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Jornal de Hong Kong crítico à China será publicado amanhã pela última vez

23/06/2021 22h55

Pequim, 23 jun (EFE).- O jornal "Apple Daily" de Hong Kong, conhecido por sua posição crítica em relação às autoridades da China, será publicado amanhã, quinta-feira, pela última vez, enquanto sua versão digital deixará de ser atualizada à meia-noite de hoje (horário local, 13h de Brasília).

A empresa que edita o jornal, a Next Digital, assegurou que a cessação das suas atividades se deve à "situação atual em Hong Kong", onde vários dos seus executivos foram detidos nos últimos dias acusados de "conspirar com forças estrangeiras", um dos crimes tipificados na polêmica lei de segurança nacional que Pequim impôs no ano passado em Hong Kong.

As autoridades da região administrativa utilizaram a mesma acusação ao congelar os bens do jornal, o qual acusam de ter publicado mais de 30 artigos em que pediam sanções internacionais contra os governos de Pequim e Hong Kong.

A polêmica lei contempla penas de prisão perpétua para casos como secessão, subversão, terrorismo ou conluio com forças estrangeiras, e tem sido fortemente criticada pelo movimento pró-democracia de Hong Kong, que considera que a legislação não só punirá dissidentes, mas também vai acabar com a autonomia e as liberdades das quais gozava a ex-colônia britânica.

"DIA SOMBRIO EM HONG KONG".

"O fechamento forçado do 'Apple Daily' é o dia mais sombrio para a liberdade de imprensa em Hong Kong na história recente", disse Yamini Mishra, diretora regional para Ásia-Pacífico da organização de direitos humanos Anistia Internacional.

"É um ataque inaceitável à liberdade de expressão. O fato de as autoridades estarem usando a lei de segurança nacional para tornar essa operação possível mostra a natureza profundamente repressiva dessa lei", acrescentou.

Na última quinta-feira, mais de 500 policiais entraram nas instalações do "Apple Daily", apreenderam computadores e documentos e prenderam o editor e o diretor do jornal de Hong Kong, acusados de "conspiração com forças estrangeiras", o que pode levar à prisão perpétua nos termos da referida lei.

Também na semana passada, as forças de segurança de Hong Kong ordenaram o congelamento de 18 milhões de dólares de Hong Kong (US$ 2,32 milhões) de três empresas da Next Digital, o que acabou forçando o fim do jornal após 26 anos de existência.

O editor e também CEO da Next Digital, Cheung Kim-hung, e o diretor, Ryan Law, permanecem sob custódia policial e irão comparecer novamente ao tribunal no próximo dia 13 de agosto, enquanto três outros executivos presos na mesma operação foram libertados sob fiança.

O fundador do "Apple Daily", Jimmy Lai, uma das figuras mais conhecidas da oposição pró-democracia de Hong Kong, está na prisão e também enfrenta várias acusações relacionadas à lei de segurança nacional.

"ATÉ SEMPRE, HONG KONG".

As críticas do "Apple Daily" citadas pelas autoridades de Hong Kong remontam, entre outros, a textos condenando a resposta da polícia às manifestações antigovernamentais que tomaram as ruas da região administrativa durante o segundo semestre de 2019.

Essas manifestações buscaram inicialmente bloquear uma polêmica lei de extradição que poderia ter resultado em ativistas, jornalistas e dissidentes, entre outros, sendo julgados na China continental, em um sistema judicial sem garantias.

No entanto, mais tarde passaram a reivindicar uma expansão dos mecanismos democráticos da região em manifestações principalmente pacíficas, mas nas quais alguns elementos radicais acabaram entrando em confronto com agentes da lei.

"Até sempre, honcongueses. Cuidem-se", escreveu hoje em seu site a Next Digital, agradecendo aos leitores, assinantes, anunciantes e funcionários por seu apoio.

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