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1 mês

Sem máscara, Bolsonaro vai a ato e volta a falar em fraude nas eleições

do UOL

Antonio Temóteo, Luciana Amaral e Amanda Rossi

Do UOL, em Brasília e em São Paulo

15/05/2021 16h38Atualizada em 15/05/2021 20h57

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse hoje (15) que "sem voto auditável" o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vencerá as eleições de 2022 "pela fraude". Mais uma vez, Bolsonaro participou de um evento com aglomeração sem usar máscara e voltou a criticar as medidas de isolamento social para o enfrentamento à pandemia do novo coronavírus.

"Se tiraram da cadeia o maior canalha da história do Brasil, se para esse canalha foi dado o direito de concorrer, o que me parece é que, se não tivermos o voto auditável, esse canalha, pela fraude, ganha as eleições do ano que vem. Não podemos admitir um sistema eleitoral que é passível de fraude", disse Bolsonaro.

Segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o processo de voto eletrônico já passa por auditoria. O tribunal afirma que, desde 2002, quando a auditoria passou a ser feita em todos os estados, o processo nunca apontou falhas que pudessem alterar os resultados das eleições.

Milhares de apoiadores do presidente acompanharam o discurso, em frente ao carro de som, aglomerados e grande parte deles sem máscara de proteção contra a covid-19. Bolsonaro chegou ao ato montado em um cavalo junto a alguns ministros.

Pesquisa Datafolha divulgada esta semana mostrou que Lula lidera a corrida eleitoral de 2022. Em um possível segundo turno contra Bolsonaro, o ex-presidente tem 55% de intenção de voto, contra 32% do atual chefe do Executivo.

A fala de Bolsonaro ocorreu em um carro de som que integra uma manifestação de apoio ao presidente, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. No veículo, estava escrito: "Faça o que for preciso. Eu autorizo, presidente".

Em cima do carro de som, antes das principais falas ao microfone, Bolsonaro disse que o local estava muito cheio e uma bagunça. "Ou desce a metade desse povo ou eu desço."

Ministros sem máscara

Ministros do governo Bolsonaro também fizeram falas no carro de som — assim como o presidente, nenhum deles usava máscara de proteção contra a covid-19.

Em mensagem breve, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, exaltou a importância do agronegócio. O ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, defendeu o trabalho do governo no desenvolvimento de rodovias e ferrovias que beneficiam os ruralistas.

"O agro é o maior amigo do meio ambiente, essa é a verdade. As cidades é que poluem. O agro brasileiro é exemplo para todo o mundo", falou Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente.

O ministro do Turismo, Gilson Machado, tocou sanfona, como costuma fazer em lives e até em eventos com Bolsonaro, e também proferiu palavras de apoio ao governo.

O ministro da Defesa, Walter Braga Netto, e o tricampeão de Fórmula 1 Nelson Piquet eram outros presentes no carro de som.

Em determinado momento, os apoiadores de Bolsonaro gritaram "Renan, vagabundo", em referência ao senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da CPI da Covid, no Senado.

Além do Hino Nacional e oração, o ato contou com uma música de um artista gaúcho. Na canção, ele elogiou o governo e criticou o comunismo. Também declarou que a "desgraça do país é um tal de STF". Em resposta, o público se exaltou mais ainda em apoio a Bolsonaro.

Ao lado do músico, o presidente da República não fez menção para que parasse com as críticas ao Supremo.

Em outro momento, enquanto Bolsonaro cumprimentava os apoiadores, o carro de som puxou o grito de "voto impresso auditável".

No ato, Bolsonaro defendeu a aprovação de projeto no Congresso que trata da obrigatoriedade de votos impressos, sem a extinção da urna eletrônica. O texto é de autoria da deputada federal Bia Kicis (PSL-DF) e tem o apoio da bancada bolsonarista.

Em 2020, Bolsonaro disse haver provas de fraudes no primeiro turno das eleições de 2018, pleito em que se elegeu à Presidência. Mas, Bolsonaro nunca apresentou as supostas provas.

O UOL Confere analisou 24 pedidos feitos por eleitores, por meio da LAI (Lei de Acesso à Informação), requisitando acesso às provas alegadas pelo presidente. Em 16 deles, a Secretaria de Governo da Presidência da República afirmou que "não foram identificados nos registros do Gabinete Pessoal do Presidente da República os documentos solicitados".

Bolsonaro volta a criticar governadores e prefeitos

Bolsonaro voltou a criticar governadores e prefeitos que adotaram medidas de restrição de circulação de pessoas para combater o avanço da pandemia de covid-19.

"Essa pandemia realmente não foi fácil. Mas conseguimos manter o nível de empregos formais. Já informais, quase 40 milhões [de empregos perdidos], quem destruiu? Foram alguns governadores e prefeitos, com sua política, sem qualquer comprovação científica, do 'fique em casa, a economia a gente vê depois'", afirmou o presidente.

"Lamentamos as mortes por covid e todas as outras mortes. Mas não é ficando embaixo da cama que vamos enfrentar o problema", continuou Bolsonaro. Até agora, cerca de 433 mil pessoas morreram por covid-19 no Brasil.

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