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Análise: França "não deixará vazio para terroristas ocuparem" no Mali e espera mais colaboração

11/06/2021 12h44

O anúncio da redução da presença militar francesa no Mali, após mais de oito anos de missão, representa uma mudança da estratégia de Paris no combate ao terrorismo na região do Sahel. A decisão de fechar bases e promover uma reorganização das tropas instaladas no país, revelada pelo presidente Emmanuel Macron nesta quinta-feira (10), visa pressionar outros parceiros locais e internacionais a reforçarem a sua atuação.

O anúncio da redução da presença militar francesa no Mali, após mais de oito anos de missão, representa uma mudança da estratégia de Paris no combate ao terrorismo na região do Sahel. A decisão de fechar bases e promover uma reorganização das tropas instaladas no país, revelada pelo presidente Emmanuel Macron nesta quinta-feira (10), visa pressionar outros parceiros locais e internacionais a reforçarem a sua atuação.

A diretora do programa Sahel do Instituto de Estudos de Segurança de Bamaco, Ornella Moderan, ressalta que a presença francesa, de mais de 5 mil homens, vai ser reduzida mas não será encerrada: deve permanecer de maneira reconfigurada, com forças mais especializadas.

"Não haverá um vazio para os terroristas ocuparem. O fato de que essa reconfiguração acontecer agora vai colocar as autoridades do Sahel diante das suas responsabilidades, para que elas assumam o controle de algumas questões cruciais ligadas à segurança", frisa a pesquisadora, em entrevista à RFI.

O anúncio de Macron ocorreu logo após um segundo golpe no Mali em menos de um ano, que estremeceu as relações entre a França e o país africano e acelerou a reflexão que Paris já vinha fazendo desde o início de 2020 sobre o futuro da missão Barkhane. O líder francês deseja que a luta antijihadista na região se fortaleça em torno de uma "aliança internacional" com parceiros europeus.

Para Moderan, o anúncio "pode encorajar outros parceiros a agir mais, se não quiserem ver a situação se degradar". "As tropas francesas são, de fato, a coluna vertebral desta atuação, mas agora a França quer estar menos sozinha nesse combate", destacou. A colaboração se dará no âmbito da operação europeia Takouba, lançada na região em março de 2020.

População dividida

As autoridades do Mali perderam há anos o controle sobre regiões vazias do país. Mesmo assim, nas ruas de Bamako, a população se divide diante da notícia. "Não podemos avançar nesse combate sozinhos. A França deve permanecer, continuar a nos ajudar, com outros métodos, formando os nossos soldados e trabalhando junto conosco para que a guerra acabe", disse um morador ao correspondente da RFI Kaourou Magassa. Outro habitante considera o anúncio uma boa decisão. "França está sempre se metendo nos nossos assuntos. Ela deveria agir de maneira neutra em relação à gente e deixar os malineses resolverem entre eles", defendeu.

A França quer abrir mão da segurança de grandes áreas, nas quais os Estados não conseguem se impor, e se concentrará na luta antijihadista. "A forma da nossa presença não está mais adaptada à realidade dos combates", frisou Macron. "Sou obrigado a constatar que, em vários Estados da região, não houve um novo engajamento dos líderes para retomar o controle estatal e dos governos nas zonas que liberamos do terrorismo. Não é o papel da França substituir os Estados para sempre", acrescentou o presidente francês.

Um fonte próxima da cúpula do governo indicou à agência AFP que, em 2023, cerca de 2.500 soldados franceses estarão na região - menos da metade das tropas atuais.

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