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Fábricas de carro, como Fiat, Ford e GM, já fizeram aviões; veja modelos

Diversos fabricantes de carros também estão presentes no mundo aeronáutico. Na foto, o HA-420, da Honda - Divulgação
Diversos fabricantes de carros também estão presentes no mundo aeronáutico. Na foto, o HA-420, da Honda Imagem: Divulgação
do UOL

Alexandre Saconi

Colaboração para o UOL, de São Paulo

15/05/2021 04h00

Os carros de Fiat, Ford e General Motors são amplamente conhecidos no Brasil. Mas você sabia que, além de automóveis, essas e outras empresas do ramo já produziram aviões também?

Durante a Segunda Guerra Mundial, principalmente, a força de produção das montadoras de carros foi direcionada para a construção de aeronaves. Sejam modelos próprios ou licenciados, a indústria desempenhou um papel importante na produção de aviões militares no período de guerra.

Hoje, poucas dessas empresas continuam atuando nos dois ramos simultaneamente, mas seu desenvolvimento deixou um legado para toda a indústria. Veja abaixo algumas fabricantes de carros que já produziram aviões também.

Fiat

Fiat AN.1 - Museu do Espaço e do Ar de San Diego - Museu do Espaço e do Ar de San Diego
Fiat AN.1, avião fabricado nos primórdios da Fiat Aviazione
Imagem: Museu do Espaço e do Ar de San Diego

A Fiat foi fundada em 1899, mas não levou muito tempo para começar a produzir aviões também. A Fiat Aviazione foi fundada em 1908, apenas dois anos após Santos Dumont realizar o primeiro voo de avião.

De início, fabricava apenas motores para outros aviões, tendo produzido suas primeiras aeronaves nas décadas seguintes. O modelo AN.1 foi o responsável por impulsionar a empresa de vez no mercado de aviões e fez o primeiro voo em 1930.

Foram dezenas de modelos e motores desenvolvidos pela companhia italiana, incluindo um helicóptero, que não chegou a ser fabricado em série. Em 1989, mudou seu nome para Fiat Avio e, em 2003, foi vendida, deixando de fazer parte do grupo italiano.

Ford

5-AT-B Trimotor, fabricado pela Ford - Museu do Espaço e do Ar de San Diego - Museu do Espaço e do Ar de San Diego
5-AT-B Trimotor, fabricado pela Ford
Imagem: Museu do Espaço e do Ar de San Diego

Na década de 1920, a Ford iniciou sua trajetória para se tornar uma das maiores fabricantes de aviões do mundo na primeira metade do século 20. Seguindo o sucesso do carro Ford T, o fundador da empresa, Henry Ford, tentou fazer um avião para as massas.

Assim nasceu o Ford Flivver, em 1926, um avião com um único assento que, como definiu o empresário, "deveria caber em seu escritório". O avião, porém, nunca foi produzido em série, pois o piloto, que era um dos funcionários favoritos de Ford, morreu durante os testes.

A empresa também desenvolveu o Ford Trimotor, apelidado de The Tin Goose (Ganso de Lata). Sua capacidade era para até 11 passageiros e três tripulantes (dois pilotos e um comissário de voo). Criado para fins civis, seu primeiro voo ocorreu em 1926. O modelo acabou encontrando espaço no meio militar devido à facilidade em realizar a sua manutenção onde quer que tenha pousado.

Durante a Segunda Guerra Mundial, a Ford ainda fabricou milhares de bombardeiros B-24 Liberator. Esse modelo, entretanto, era produzido sob licença da Consolidated Aircraft, não tendo sido desenvolvido pela Ford.

General Motors

P75A_Eagle  - Museu do Espaço e do Ar de San Diego - Museu do Espaço e do Ar de San Diego
O Fisher P-75A teve apenas 14 unidades produzidas
Imagem: Museu do Espaço e do Ar de San Diego

A General Motors também adaptou suas operações durante a Segunda Guerra Mundial para suprir a demanda por aviões militares. Por meio da divisão chamada Fisher Body, a empresa elaborou os modelos P-75 e P-75A.

Com diversos problemas, o avião deixou de ser desenvolvido após apenas 14 unidades construídas. No período, a GM acabou também dedicando sua força de manufatura a aviões de outros desenvolvedores, como o Grumman F4F Wildcat.

A incursão da GM no mundo da aviação não foi apenas com a fabricação de aeronaves. A empresa já foi dona de uma companhia aérea, além de ter tido uma divisão de transporte aéreo para levar seus funcionários entre as fábricas.

Honda

HA-420, o HondaJet, com seus motores fixados acima das asas - Museu do Espaço e do Ar de San Diego - Museu do Espaço e do Ar de San Diego
HA-420, o HondaJet, com seus motores fixados acima das asas
Imagem: Museu do Espaço e do Ar de San Diego

A Honda ainda hoje produz o avião HA-420, conhecido como HondaJet. O Jato executivo para até seis passageiros na configuração padrão se destaca por seu motor em posição elevada e inclinada para trás sobre as asas. Isso deixa o voo mais silencioso, pois o ruído fica afastado da cabine de passageiros.

