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Alagoas programa vacinação para grupos de risco em hospitais para covid

Leitos no Hospital Metropolitano, em Maceió - Márcio Ferreira/Divulgação
Leitos no Hospital Metropolitano, em Maceió Imagem: Márcio Ferreira/Divulgação
do UOL

Aliny Gama

Colaboração para o UOL, em Maceió (AL)

09/05/2021 04h00

Dois pontos de vacinação para grupos de risco relacionados à covid-19 em Maceió ficam dentro de hospitais exclusivos para atender pessoas contaminadas pelo coronavírus. Na quinta-feira (6), o governo estadual começou a aplicar a vacina Pfizer/BioNtech nestes grupos —7.020 doses serão distribuídas na capital alagoana e em Arapiraca (AL).

Os pontos de vacinação em Maceió são os hospitais da Mulher, no bairro do Poço, e o Metropolitano, no bairro do Tabuleiro do Martins, que atendem exclusivamente pacientes com covid-19. O governo estadual diz que os hospitais possuem condições adequadas para o armazenamento do imunizante e que a vacinação ocorre em "local não covid-19". (leia mais abaixo)

A decisão do governo, entretanto, preocupa grávidas que conversaram com o UOL. Devem receber estas doses:

  • gestantes e puérperas com comorbidades que tenham a partir de 18 anos;
  • gestantes e puérperas sem comorbidades a partir de 35 anos; e
  • pessoas transplantadas a partir de 18 anos de idade.

Para tomar a primeira dose, é necessário fazer o agendamento no site do governo. Não há previsão de quando todas as gestantes poderão receber a vacina.

Grávida de 22 semanas e isolada em casa, Renata Marinho, 24, ainda não está contemplada nesta etapa da vacinação. Mas contou que está com medo de ir se vacinar quando chegar a vez dela, depois que viu no link de agendamento onde a vacinação está sendo realizada. Ela disse que precisou de atendimento médico, mas não foi ao hospital para não se expor e critica os locais destinados a vacinação para grávidas.

"Estranhei quando abri o link de inscrição e vi apenas hospitais como opção para vacinação. Antes, eu acreditava que acontecia apenas em drive-thru na rua. As gestantes deveriam ser vacinas em pontos específicos em área aberta, como vi na praia, no estacionamento de Jaraguá", opinou. "Já tive algumas crises de ansiedade e não fui ao hospital por medo. Não quero me expor."

Renata Marinho está receosa com local de vacinação em Maceió - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Renata Marinho está receosa com local de vacinação em Maceió
Imagem: Arquivo pessoal

Ela diz que gostaria de estar vacinada antes do parto porque mãe e filho vão ser expostos ao ambiente hospitalar no nascimento do bebê. "Esperava que já no quinto ou sexto mês de gestação estaria vacinada, espero que não demore mais que isso", destacou Marinho.

O marido dela, que trabalha em uma rede de supermercado, está usando duas máscaras e se priva de beber água durante o trabalho para não correr risco de se infectar.

A Sesau (Secretaria de Estado da Saúde) alega que hospitais foram escolhidos como locais de vacinação porque o imunizante da Pfizer/BioNtech deve ficar congelado e armazenado em freezer, com temperatura entre -25° e -15° Celsius. A vacina não chegará a outras cidades do interior devido à falta de espaços adequados para armazenamento.

Estado não cumprirá tempo em bula entre D1e D2

Apesar de a bula da vacina da Pfizer orientar que o prazo entre a aplicação da primeira e a segunda dose seja de 21 dias, o estado de Alagoas vai aplicar no intervalo de seis semanas —o equivalente a 42 dias, ou o dobro do período recomendado.

A Sesau informou que o prazo de seis semanas foi recomendado pelo Ministério da Saúde, que justifica a janela maior entre a primeira e a segunda aplicação com estudos supostamente realizados nos Estados Unidos, Israel e Reino Unido, que "apontam mais de 80% de efetividade após dose única". "O Reino Unido orientou, inclusive, que o intervalo entre a primeira e segunda dose seja de 12 semanas."

"Para que o esquema vacinal fique completo, você deve receber duas doses da vacina, com um intervalo maior ou igual a 21 dias (de preferência 3 semanas) entre a primeira e a segunda dose. Você pode não estar protegido até pelo menos sete dias após a segunda dose da vacina", explica o texto da bula.

A cientista e médica obstetra Adriana Melo, que descobriu a relação entre o zika vírus e fetos com microcefalia, afirma a importância de grávidas e puérperas, independente de ter comorbidades ou não, serem incluídas como prioridade na campanha de vacinação contra a covid-19. Ela destaca que este grupo possui fatores que aumentam o risco de morte quando há infecção pelo coronavírus.

Em 2020, a cientista e outros pesquisadores brasileiros criaram um grupo para estudar o impacto da covid-19 durante o período gestacional e de puerpério.

A cada 10 mortes maternas decorrentes da covid-19, quase oito eram brasileiras. Tentamos entender que fatores aumentavam o risco de morte materna pela covid-19 no Brasil. A análise dos dados mostrou que o período pós-parto (puerpério), idade acima de 35 anos, obesidade, diabetes, etnia negra, morar em área periurbana, sem acesso à estratégia de Saúde da Família ou morar a mais de 100 km do hospital de notificação foram associados a um risco aumentado de resultados adversos.
Adriana Melo", cientista e obstetra

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