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Armênios escolhem novo Parlamento em eleições legislativas polarizadas

20/06/2021 10h42

Os eleitores armênios vão às urnas nesse domingo (20) para renovar o Parlamento. As eleições legislativas foram convocadas antecipadamente pelo primeiro-ministro Nikol Pachinian, após a derrota militar da Armênia para o Azerbaijão pelo controle da região de Nagorno-Karabakh, no final do ano passado.

Os eleitores armênios vão às urnas nesse domingo (20) para renovar o Parlamento. As eleições legislativas foram convocadas antecipadamente pelo primeiro-ministro Nikol Pachinian, após a derrota militar da Armênia para o Azerbaijão pelo controle da região de Nagorno-Karabakh, no final do ano passado.

Com informações de Anastasia Becchio, enviada especial da RFI à Erevã

Apesar dos mais de 2 milhões de eleitores armênios poderem escolher entre 25 listas, as eleições estão polarizadas entre dois lados: o do primeiro-ministro Nikol Pachinian e o do ex-presidente Robert Kotcharian.

Uma parte do eleitorado acredita que a Aliança Armênia, partido de Kotcharian, é o único com experiência necessária para recuperar o país e garantir a segurança após a guerra perdida para o Azerbaijão.  

Mas o ex-presidente está associado ao antigo sistema, visto como corrupto e detestado por uma parte da população. Como argumento de campanha, Kotcharian usou sua experiência política contra o primeiro-ministro, que costuma ser acusado de populismo e incompetência.

Investigado e preso por corrupção e violação da ordem constitucional três vezes desde a chegada ao poder de Pachinian, Kotcharian foi inocentado em abril. Os apoiadores do ex-presidente acusam o governo atual de "falsificação", entre eles Victor Soghomonyan, que trabalha na campanha do candidato da Aliança Armênia. "Eles não conseguiram provar a culpa de Kotcharian", afirma.

Apesar de ter se retirado da cena política nos últimos anos, Kotcharian espera vencer seu rival com apoio do mundo empresarial e ca administração, por conta de sua proximidade com o presidente russo, Vladimir Putin.

Armênia humilhada

Enquanto Kotcharian aparece como um "salvador", Pachinian simboliza uma Armênia humilhada após a derrota no conflito pela região montanhosa do Karabakh, estratégica para a exportação de gás natural da Rússia. Muitos armênios não perdoaram o primeiro-ministro pelas mortes no conflito e por ter assinado um cessar fogo em 9 de novembro de 2020, que levou a grandes perdas territoriais.

Eleito chefe de governo em 2018, após a pacífica Revolução de veludo, e com a promessa de tirar as elites corruptas do poder, Pachinian também perdeu sua popularidade por conta das promessas de campanha não cumpridas.

O governo "não soube realizar as reformas nos órgãos encarregados da aplicação das leis e do sistema judiciário", constata Sona Ayvazyan, diretora executiva do Centro transparência internacional anticorrupção em Erevã.

"Eles estavam confiantes, pensavam que ficariam no poder por uma década e que teriam tempo para fazer reformas, mas se enganaram", explica Ayvazyan.

Na falta de pesquisas confiáveis, o resultado das eleições é incerto, após uma campanha particularmente tensa. O presidente armênio Armen Sarkissian denunciou recentemente o ódio que divide o país e pediu ao povo que vote de maneira justa e livre.

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