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Pai de sobrevivente em SC foi a escola, mas não achou filho: "angustiante"

Diego Hubler e o filho, que sobreviveu ao ataque a uma creche em Saudades (SC) - Arquivo pessoal
Diego Hubler e o filho, que sobreviveu ao ataque a uma creche em Saudades (SC) Imagem: Arquivo pessoal
do UOL

Hygino Vasconcellos

Colaboração para o UOL, em Chapecó (SC)

06/05/2021 14h30

Uma ligação telefônica fez o supervisor de almoxarifado, Diego Hubler, 31, largar tudo e ir às pressas para a escola Aquarela na última terça-feira (4), onde cinco pessoas foram mortas e uma ficou ferida por um jovem de 18 anos. Naquela hora, mal ele sabia que o único sobrevivente ferido era o próprio filho, de 1 ano e oito meses.

O trabalho dele fica a poucos metros da creche e, no caminho, deparou-se com pessoas em pânico e movimentação de ambulâncias. "A primeira coisa que eu fiz foi ir até a escola, mas ao chegar lá não encontrei meu filho. Foi angustiante. Perguntei se alguém tinha visto meu filho e falaram que alguém já tinha pego e levado para o hospital", contou Hubler ao UOL.

A criança havia sido socorrida pela agente educativa Aline Biazebetti, 27, que, de casa, ouviu os gritos de socorro e correu até a escola. No impulso, pegou o menino ferido e o levou até o hospital com a ajuda do pai, o aposentado Ailton Biazebetti, 64.

Inicialmente, o idoso tentou parar dois carros na rua, mas, sem sucesso, decidiu ir por conta ao hospital. "Me falaram que se eu tivesse demorado 10 minutos, a criança não teria sobrevivido".

Enquanto o pai dirigia, Aline segurava a criança, que ela nem sabia quem era. "Me lembro muito pouco dele. Eu só lembro dos olhinhos dele e que estava ferido", conta a agente educativa.

O pai do menino correu então até o hospital, a cerca de 500 metros. No caminho, já avisou a esposa, que correu para a unidade de saúde.

"Quando cheguei no hospital, logo consegui vê-lo. Foi uma sensação de alívio, mesmo vendo ele naquele estado. Mas saber que está vivo foi um alívio. Minha esposa ficou bem angustiada."

De Saudades, o menino foi transferido para o HRO (Hospital Regional do Oeste), em Chapecó, a 67 km de distância. Conforme o pai, a criança apresenta diversos cortes pelo corpo. "Foi por tudo." Um deles foi na lateral de um dos olhos e ainda não se sabe se a visão ficou comprometida, o que vai ser verificado em exame médico.

Ontem, o menino recebeu alta da UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) e foi transferido para o Hospital da Criança, também em Chapecó. Os pais agora se revezam para cuidar da criança.

Desde a última terça-feira, a mãe permanece o tempo todo ao lado do filho. Como não é autorizada a permanência de mais um acompanhante no local, o pai vai e volta todo dia de Saudades para Chapecó.

Próximo das 11h de hoje, Hubler chegou ao local para garantir um momento de descanso à esposa. "O nenê mama, então eu vou logo entrar para cuidar dele e a minha esposa vai dormir. Então, não sei até quando ele (o menino) vai ficar calmo."

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