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Guedes critica 'excessos' no prato do brasileiro em fala sobre desperdício

Guedes disse que a reformulação de políticas sociais poderá incluir incentivos para reduzir o volume de alimentos que acabam no lixo - Washington Costa/Ministério da Economia
Guedes disse que a reformulação de políticas sociais poderá incluir incentivos para reduzir o volume de alimentos que acabam no lixo Imagem: Washington Costa/Ministério da Economia

Lorenna Rodrigues, Fabrício de Castro e Isadora Duarte

Brasília e São Paulo

17/06/2021 21h25Atualizada em 18/06/2021 15h38

O governo federal quer reduzir o desperdício de alimentos no Brasil. Instados a falar sobre o assunto em evento da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), os ministros da Agricultura, Tereza Cristina, e da Economia, Paulo Guedes, se comprometeram a montar um grupo de trabalho para adotar medidas sobre o assunto.

No evento, Guedes disse que a reformulação de políticas sociais, em estudo pelo governo, poderá incluir incentivos para reduzir o volume de alimentos que acabam no lixo. O ministro criticou os "excessos" nas refeições dos brasileiros.

"Quando você vê um prato da classe média europeia, que já enfrentou duas guerras mundiais, são pratos relativamente pequenos. E os nossos aqui nós fazemos almoços em que muitas vezes há uma sobra enorme. Até o final da refeição da classe média alta há excessos", comentou.

De acordo com o ministro, é preciso facilitar a conexão entre políticas sociais e o fim dos desperdícios. "Precisamos dar incentivos para o que é jogado fora possa ser endereçado aos mais necessitados", afirmou.

No mesmo evento, a ministra Tereza Cristina disse que a redução do desperdício de alimentos precisa ser trabalhada de forma mais objetiva e com maior celeridade pelo governo federal. "Especialmente na parte regulatória. Proponho que montemos um grupo interministerial, junto com ministério da Economia e da Cidadania, e em 15 dias voltamos a apresentar uma solução", afirmou. Já escolado por ser cobrado por prazos não cumpridos, Guedes falou de um prazo maior, de até 60 dias.

Sobre as questões regulatórias, a ministra apontou que alguns pontos da legislação podem ser revistos como o tempo de validade dos alimentos. "Temos certos exageros na legislação sobre os quais podemos fazer adaptação, sem precarizar e respeitando o que o mundo pensa. Podemos rever a legislação para melhorar uma série de gargalos, principalmente quanto à validade dos alimentos", apontou Tereza Cristina.

Na avaliação de Tereza Cristina, a pandemia de covid-19 trouxe à tona o tema do desperdício alimentar de forma mais perceptível. "Há muito tempo que precisávamos trabalhar o desperdício alimentar de parte mais objetiva. Precisamos agir rapidamente", comentou.

Bolsa Família

Guedes disse ainda que o ministro da Cidadania, João Roma, está desenhando novos programas sociais. Neste momento, o governo discute a reformulação do Bolsa Família e o presidente Jair Bolsonaro chegou a anunciar que o programa pagará em média R$ 300 a partir de dezembro, mas técnicos do governo ainda discutem como esse reajuste pode caber no Orçamento do ano que vem.

"Nosso governo está coerente, trabalhando muito junto, equipe muito unida para manter a cadeia produtiva funcionando", afirmou o ministro. No mesmo evento, Roma disse apenas que o governo pretende apresentar propostas para o "fortalecimento" de seus programas sociais.

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