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1 mês

Otan inicia reunião de cúpula que busca reconstruir relações e superar divergências

14/06/2021 09h59

Bruxelas, 14 Jun 2021 (AFP) - Os líderes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) iniciaram, nesta segunda-feira (14), uma reunião de cúpula em Bruxelas que marca o reencontro com os Estados Unidos, um aliado estratégico a respeito do qual os europeus continuam divididos.

Com esta reunião, "abrimos um novo capítulo" na história da aliança militar, afirmou o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, ao iniciar os trabalhos.

O presidente americano, Joe Biden, reiterou nesta segunda sua intenção de "revitalizar" a relação dentro da poderosa aliança militar, com o objetivo de superar as tensões registradas durante o mandato de seu antecessor Donald Trump.

"Quero ser muito claro: a Otan tem importância capital para nossos interesses e por si mesma", disse Biden, que voltou a mencionar uma "obrigação sagrada" de seu país com a aliança.

O presidente do Estados Unidos também advertiu que a Otan enfrenta novos desafios representados por Rússia e China.

"Eu penso que há um reconhecimento crescente nos últimos anos de que temos novos desafios. Nós temos a Rússia, que não está agindo de maneira consistente com o que esperávamos, assim como a China", disse.

Neste sentido, Stoltenberg afirmou nesta segunda-feira que "não haverá uma nova guerra fria com a China, mas devemos enfrentar os desafios representados pela China à nossa segurança".

Washington mantém Pequim no centro de suas preocupações, mas os europeus estão mais concentrados na difícil relação com a Rússia.

O conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, Jake Sullivan, afirmou que a declaração a ser divulgada ao final da reunião de cúpula mencionará a China, mas que "a linguagem não será incendiária".

- Prioridades -Para o núcleo europeu da Otan, a "prioridade número um" na definição de uma estratégia de longo prazo é uma reflexão profunda sobre a Rússia.

"Queremos enviar uma mensagem importante a Moscou: estamos unidos, e a Rússia não conseguirá nos dividir", afirmou Stoltenberg.

Na visão dos países europeus, a decisão de Washington e de Moscou de abandonarem tratados sobre controle de forças nucleares deixa a região mais vulnerável.

Outro tema de tensão permanente nas discussões da Otan é o papel da Turquia, um aliado difícil que, no entanto, pode desempenhar um papel central no futuro imediato do Afeganistão.

Após o anúncio por parte da Aliança do Atlântico Norte de que vai deixar o Afeganistão depois de duas décadas, a Turquia afirmou que está disposta a assumir a segurança do aeroporto de Cabul, um local essencial em qualquer cenário.

Biden pretende manter um encontro com o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, para abordar o tema.

O presidente americano e os aliados da Otan também estão em uma corrida contra o tempo para reconstruir a unidade sobre o Afeganistão, depois que o governo Trump anunciou a retirada do país sem consultar os outros membros da aliança militar.

- Financiamento -A delicada questão do financiamento da Otan estará presente nas discussões.

O assunto explodiu quando Trump reclamou publicamente que os países europeus não contribuíam com recursos suficientes para a Otan. Desde então, a discussão prosseguiu de maneira mais discreta.

A Otan é composta de 21 países da Europa, mas apenas oito cumpriram nos últimos anos o compromisso de destinar 2% de seu Produto Interno Bruto (PIB) para gastos militares. Em um período de crise de saúde global, a meta parece longe da realidade.

Stoltenberg chegou a apresentar uma iniciativa para que a aliança militar tenha fundos comuns para poder "gastar mais e melhor".

A ideia recebeu o apoio da Alemanha, país que não destina 2% de seu PIB à defesa, e fortes críticas da França, que cumpre a meta.

A expectativa é que Biden reduza um pouco o tom usado por Trump para criticar a contribuição financeira europeia. Ele deve, no entanto, pressionar os países do Velho Continente e o Canadá para que alcancem a meta de 2% do PIB destinados ao setor de defesa.

ahg/zm/fp/tt

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