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Milhares de colombianos lotam ruas no 3º dia de paralisação nacional

12/05/2021 22h26

Bogotá, 12 mai (EFE).- Com o coro de "Presente, presente, fora presidente", milhares de colombianos lotaram as ruas de Bogotá nesta quarta-feira, no terceiro dia de paralisação nacional convocada por sindicatos após a primeira reunião com o governo, na segunda-feira, ter terminado sem acordos.

As principais ruas da cidade foram tomadas por centenas de pessoas com camisas brancas, balões, instrumentos musicais e bandeiras da Colômbia. A manifestação transcorre de maneira festiva, apesar do caos e da violência ao longo dos 15 dias de protestos.

"A finalidade da paralisação que estamos fazendo desde 28 de abril é exigir que o governo nacional negocie o plano de emergência que propusemos em junho de 2020 e garantias para o protesto social", disse à Agência Efe o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) da Colômbia, Francisco Maltés.

As mobilizações tomaram o país há duas semanas, inicialmente como protesto contra a reforma tributária apresentada pelo governo do presidente Iván Duque, que já desistiu do projeto. Mas a população continua insatisfeita e continua a reivindicar outros pontos, como o fim dos massacres e do abuso policial.

Nesta quarta-feira, os manifestantes carregam cartazes com mensagens como "Não ao projeto 010 da reforma da saúde" e "Não à reforma das pensões e do trabalho", iniciativas promovidas por outros partidos políticos.

Após 15 dias de pressão, o governo de Duque cedeu não só na retirada da lei fiscal. Depois de não ter chegado a nenhum acordo com o Comitê Nacional de Paralisação, o mandatário disse que estava disposto a estabelecer uma mesa de diálogo permanente para chegar a um consenso.

Além disso, o presidente anunciou na terça-feira, em Cali - foco dos protestos -, que os estudantes das universidades públicas e instituições técnicas e tecnológicas não terão de pagar matrícula no segundo semestre deste ano.

Segundo Duque, que defendeu que esta iniciativa se torne uma "política pública", a medida "permitirá que 97% dos estudantes em universidades públicas, instituições técnicas e tecnológicas tenham as suas matrículas cobertas".

CONTRA A VIOLÊNCIA POLICIAL.

Reunidos no Parque Nacional de Bogotá, os manifestantes, alguns acompanhados pelos animais de estimação, protestaram contra a brutalidade policial que reprime as mobilizações e pediram ao governo uma negociação na qual, ao contrário do que aconteceu com os diálogos da greve nacional de 2019, os acordos sejam cumpridos.

"Estou em greve porque acredito que nenhuma das reformas que foram feitas, nem as que pensam em fazer, em termos de trabalho, pensão, reforma da saúde, favorecem o povo", disse Marcela, uma das manifestantes.

"Estamos vivendo uma série de massacres, assassinatos, simplesmente por não termos o direito de protestar, quando, na realidade, estamos pedindo uma garantia para tudo", acrescentou.

A manifestante se referiu ao relatório sobre as 42 mortes que a Defensoria do Povo recebeu de várias organizações durante as manifestações, muitas como resultado da violência em cidades como Cali, Pereira e Ibagué e outras pelas quais as forças de segurança são responsabilizadas.

Duque disse na terça-feira que as autoridades iniciaram 65 processos disciplinares, incluindo oito por homicídio, 27 por abuso de autoridade, 11 por agressão física e 19 por outras condutas.

Entidades internacionais como ONU, União Europeia e governos, além de manifestantes, pediram ao governo de Duque para que adotasse medidas contra a violência policial, punisse os culpados e garantisse o direito ao protesto pacífico.

"Deve ser criada uma mesa de negociações, os diálogos já se arrastam há muito tempo e os acordos nunca foram cumpridos pelo governo", protestou Marcela.

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