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Irã fecha temporariamente central nuclear de Bushehr após "falha técnica"

O país, grande produtor de petróleo e gás, deseja construir até 20 centrais nucleares para diversificar seus recursos energéticos - Heinz-Peter Bader/Reuters
O país, grande produtor de petróleo e gás, deseja construir até 20 centrais nucleares para diversificar seus recursos energéticos Imagem: Heinz-Peter Bader/Reuters

Em Teerã

21/06/2021 06h46

A única central nuclear do Irã, localizada na cidade de Bushehr (sul), foi fechada hoje por "alguns dias" após uma "falha técnica" de natureza não especificada, informou a OIEA (Organização de Energia Atômica do Irã).

"Após uma falha técnica na central Bushehr (...) foi paralisada temporariamente e desconectada da rede elétrica nacional", afirma a OIEA em um comunicado.

"Naturalmente, depois de corrigida a falha técnica, a central voltará a ser conectada à rede elétrica nacional", completa o texto.

Equipada com um reator de 1.000 MW, a central foi construída pela Rússia e iniciou as operações em 2013.

Bushehr é um porto no Golfo, mais próximo das capitais de várias monarquias da Península Arábica que de Teerã. A central, construída em uma área na qual os terremotos são frequentes, preocupa estes países.

Os países árabes do Golfo vizinhos do Irã já expressaram em várias oportunidades a preocupação com a confiabilidade da central e o risco de vazamentos radioativos em caso de um grande terremoto.

Em abril, a região de Bushehr foi abalada por um terremoto de 5,8 graus de magnitude, segundo o USGS (Centro Geológico dos Estados Unidos), que deixou cinco feridos, de acordo com a imprensa estatal iraniana.

"Todas as instalações, equipamentos e edifícios da central nuclear de Bushehr estão em perfeito estado e suas atividades não foram interrompidas pelo terremoto", afirmou na ocasião o departamento de Relações Públicas da central, citado pela agência oficial Irna.

20 centrais nucleares

De acordo com a empresa nacional de distribuição de energia elétrica, a central de Bushehr passa por trabalhos de "reparo", de natureza não revelada e que podem prosseguir até o fim de semana (sexta-feira no Irã).

A empresa pediu aos iranianos que limitem o consumo para não saturar a rede durante o período de muito calor.

Em maio, Teerã e várias cidades iranianas sofreram apagões, que a imprensa local atribuiu à seca que afetou a geração de energia elétrica, assim como à mineração de criptomoedas, uma atividade que consome muita energia elétrica.

O então presidente Hassan Rohani anunciou em maio que a mineração de criptomoedas estava proibida até o fim do verão (hemisfério norte, inverno no Brasil).

Em 2016, empresas russas e iranianas começaram a construir outros dois reatores de 1.000 MW em Bushehr.

O país, grande produtor de petróleo e gás, deseja construir até 20 centrais nucleares para diversificar seus recursos energéticos e depender menos dos combustíveis fósseis para o consumo interno.

Após anos de tensões por seu polêmico programa nuclear, O Irã assinou um acordo em 2015 com a comunidade internacional

O pacto oferecia à República Islâmica um alívio das sanções ocidentais e da ONU em troca do compromisso de que o país não desenvolveria armas atômicas e de uma drástica redução de seu programa nuclear, sob rígido controle das Nações Unidas.

Mas o acordo foi prejudicado em 2018 pela decisão do ex-presidente americano Donald Trump de abandonar o pacto e restabelecer as sanções de Washington.

Atualmente, negociações estão em curso em Viena para tentar salvar o acordo com o retorno dos Estados Unidos.

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