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América do Sul quer movimentar caixa do turismo apesar da pandemia

19/06/2021 03h08

Claudia Polanco Yermanos.

Bogotá, 18 jun (EFE).- A América do Sul se diz pronta para fazer com que a caixa registradora de sua economia, abalada pela pandemia da Covid-19, volte a girar através da reativação do turismo, uma tentativa que promete ser agressiva e que ocorrerá mesmo em meio a uma dura batalha que a região trava contra o coronavírus.

Em um primeiro passo para divulgar sua oferta aos turistas do mundo inteiro, representantes de Brasil, Chile, Argentina, Peru e Colômbia se encontraram nesta semana na 40ª Mostra de Turismo da Associação Colombiana de Agências de Viagens e Turismo (Anato), que termina hoje em Bogotá.

Na primeira feira realizada na América Latina desde 2020, a "normalidade" mudou por causa da pandemia. Ficou claro que os motores do renascimento já estão ligados, e prova disso é que, até hoje, esses cinco países aplicaram 124.651.417 doses de vacinas contra a Covid-19, segundo a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas).

BRASIL QUER FAZER DO TURISMO SEU MOTOR.

O Brasil recebeu 6,3 milhões de turistas internacionais em 2019, dos quais 3,6 milhões eram procedentes dos vizinhos da América do Sul. Recentemente, o ministro do Turismo, Gilson Machado Neto, declarou que o setor, que emprega 7 milhões de brasileiros, tem a capacidade de crescer mais e se tornar o motor da economia.

Para se livrar das perdas, o país está finalizando os detalhes para reabrir as portas de seus 45 mil hotéis e assim reduzir o colapso histórico das atividades turísticas, que atingiu 36,7% em 2020.

Nesse sentido, o coordenador de marketing do estado do Ceará, Thiago Marques, considerou importante saber que "embora quase tudo esteja funcionando, existem regras".

"Dependendo dos números da pandemia e da situação em cada estado, hotéis, parques e restaurantes, por exemplo, têm uma capacidade de 50% em algumas cidades e 80% em outras. E o mesmo vale para o tempo até que eles possam ser abertos porque, embora precisemos da reativação, temos que dar confiança e segurança ao visitante", comentou Marques em entrevista à Agência Efe.

CHILE DEMONSTRA CALMA PARA RETORNO.

O Chile se tornou um modelo mundial por ter uma das mais altas taxas de vacinação, com mais de 9,2 milhões de seus 19 milhões de habitantes com todas as doses necessárias para a imunização completa.

"Embora seja tremendamente importante reavivar o turismo, hoje o país está aberto, mas com certas restrições à entrada de saúde", ponderou a diretora da ProChile na Colômbia, Marcela Aravena.

A esse respeito, ela admitiu que a quarentena de dez dias obrigatória para turistas atualmente deixa o país menos convidativo. Por outro lado, prometeu que tudo estará pronto para quando o Chile voltar a ser mais atrativo.

Enquanto o coronavírus perde força, o país se prepara para estar 100% aberto para receber os quase 5 milhões de viajantes que visitam o território chileno a cada ano, em média.

"Em 2022, veremos os frutos de uma série de atividades internacionais presenciais nas quais representantes de nosso país participaram para promover o turismo e com os quais esperamos aumentar o total em 5%", acrescentou Aravena.

Àqueles que escolherem o Chile como destino serão oferecidos, entre outras atrações, as Torres del Paine no sul do país, as rotas do vinho na região central e o Deserto do Atacama, o mais seco do mundo, ao norte.

ARGENTINA LIDERA REATIVAÇÃO.

O secretário-executivo do Instituto Nacional de Promoção do Turismo da Argentina, Ricardo Sosa, destacou que seu país quer "liderar o renascimento do turismo na América Latina".

"Na Espanha durante a Fitur (Feira Internacional de Turismo), as empresas nos disseram que há uma demanda contida para toda a região, e por isso estamos trabalhando com uma visão de médio e longo prazo", revelou.

Justamente a Argentina esteve presente na Anato como convidada de honra e com a cabeça erguida depois de ter conquistado o reconhecimento na feira espanhola pela campanha realizada na temporada de verão, onde mais de 15 milhões de turistas foram mobilizados internamente sem surtos maciços de contágio.

COLÔMBIA SE DIZ PRONTA PARA VOLTAR A NÚMEROS RECORDES.

O ano de 2019 foi de números recordes para o turismo na Colômbia. O total de visitantes não-residentes chegando ao país foi de 4.515.932, um crescimento de 2,7% em comparação aa 2018.

"Apesar disso, enfrentamos uma situação sem precedentes, na qual fomos forçados a agir de forma oportuna para encontrar alívio que permita às agências de viagem subsistir e manter seus negócios em funcionamento", afirmou à Efe a ministra do Comércio, Indústria e Turismo, Maria Ximena Lombana.

Uma pesquisa realizada pela Anato mostrou que as empresas reduziram o número de funcionários em 36%. Para avançar, o setor segue as orientações do Ministério da Saúde. "Está claro que a atração de turistas estrangeiros dependerá não apenas do progresso da vacinação na Colômbia, mas do que acontece em seus países", ponderou a ministra.

Por enquanto, a "Análise de Variação de Tarifas de Hotel e Aviação", realizada pela empresa de consultoria KPMG, mostra que há um fortalecimento das oportunidades em "viagens tranquilas, sem horários de reuniões e conectando o viajante com o destino, além de 'micro-férias' e espaços que permitem trabalhar e viajar ao mesmo tempo".

PERU SE PREOCUPA COM BIOSSEGURANÇA.

De acordo com projeções feitas pelo Ministério do Comércio Exterior e Turismo do Peru, espera-se que até o final de 2021 1,37 milhão de turistas tenham chegado, e que em 2022 esse número suba para 1,94 milhão.

Além do interesse despertado por sua história milenar, cerca de 30 destinos têm o selo Safe Travels, do Conselho Mundial de Viagens e Turismo, que certifica que eles cumprem todos os padrões internacionais de higiene e biossegurança.

Assim, segundo a diretora da PromPerú para a Colômbia, Soledad Campos, o coronavírus tornou o setor resiliente e levou a repensar de forma mais segura e sustentável.

"Isso se refletirá em uma experiência de viagem segura e confiável, respeitando os protocolos de biossegurança e trabalhando em conjunto com o setor privado, para que toda a cadeia recupere seu reconhecido nível de trabalho e receba os estrangeiros de braços abertos quando eles decidirem viajar pela América do Sul", destacou.

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