Sua velocidade máxima é de 782 km/h, com autonomia para voar até 2.300 km de distância - entre São Paulo e Aracaju, aproximadamente. O avião também pode ser encomendado para sair de fábrica em diversas cores vibrantes, fugindo do padrão branco, majoritário na indústria.

Mitsubishi

SpaceJet, da Mitsubishi, que ainda não teve sua certificação concluída - Museu do Espaço e do Ar de San Diego - Museu do Espaço e do Ar de San Diego
SpaceJet, da Mitsubishi, que ainda não teve sua certificação concluída
Imagem: Museu do Espaço e do Ar de San Diego

O conglomerado japonês Mitsubishi, conhecido também pelos seus carros, já se aventurou pela aviação. O A6M Zero, conhecido também como Zero foi o principal modelo de caça da marinha japonesa durante a Segunda Guerra Mundial. Esse avião foi usado nos ataques a Pearl Harbor pelos kamikazes.

Em 2007, a Mitsubishi Aircraft Corporation anunciou o início do desenvolvimento do MRJ (Mitsubishi Regional Jet). Após diversos problemas, essa família de aeronaves foi reformulada em 2019 e passou a se chamar SpaceJet, com modelos que comportam de 70 a 90 passageiros.

Em outubro de 2020, a empresa anunciou que irá pausar temporariamente o programa de desenvolvimento do avião, que tinha as primeiras entregas previstas para ocorrer a partir de 2021. Ainda não há previsão do início da fabricação em série do SpaceJet.

Piaggio (fabricante da Vespa)

O Piaggio P.180 Avanti II, com o seu design diferente da maioria dos aviões - Museu do Espaço e do Ar de San Diego - Museu do Espaço e do Ar de San Diego
O Piaggio P.180 Avanti II, com o seu design diferente da maioria dos aviões
Imagem: Museu do Espaço e do Ar de San Diego

Talvez essa marca não seja tão lembrada por aqui, mas um dos produtos da italiana Piaggio com certeza está na memória dos brasileiros: a Vespa. Pois a fabricante italiana de motos também deu origem a uma indústria aeronáutica, hoje chamada de Piaggio Aerospace, que fabricou seu primeiro avião ainda em 1915.

Durante a Segunda Guerra Mundial, a fábrica da empresa foi destruída, mas conseguiu ser reestruturada nos anos seguintes. Antes disso, em 1937, lançou o seu bombardeiro P.108, o primeiro avião quadrimotor da empresa.

Hoje, a Piaggio Aerospace continua atuando na área militar e se firmou na aviação executiva, com destaque para o Avanti, um turboélice com capacidade para até seis passageiros que chega a uma velocidade de 745 km/h. Seu design chama a atenção por ter as hélices na parte de trás das asas, diferente de outros aviões.

Após quase um século, a empresa deixou de ter ligações com o seu grupo originário, trocando de controle acionário, embora mantenha o mesmo nome.

Siddeley

O Harrier, da Hawker Siddeley, durante operação vertical - Museu do Espaço e do Ar de San Diego - Museu do Espaço e do Ar de San Diego
O Harrier, da Hawker Siddeley, durante operação vertical
Imagem: Museu do Espaço e do Ar de San Diego

A antiga fabricante de carros inglesa Armstrong Siddeley também fabricou aviões após uma série de fusões e aquisições entre empresas, que geraram a Hawker Siddeley.

A companhia atuou tanto na fabricação de modelos para a aviação comercial quanto para a área de aeronaves militares.

Os aviões mais icônicos da empresa são os da família Harrier, caças que podem decolar e pousar na vertical e que se encontram em serviço até hoje.

Na década de 1970, a Hawker Siddeley foi fundida com outra empresa e deixou de existir.

Subaru

T-1, avião militar de treino japonês - Museu do Espaço e do Ar de San Diego - Museu do Espaço e do Ar de San Diego
T-1, avião militar de treino japonês
Imagem: Museu do Espaço e do Ar de San Diego

A japonesa Subaru desenvolveu diversos aviões após a Segunda Guerra Mundial. Aqui, destacam-se o Fuji FA-200, um avião movido a motor a pistão de quatro lugares, além de modelos militares, como o T-1.

Atualmente, a empresa tem uma subdivisão aeroespacial, que trabalha em parceria com outras companhias no desenvolvimento e produção de diversos componentes para aeronaves.

Participantes de honra

  • Rolls-Royce: na década de 1970, as divisões de carros e de peças aeronáuticas do grupo se separaram, virando duas empresas distintas que existem até hoje com o mesmo nome. A fabricante automobilística hoje pertence à BMW, enquanto sua irmã atua no ramo da aviação civil e militar.

  • Saab: a fabricante do caça Gripen NG, que irá equipar a FAB (Força Aérea Brasileira) foi fundada na Suécia para a produção de aviões em 1937. Após a Segunda Guerra Mundial, iniciou a manufatura de carros. Sua divisão automobilística foi vendida para a General Motors em 2000.

  • Goodyear: não é apenas pneus que a empresa produz para o ramo da aviação. Durante a Segunda Guerra Mundial, a empresa fez uma série de aviões infláveis, mas que não chegaram a ser fabricados em larga escala.

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