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1 mês

Conflito israelo-palestino: EUA resistem em assinar declaração de paz na ONU

16/05/2021 14h37

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, declarou ao Conselho de Segurança reunido neste domingo (16) que os confrontos em Israel e na Faixa de Gaza são "extremamente graves" e pediu o fim imediato da violência.

As Nações Unidas "envolvem ativamente todas as partes rumo a um cessar-fogo imediato" e os chama a "permitir que os esforços de mediação se intensificarem e que tenham sucesso", acrescentou Guterres durante a introdução da primeira reunião pública dos 15 membros do Conselho de Segurança sobre o conflito.

O número de mortos na Faixa de Gaza já chega a 181, incluindo 52 crianças, desde que a escala de violência recomeçou na segunda-feira (10). Israel registrou dez vítimas fatais, incluindo duas crianças, mortas em ataques de foguetes pelo Hamas e outros grupos envolvidos no conflito.

O Conselho de Segurança se reuniu duas vezes reservadamente nesta semana para debater o aumento da violência na região, mas não teve sucesso até agora em conseguir uma declaração pública, visto que os Estados Unidos - tradicional aliado de Israel - estima que o documento será "contraproducente", informaram alguns diplomatas em anonimato.

"As Nações Unidas trabalham incansavelmente com todas as partes para restaurar a paz", declarou Tor Wennesland, enviado da ONU ao Oriente Médio, ao Conselho de Segurança. "A comunidade internacional tem um papel crucial a desempenhar. Ela deve agir agora para permitir às partes sair do abismo."

Os esforços para estabelecer uma trégua liderados pelo Egito, Catar e Nações Unidas não deram, até agora, nenhum sinal de progresso. Os Estados Unidos mandaram um enviado à região e o presidente Joe Biden conversou pelo telefone neste sábado (15) com o primeiro-ministro israelense e o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas.

Guerra premeditada

Durante a reunião de emergência do Conselho de Segurança, o embaixador de Israel nos Estados Unidos e na ONU, Gilad Erdan, acusou o movimento palestino Hamas de ter "premeditado" uma guerra com Israel e de querer "tomar o poder na Cisjordânia".

"O Hamas optou por acelerar as tensões, usadas como pretexto para iniciar esta guerra com Israel", declarou o diplomata israelita, referindo-se a uma "manipulação palestina". Não há "justificativa para o lançamento indiscriminado de foguetes contra civis", acrescentou ele. Os palestinos "usam escudos humanos", aumentando o número de vítimas civis, disse Erdan. Ele pediu ao Conselho de Segurança da ONU que condene os ataques com foguetes.

Na opinião do embaixador israelense, que elogiou o apoio dado a seu país pelos Estados Unidos, o Estado judeu "não teve outra escolha" a não ser responder aos ataques dos palestinos para detê-los.

Alvo perfeitamente legítimo

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou neste domingo que o prédio em Gaza atingido neste sábado por um ataque aéreo israelense abrigava um núcleo de inteligência de um grupo "terrorista" palestino, além dos escritórios da agência americana Associated Press e do canal de televisão do Catal, Al-Jazeera.

"Este edifício abrigava um escritório de inteligência da organização terrorista palestina que prepara e organiza ataques terroristas contra civis israelenses, este é, portanto, um alvo perfeitamente legítimo", declarou o premiê durante uma entrevista no programa Face the Nation, da CBS.

Netanyahu ainda acrescentou que a informação sobre o ataque de sábado foi compartilhada com autoridades americanas.

Ele reiterou que a atual operação do exército israelense "ainda levará tempo": "Nenhum terrorista está imune (...) continuaremos agindo enquanto for necessário para restaurar a calma e a segurança para vocês, cidadãos de Israel. Ainda levará tempo".

Dimensão da resposta israelense

Já o chefe do exército israelense, Aviv Kohavi, afirmou neste domingo que o movimento islâmico Hamas, no poder na Faixa de Gaza, "não calculou corretamente a dimensão da resposta israelense ao lançar foguetes na semana passada".

"Agimos com senso de justiça, com o sentimento de que é a coisa certa a fazer, que é a coisa certa a fazer para proteger os cidadãos de Israel", acrescentou ele em um discurso, após uma reunião com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, o ministro da Defesa, Benny Gantz, e os chefes do Shin Beth - órgão de inteligência - e do Mossad - serviços externos - em Tel Aviv.

Obstrução

Já o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, lamentou neste domingo a "obstrução" dos Estados Unidos, ao passar ao Conselho de Segurança da ONU uma declaração pedindo o fim das hostilidades entre israelenses e palestinos, durante a reunião de emergência.

"O Conselho de Segurança deve agir", disse ele, lembrando que a China (junto com a Noruega e a Tunísia) esteve na origem de um projeto de texto por uma semana. "Por causa da obstrução de um país, o Conselho de Segurança não tem conseguido falar a uma só voz", lamentou, pedindo a Washington "que assuma suas responsabilidades" junto à ONU.

(Com AFP)

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