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Sem acordo tarifário, reunião de chanceleres do Mercosul é novamente adiada

14/06/2021 21h13

Buenos Aires, 14 jun (EFE).- A reunião de chanceleres do Mercosul prevista para esta terça-feira, em Buenos Aires, para abordar a estratégia comercial do bloco e que havia sido postergada por uma semana, foi adiada novamente, sem data definida, em meio à falta de acordo em relação às mudanças na tarifa comum, confirmaram à Agência Efe fontes do Ministério das Relações Exteriores da Argentina.

Na reunião, que também contaria os ministros da Economia dos quatro países-membros, seria discutida a revisão da Tarifa Externa Comum (TEC) e a agenda das negociações externas, em um momento de fortes divergências de opinião entre a Argentina - que detém a presidência semestral do bloco - e Brasil e Uruguai.

SEM DATA PARA NOVA REUNIÃO.

Segundo as fontes, a razão para o novo adiamento é que o governo do presidente argentino, Alberto Fernández, fez uma "nova contraproposta" relativa à tarifa para os países do bloco "e ainda não houve resposta". Sendo assim, a reunião está descartada até que seja alcançado um acordo "mínimo".

Esta proposta visa ampliar a redução "de 10% para 75% dos produtos e estipula prazos diferentes para o início da mesma, de acordo com cada país".

A Tarifa Externa Comum (TEC), estabelecida em 1994 e cujo processo de análise começou há dois anos, é fixada e em um máximo de 35%, mas a média aplicada é de 12%, em comparação com uma média global de 5,5%.

Enquanto o Brasil pede uma redução tarifária substancial e ampla, a Argentina prefere reduções mais moderadas e seletivas que não afetem os fabricantes nacionais que não são capazes de competir com as importações de outros mercados.

Além disso, Uruguai e Brasil argumentam sobre a necessidade de flexibilizar as regras que impedem os membros do Mercosul de negociarem acordos comerciais com outros mercados de forma independente, e a Argentina insiste na unidade.

TENSÃO ENTRE OS MEMBROS.

A reunião anterior dos ministros das Relações Exteriores e Economia dos membros do Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai) ocorreu em 25 de abril, um mês depois de ficarem claras as diferenças durante a cúpula presidencial para comemorar o 30º aniversário de criação do grupo.

Nessa reunião, também virtual, o presidente uruguaio, Luis Lacalle Pou, advertiu que o Mercosul "não pode e não deve ser" um "fardo" para os integrantes.

Em resposta, Alberto Fernández - que segue uma política mais centrada na restrição das importações para reforçar a indústria local - rejeitou a ideia do uruguaio, que, na sua opinião, "pouco faz para ajudar a unidade", e foi categórico: "Não queremos ser o fardo de ninguém. Se formos um fardo, que peguem outro barco", comentou.

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