente não tenha violado a legislação americana.

A divulgação de informações privadas sobre o monsenhor Burrill são "de interesse geral", argumentou.

"Os líderes da Igreja reconheceram nos últimos anos que as inconsistências entre o comportamento dos hierarcas da Igreja e a expectativa do celibato podem contribuir para uma cultura doentia e prejudicial de sigilo e encobrimento", disse ele em um comunicado à imprensa.

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