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Congressista muçulmana americana polemiza ao comparar EUA e Israel ao Talibã

10/06/2021 20h21

Washington, 10 Jun 2021 (AFP) - A congressista americana Ilhan Omar enfrentou uma onda de críticas dentro e fora de seu partido nesta quinta-feira (10), depois de acusar os Estados Unidos e Israel de "atrocidades impensáveis", comparáveis às realizadas pelo movimento islâmico palestino Hamas e pelo Talibã.

Omar, que em 2016 se tornou uma das duas primeiras legisladoras muçulmanas a ser eleita para o Congresso dos Estados Unidos, gerou grande desconforto em membros de seu Partido Democrata no passado com comentários rotulados de antissemitas ou anti-Israel.

Mas congressistas republicanos e democratas aproveitaram as recentes críticas de Omar aos Estados Unidos para exigir esclarecimentos ou para pedir abertamente que ela fosse retirada dos comitês da Câmara dos Representantes dos quais participa.

Doze congressistas judeus democratas publicaram uma carta aberta de desaprovação contra a integrante de seu próprio partido.

"Os Estados Unidos e Israel são imperfeitos e, como todas as democracias, às vezes merecem críticas, mas falsas equivalências endossam grupos terroristas", escreveu o grupo, liderado por Brad Schneider, de Illinois. "Instamos a congressista Omar a esclarecer suas palavras."

Em uma audiência na Câmara dos Representantes na segunda-feira, Omar, que nasceu na Somália e chegou aos Estados Unidos como refugiada em meados da década de 1990, questionou o secretário de Estado, Antony Blinken, sobre a responsabilidade pelas vítimas de crimes contra a humanidade.

"Vimos atrocidades impensáveis cometidas pelos Estados Unidos, Hamas, Israel, Afeganistão e os talibãs", tuitou em seguida a congressista de 38 anos.

Em meio à polêmica, a cúpula democrata na Câmara dos Representantes liderada por Nancy Pelosi emitiu uma reprimenda pública incomum contra uma correligionária.

"Estabelecer falsas equivalências entre democracias como as de Estados Unidos e Israel e grupos envolvidos no terrorismo como o Hamas e o Talibã fomenta o preconceito e mina o progresso em direção a um futuro de paz e segurança para todos", disse.

O principal republicano da Câmara dos Representantes, Kevin McCarthy, foi ainda mais veemente.

"Os comentários antissemitas e antiamericanos da congressista Omar são abomináveis", criticou.

"O fracasso contínuo da presidente Pelosi em tratar das questões em sua bancada envia uma mensagem ao mundo de que os democratas são tolerantes com o antissemitismo e simpatizam com os terroristas", acrescentou.

"É hora da presidente agir", concluiu.

Omar tem sido um alvo regular da ira dos republicanos e do ex-presidente Donald Trump, que no passado a chamou de "antissemita fanática".

- "Demonização" -Omar, que criticou repetidamente as políticas de Israel em relação aos palestinos, recuou nesta quinta-feira, alegando que seus comentários estavam relacionados a um caso aberto no Tribunal Penal Internacional (TPI).

Mas, para a fúria de seus colegas, Omar emitiu um comunicado insistindo que não havia feito "uma comparação moral" entre os Estados Unidos, Israel, Hamas e o Talibã.

"De forma alguma eu estava equiparando as organizações terroristas a países democráticos com sistemas judiciais enraizados", se defendeu.

Mas legisladores de ambos os lados continuaram os ataques contra Omar.

O senador republicano Tom Cotton disse que Omar, uma cidadã naturalizada americana, poderia "ir embora" se acreditasse que os Estados Unidos eram tão detestáveis quanto o Talibã ou o Hamas.

"Ela deve ser removida dos comitês imediatamente", pediu Cotton, coincidindo com vários republicanos da Câmara dos Representantes que estão exigindo que medidas sejam tomadas contra a democrata, especialmente deixando-a de fora do influente Comitê de Relações Exteriores.

Mais democratas também começaram a pedir a Omar para moderar sua retórica.

"Ela deveria recuar", afirmou o congressista John Garamendi à CNN. "Esse tipo de linguagem incita a violência aqui nos Estados Unidos".

Os ataques antissemitas aumentaram dramaticamente em maio nos Estados Unidos, em meio à escalada da violência entre Israel e o Hamas, de acordo com a Liga Antidifamação (ADL), que combate o antissemitismo e o racismo.

Omar foi endossada por outra muçulmana no Congresso, Rashida Tlaib, que denunciou uma "demonização" da correligionária.

"Estou bastante cansada da difamação constante, má caracterização intencional e crítica pública constante contra Ilhan Omar em nossa própria bancada", tuitou Alexandria Ocasio-Cortez, outra integrante de renome da ala de esquerda do Partido Democrata.

"Eles não têm ideia de como isso é perigoso para ela", completou.

Em 2019, Omar foi criticada na Câmara Baixa por seu apoio à campanha internacional para boicotar Israel, que alguns apoiadores do Estado hebraico equipararam a uma forma de antissemitismo, e depois por seus comentários sobre o lobby pró-Israel Aipac.

Omar disse que recentemente recebeu ameaças de morte e divulgou um áudio nesta quinta-feira de um homem ameaçando seus colaboradores dizendo que "muçulmanos são terroristas".

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