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Biden-Putin: seis meses de troca de farpas

15/06/2021 10h47

Paris, 15 Jun 2021 (AFP) - O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, que se reunirá na quarta-feira (16) em Genebra com seu colega russo Vladimir Putin, mostrou desde sua eleição uma grande firmeza contra o russo, o que provocou comentários ofensivos que deram muito o que falar.

- "Retórica muito agressiva" -"Disse claramente ao presidente Putin, de uma forma muito diferente que meu antecessor (Donald Trump), que o tempo em que os Estados Unidos se sujeitavam aos atos agressivos da Rússia (...) acabou", alertou Biden em 5 de fevereiro.

Ele citou a interferência russa nas eleições americanas, os cibertaques e "o envenenamento de cidadãos", em referência ao opositor Alexei Navalny.

"Não hesitaremos em fazer a Rússia pagar um preço muito alto e em defender nossos interesses", acrescentou.

No dia seguinte, a porta-voz da Presidência russa respondeu: "É uma retórica muito agressiva e não construtiva, nós lamentamos".

- Putin é um "assassino" -Em uma entrevista televisiva, Biden provocou a primeira crise diplomática de seu mandato.

- "Você acha que (Putin) é um assassino?", perguntou o jornalista.

- "Sim, eu acho", respondeu Biden, sem especificar se era uma referência a Navalny. "Você verá em breve o preço que ele vai pagar".

Questionado sobre as interferências eleitorais da Rússia em 2016 e 2020, ele repetiu que Putin "pagará as consequências".

"Tivemos una longa conversa, ele e eu, eu o conheço bem", disse o governante democrata. "Eu disse a ele: 'conheço você e você me conhece, se eu concluir que você fez isso, esteja preparado" para enfrentar as consequências, acrescentou.

O governo russo convocou seu embaixador nos Estados Unidos para consultas naquele momento.

- "Quem muito fala, é" -No dia seguinte, Putin respondeu ironicamente: "Quem muito fala, é! Não é só uma expressão infantil, uma brincadeira (...). A pessoa sempre vê no outro as suas próprias características", insistiu.

"Nós defenderemos nossos próprios interesses e trabalharemos com (os americanos) em condições que nos sejam vantajosas", acrescentou.

Putin propôs uma "conversa" transmitida ao vivo: "Será interessante para o povo russo, para o povo americano e para muitos outros países".

Os Estados Unidos não responderam.

"Esta é outra chance desperdiçada para sair do beco sem saída nas relações russo-americanas, por culpa de Washington", lamentou o governo russo.

- "Chegou a hora da desescalada" -Em 15 de abril, Biden assinou sanções contra a Rússia "se continuar interferindo na nossa democracia", uma referência ao gigantesco ciberataque de 2020.

As sanções, as mais duras desde o governo de Barack Obama, se juntam às medidas adotadas em março após o caso de Navalny.

"Chegou a hora da desescalada", disse, ao propor um encontro de cúpula bilateral "este verão na Europa" para "iniciar um diálogo estratégico sobre a estabilidade" em questão de desarmamento e segurança.

- "Espero e acredito nisso" -Em 4 de maio, Biden disse novamente que esperava se reunir com seu colega russo. "Espero e acredito nisso. Trabalhamos para isso", manifestou.

Em meados de abril, propôs um encontro. Putin deixou que seu porta-voz respondesse e o Kremlin afirmou que estava analisando as "datas concretas".

- "Eles violam os direitos " -"Vou me encontrar com o presidente Putin em duas semanas em Genebra", anunciou Biden em 30 de maio."E direi claramente a ele que não ficaremos de braços cruzados enquanto eles violam os direitos (humanos)".

"Não estamos nos iludindo e não tentamos dar a impressão de que haverá um avanço, ou decisões históricas que provoquem mudanças fundamentais", respondeu em 1º de junho o ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov.

- "Machista" -Respondendo no sábado passado a uma pergunta sobre a crítica de "assassino" que recebeu de Biden, Putin deu uma risada e disse: "Estou acostumado aos ataques de todas as partes que usam qualquer pretexto e motivo (...) nada me surpreende". Putin afirmou que a palavra "assassino" é um termo "machista" próprio de Hollywood.

Este tipo de discurso "faz parte da política americana, na qual é considerado algo normal. Mas aqui não é", acrescentou.

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