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Chevette 'casamenteiro' é recomprado por casal 22 anos após bancar bodas

do UOL

Abinoan Santiago

Colaboração para o UOL

19/06/2021 04h00

Apaixonado por carros antigos, o analista de logística Ângelo Balsanelli, de 42 anos, surpreendeu a esposa com um presente inusitado para celebrar os 20 anos de casamento, em Campo Largo, região metropolitana de Curitiba.

O paranaense decidiu iniciar uma caçada em busca do primeiro carro, um Chevette modelo 1980, adquirido aos 17 anos. O veículo, segundo Balsanelli, tinha um valor sentimental para o relacionamento, pois foi através da venda do automóvel que ambos puderam iniciar a construção de uma casa para oficializar a união.

"Comecei a trabalhar ainda na adolescência e juntei dinheiro para um Fusca, mas meu pai apareceu com o Chevette. Como estava bem bonito na época, acabei me apaixonando. Fiquei com ele até os 20 anos, quando vendi para comprar um terreno para construir nossa casa, já que iríamos nos casar em dois anos", relatou ao UOL Carros.

Apesar da venda, o carro sempre foi considerado um xodó para Ângelo e Regiane Balsanelli, de 42 anos. Para celebrar duas décadas de matrimônio, o analista de logística passou a procurá-lo em 2020 a fim de presentear a esposa com o veículo.

Com a lembrança da numeração da placa, Ângelo descobriu, em agosto de 2020, através de um despachante, que o Chevette 1980 permanecia em circulação e mais perto do que poderia imaginar.

"O carro se encontrava próximo de casa, no máximo dois quilômetros de distância e abandonado em um quintal. Achei a irmã do dono no Facebook e comecei a negociar. (...) No dia que peguei o carro, falei que tinha sido o meu primeiro. A pessoa até disse que se soubesse antes poderia até cobrar mais pelo valor sentimental que representava para mim", recorda.

Presente custou mais de R$ 30 mil

Considerado um clássico da Chevrolet, o Chevette modelo 1980 era uma das versões mais luxuosas da linha e se diferenciava pelos acabamentos. As condições do carro encontrado por Ângelo, contudo, não parecia em nada com o sedã sensação de décadas passadas.

Em razão do estado de depreciação, o analista de logística comprou novamente o primeiro carro pela cifra de R$ 4,5 mil. Ao fim da restauração, os reparos ficaram em R$ 28 mil, valor seis vezes superior ao desembolsado para adquiri-lo pela segunda vez. Somado a isso, ainda foi necessário pagar R$ 500 em multas.

Ângelo diz que a recuperação do veículo abrangeu os sistemas elétrico e mecânico, reforma dos bancos, colocação de quatro rodas e pneus novos, troca de volante e acessórios, além de contemplar pintura e funilaria e mudança de um motor 1.4 para 1.6.

"A única coisa que não ficou original é o motor, que de 1.4 agora é 1.6, além das rodas e volante. O resto é tudo restaurado de fábrica", garante.

Presente adiado, mas entregue com emoção

Ângelo comprou o carro em agosto e a intenção era ficar pronto até o dia da celebração dos 20 anos de casamento, comemorado em 16 de setembro de 2020. Só que a dificuldade na restauração fez a entrega do presente ser adiada para abril deste ano.

Apesar do adiamento, a surpresa ainda permaneceu de pé, já que o analista de logística não contou à esposa que havia comprado o carro. Sem a companheira desconfiar de nada, preparou um café da tarde, chamou amigos e parentes e apareceu com o Chevette.

"Era para dar de presente à minha esposa pelos nossos 20 anos de casados, mas acabou que não deu certo na data. Quando o carro ficou pronto, ele ainda ficou dois dias na casa de um amigo enquanto preparava a surpresa. A reação dela ao vê-lo foi gratificante e até chorou porque se lembrou do nosso início de namoro. Boa parte do passeio desse período aconteceu dentro desse carro", comemora.

Para Ângelo, a emoção proporcionada à esposa valeu o empenho na caçada ao carro e dinheiro investido na reforma.

"Valeu cada centavo. O carro está 'zerado' e circula bem", ratifica o analista de logística, que agora, reúne na garagem o Chevette 1980 e um Opala Luxo 1976. A intenção é deixá-los como patrimônios aos filhos gêmeos de nove anos para os veículos perpetuar gerações na família.

"A nossa ideia é repassar o Chevette para a filha e o Opala para o menino", concluiu.

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